
Há sentimentos que não cabem em palavras e lembranças que o tempo não consegue apagar. Para a artista plástica Adaiele Pereira de Almeida, de 32 anos, nascida e criada em Cáceres (225 KM a Oeste), foi na pintura que essas emoções encontraram uma forma de existir. Inspirada pelas paisagens, pela natureza e pelas memórias da infância, ela transforma o amor pelo Pantanal em obras que carregam identidade, afeto e pertencimento.
Artista plástica e professora, Adaiele cresceu em uma família ligada ao Rio Paraguai, à pesca e ao turismo. Desde pequena, demonstrava interesse pelo desenho e pela pintura, habilidade que foi incentivada pelos pais e aperfeiçoada ao longo dos anos, por meio do contato com artistas da região.
“Minha relação com a arte foi se construindo ao longo da vida. Desde muito pequena já adorava desenhar e pintar. Meus pais perceberam essa habilidade bem cedo e passaram a me incentivar. Conheci muitos artistas de Cáceres, inclusive da Associação de Artistas Plásticos de Mato Grosso, da qual faço parte atualmente, e fui me apaixonando cada vez mais pela pintura em tela”, relembra.
Autodidata, Adaiele desenvolveu sua própria linguagem artística, utilizando principalmente pintura a óleo e técnicas mistas. Mais do que uma profissão, a arte se tornou uma maneira de expressar sentimentos que nem sempre conseguia traduzir em palavras.
Acervo Pessoal
“Encontrei na pintura uma maneira de expressar meus sentimentos, memórias e experiências que muitas vezes em palavras eu não conseguia falar. A arte é minha maneira de sentir, interpretar e me comunicar com o mundo. Costumo dizer que a arte é a minha voz, justamente por ser através dela que me conecto com muitas pessoas. Pintar, para mim, é também uma forma de pertencimento. Parece que, quando estou pintando, trago para a tela quem eu realmente sou”, conta.
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Em 2026, a artista realizou sua primeira exposição individual, intitulada Pantanal em Mim, com curadoria de Dayana Trindade. A mostra passou por Cáceres e também pelo Museu Morro da Caixa D’Água Velha, em Cuiabá, reunindo obras inspiradas nas paisagens, na fauna, na flora e nas relações humanas com a natureza.
Apesar das conquistas, Adaiele reconhece as dificuldades de construir uma carreira artística no interior de Mato Grosso, especialmente em relação ao acesso a materiais, oportunidades e espaços para exposição.
“Eu acredito que um dos maiores desafios é construir uma trajetória artística sendo uma artista que vive no interior de Mato Grosso. Ainda que a tecnologia nos traga tantas possibilidades, levando nossa arte para pessoas de diferentes lugares, existem desafios relacionados ao acesso a materiais, oportunidades e circulação das obras. Mas eu continuo acreditando na força da arte produzida fora dos grandes centros”, destaca.
Para ela, cada pintura também representa um gesto de preservação das memórias e da identidade pantaneira, além de um convite para que as pessoas enxerguem a natureza com mais sensibilidade.
“Eu acredito que minha arte seja uma forma de preservar memórias, valorizar a identidade pantaneira e despertar olhares mais sensíveis para a natureza. Quero que as pessoas reconheçam, por meio das minhas obras, que o Pantanal não é apenas uma paisagem, mas um território de vida, histórias e pertencimento e, principalmente, que precisa ser preservado”, afirma.
Acervo Pessoal
Entre pincéis, cores e lembranças, Adaiele segue transformando suas raízes em arte. Para quem cresceu cercada pelas águas e pela beleza do Pantanal, pintar é mais do que criar imagens: é manter viva a própria história e dar voz a um território que faz parte de quem ela é.
As obras da artista podem ser conhecidas pelo site www.adaielealmeida.com.br.
Adaiele indica:
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Iram Almeida: pintor e artista plástico
@iram_almeida_artista_plastico
Eduardo Martins: pintor, artista plástico e muralista.
@eduardomartinsartesplasticas
Valdir Ricardo: pintor e artista plástico.
@vr.artes1

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