
Ou estão em um relacionamento tenha ele o nome que tiver? Se sim, como se referem ao outro(a) quando vocês estão juntos? Amor? Baby? Benhê? Chuchu? Ou pelo nome mesmo? Nome inteiro ou apelido? E quando não estão juntos? Meu namorado(a), marido, esposa, parceiro(a), companheiro(a), ficante, meu boyzinho, minha mina? Amo prestar atenção nessas escolhas.
É quase como se, ao se referir a alguém, a gente se sentisse na obrigação ou no desejo de comunicar ao interlocutor em que pé estão as coisas. Nesse aspecto parceiro(a) ou companheiro(a) funcionam um pouco como significant other em inglês, meio neutro. Mas ainda assim comunicam, se não um status de relacionamento, pelo menos uma inclinação política, né? Não sendo namorido, que é talvez a expressão mais feia já inventada em português, todo o mais tá valendo.
Pergunto porque essa semana vazou uma troca de mensagens entre um casal de namorados que circulou um monte nas redes e nas conversas fora delas. O casal falava na língua do Cebolinha (trocando o R pelo L) e arrancou um tanto de risada constrangida de todo mundo que teve acesso às trocas. Não podiam ter vazado, claro. Digo, legalmente. E essa parte, todo o mais que contribui para a investigação em curso, precisa mesmo vir a público.
Mas, fora da conversa jurídica, não tem nada menos charmoso do que a intimidade do outro sem contexto. E a gente – por mais justo que tente ser, na intimidade com os nossos – meio que ama fazer chacota. Coisa horrorosa. Pois que durante a semana, os analisandos soltaram um monte de Ls galhofentos. E eu, confesso, fiz igual.
Entre uma risada e outra, sobraram grandes incômodos. Com o caso todo, claro, uma lambança.
Mas, mais especificamente com a exposição das mulheres envolvidas. Até agora, pelo menos, nenhuma delas é suspeita de cometer crimes. Há de atentar para a nossa atitude de também se sujar de lama quando convidado a se espalhar na fofoca. Além disso, há também de pensar na infantilização das comunicações românticas, não? O que significa essa infantilização?
Um certo sanduiche com recheio de cultura da pedofilia de um lado e maternagem de homem barbado de outro que minha nossa senhora. Probleminha. Sei lá, me contem o que vocês acham dessa coisa toda e boa semana, minha gente. Bora trabalhar que é o melhor que a gente faz.
Roberta D’Albuquerque é psicanalista, atende em seu consultório em São Paulo e escreve semanalmente no Gazeta Digital e em outros 17 jornais e revistas do Brasil, EUA e Canadá. E-mail: contato@robertadalbuquerque.com.br
Coluna semanal atualizada às segundas-feiras

Faça um comentário