
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), defendeu a criação da Secretaria do Autismo e da Neurodiversidade sob o argumento de que a nova estrutura, apesar de aumentar as despesas administrativas, poderá gerar economia aos cofres públicos. O projeto de reforma administrativa ainda será encaminhado à Câmara Municipal, que precisará aprovar a criação da pasta.
A criação da pasta foi anunciada nesta semana, em um vídeo publicado nas redes sociais. Atualmente, a Prefeitura de Cuiabá possui 22 secretarias. Com a nova estrutura, o número passará para 23, caso a proposta seja aprovada pelos vereadores. Abilio reconheceu que a criação da secretaria representará novos gastos, mas argumentou que a centralização dos atendimentos poderá tornar mais eficiente a aplicação dos recursos destinados às políticas de inclusão.
Segundo o prefeito, somente a Educação municipal gasta mais de R$ 20 milhões por ano com atendimentos relacionados a crianças autistas e profissionais de apoio. Ele citou a existência de salas de aula com até seis profissionais de apoio e questionou se a distribuição atual dos servidores é a mais adequada.
“A gente estudou muito sobre fazer ou não fazer a Secretaria do Autismo no nosso município. Encontrado os números, a gente entendeu que isso é uma pauta que tem que ter uma atenção especial. Há um crescimento significativo do número de crianças autistas no nosso estado. Ele é escalonado. Existe uma necessidade de dedicação especial a esse caso, que cresce muito e que também representa orçamentariamente no município um valor exalado bem alto. Há casos e casos que a gente tem que ponderar. Vai aumentar a despesa na causa do Autismo? Vou. Vai diminuir a despesa em outras áreas? Sim. Vamos diminuir a despesa em outras áreas e vamos priorizar algumas”, declarou.
Na avaliação do prefeito, a existência de uma secretaria dedicada exclusivamente ao tema permitirá fiscalizar a eficiência dos serviços e ampliar a captação de recursos por meio de emendas parlamentares. Abilio também levantou a possibilidade de reorganizar o atendimento educacional conforme o nível de suporte dos estudantes. Entre as alternativas mencionadas estão unidades especializadas para alunos com nível de suporte e estudantes com altas habilidades.
“Nós temos fonte de recursos dedicados a isso, a maioria de deputados e senadores querem investir na causa do autismo, e a dedicação exclusiva a esse caso vai dar condições da gente buscar soluções melhores para isso. Não quer dizer que vai resolver tudo de uma hora para a outra, mas vai ter uma atenção especial para isso. Há reformas que aumentam a despesa pontual, mas gera economia geral”, adianta.
A atual secretária de Habitação e Regularização Fundiária, Michelle Almeida, foi escolhida para comandar a futura Secretaria do Autismo e da Neurodiversidade. Ela confirmou que aceitou o convite de Abilio e afirmou que a estrutura ainda está em fase de organização.
“Ainda tem algumas coisas para a gente finalizar, encaminhar até o final do ano, mas o prefeito estava com essa vontade de fazer essa secretaria. Ele queria dar um olhar diferenciado para os autistas, para os neurodivergentes. Estamos ainda em fase de estruturação, então ainda estamos montando como vai ser a secretaria, vai passar ainda pela Câmara para poder aprovar essa reforma administrativa”, conclui.

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