
O grupo de alunas de uma escola estadual de Mato Grosso que gravou um vídeo enquanto agredia uma adolescente , tinham um caderno que mostrava como funcionava o grupo criado pelas alunas, inspirado em facções criminosas . A informação foi revelada pelo delegado Marcos Paulo Batista de Oliveira, responsável pelo caso.
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O vídeo do caso viralizou nas redes sociais nesta terça-feira (05) e envolve alunas da Escola Estadual Carlos Hugueney, em Alto Araguaia (a 415 km de Cuiabá).
No caderno apreendido na casa de uma delas, constava a hierarquia, normas e apelidos, como ocorre em facções. Em uma parte da folha, uma delas chegou a escrever: “A gente mata ou morre”.
Conforme o delegado Marcos Paulo, as menores usavam “vulgos”, como: “capetinha”, “mafiosa”, “criminosa”, “quebra osso”, “fantasma”, “assistente” e outros.
Nessa quarta-feira (06), a 1ª Vara de Alto Araguaia (a 415 km de Cuiabá) determinou a internação de quatro adolescentes que aparecem no vídeo.
O secretário de Estado de Segurança Pública (Sesp), coronel César Roveri, acredita que, como elas ainda estão no período de formação – as adolescentes têm entre 12 e 14 anos –, ainda há chance de “salvação” . “Agora as medidas serão adotadas pela Secretaria de Justiça, onde tem ali o acompanhamento das adolescentes internadas”.
“Elas ainda estão na formação, então há tempo para a gente recuperá-las. Inclusive para que daqui a um período, cumprindo a internação, elas retornem às suas atividades estudantis”, acrescenta.
O caso
O vídeo do caso viralizou nas redes sociais. Segundo o delegado Marcos Paulo Batista de Oliveira, responsável pelo caso, o grupo, que também inclui a vítima, é formado por cerca de 20 alunas que adotavam regras semelhantes às de facções. “Talvez inspirados por essa bandidolatria que infelizmente está consumindo o nosso país, resolveram criar um grupo definindo regras, líder, disciplina, copiando mais ou menos o que ocorre dentro das facções criminosas”, explica.
“Hoje, infelizmente, a internet trouxe também essas consequências. É possível qualquer um acessar a internet e ler o estatuto de várias facções que existem pelo Brasil. Elas resolveram montar esse grupo e definir ali algumas atribuições, algumas regras e essa aluna que foi agredida teria descumprido uma dessas regras”, relata.
Ainda de acordo com Marcos Paulo, a menina foi agredida após ter recusado a dar um “geladinho” a uma das colegas. “Ela foi agredida de forma covarde. Inclusive uma das regras, durante a agressão, é que não pode chorar, porque se chorar a agressão é ainda maior”, conta.
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Em nota, a Seduc informou que as equipes gestora e psicossocial da unidade e da Diretoria Regional de Educação já foram mobilizadas para prestar atendimento à vítima, aos demais envolvidos e às suas famílias, com o objetivo de oferecer acolhimento e suporte necessários.
“O caso já foi registrado junto a autoridade policial competente e, paralelamente, a Seduc está tomando as medidas disciplinares cabíveis, conforme as normas do Regimento Escolar e demais legislações vigentes, com providências firmes para que situação como esta não se repita, aplicando punições exemplares dentro do que permite a legislação”, diz a nota.
Por fim, a Seduc reafirma o compromisso com a promoção de um ambiente escolar seguro, respeitoso e acolhedor.
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