Vítima sofreu mais de 40 ferimentos de faca, aponta MP

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O Tribunal do Júri entrou em uma nova fase do julgamento do assassinato de Raquel Cattani, que acontece nessa quinta-feria (22), em Nova Mutum (264 km ao Norte), com o início da sustentação oral da acusação. A etapa teve início após mais de uma hora e meia de interrogatório do réu Romero Xavier Mengarde. O irmão dele, também acusado, Rodrigo Xavier, não respondeu às perguntas e se manteve em silêncio. 

A acusação foi apresentada pelo Ministério Público, representado pelo promotor João Marcos de Paula Alves, que abriu sua fala contextualizando o julgamento e destacando a gravidade do crime. Ele agradeceu a atuação conjunta com a promotora Andreia e ressaltou o papel do Conselho de Sentença.

“Hoje estamos aqui para julgar Rodrigo e Romero pelo crime brutal cometido contra Raquel”, afirmou.

 

O promotor enfatizou que o objetivo da acusação é demonstrar aos jurados a responsabilidade penal dos réus pelos fatos descritos na denúncia. Durante a sustentação, o Ministério Público anunciou o pedido de condenação de ambos pelo crime de homicídio com quatro qualificadoras e, em relação a Rodrigo, também pelo crime de furto. Segundo a acusação, Raquel foi morta de forma brutal, sem qualquer possibilidade de defesa.

 

Às 16h48, o promotor voltou a criticar a versão apresentada por Romero ao longo do julgamento.

“Quem só ouvir a versão do Romero sai com ele aqui abraçado”, disse, ao sustentar que o relato do réu não se sustenta diante do conjunto de provas reunidas no processo.

 

O Ministério Público afirmou que a atuação no plenário busca justamente desconstruir essa narrativa, considerada incompatível com os elementos probatórios.

 

Durante a fala, o promotor também fez questão de reconhecer a importância da defesa técnica no Tribunal do Júri.
“Esse julgamento só está sendo feito porque existe defesa técnica. Sem defesa, não há julgamento”, declarou.

 

Ele reforçou ainda que o pedido de condenação não surgiu apenas nesta fase do julgamento, mas acompanha o processo desde o início das investigações.

Durante a sustentação oral, o promotor exibiu aos jurados uma foto de Raquel sorrindo e pediu que essa fosse a imagem lembrada ao final do julgamento, afirmando que a acusação não quer que a vítima seja recordada pelas cenas do crime. Ele destacou a vulnerabilidade da jovem no momento do ataque, ocorrido dentro de casa, e classificou o homicídio como covarde e brutal.

 

O Ministério Público também esclareceu por que o caso demorou a chegar a julgamento, explicando que o tempo decorre do rito legal e dos recursos das defesas, e não de inércia do Judiciário. O promotor detalhou as fases do processo e ressaltou que a pronúncia dos réus ocorreu em pouco mais de 5 meses.

 

Na sequência, a acusação apresentou a cronologia do crime, desde a separação do casal até o homicídio. Foi destacada a reaproximação entre os irmãos Romero e Rodrigo, em julho de 2024, apontada como um marco decisivo e tecnicamente comprovado para a execução do crime.

Durante a sustentação oral, o Ministério Público apresentou provas técnicas para mostrar quando Romero e Rodrigo retomaram contato, após anos afastados. Segundo a acusação, mensagens extraídas do WhatsApp, datadas de 4 de julho de 2024, confirmam a reaproximação entre os irmãos e reforçam os depoimentos colhidos em plenário. 

 

Avançando na cronologia, o promotor afirmou que, na véspera do crime, em 17 de julho, Romero teria oferecido a Rodrigo um “serviço”, pagando R$ 4 mil para que ele executasse o assassinato de Raquel. A acusação destacou que as mensagens indicariam planejamento e união de vontades entre os dois. 

 

O Ministério Público também apontou que Romero enviou fotos e vídeos no grupo de WhatsApp da família momentos antes e durante o período do crime, com o objetivo de simular normalidade e afastar suspeitas. Entre os registros, estariam imagens das crianças brincando e cenas do cotidiano. 

 

Ainda, às 17:16, a acusação ressaltou que relatórios técnicos mostram que Raquel recebeu mensagens até às 20h16 do dia 18 de julho, indicando que ela estava viva e usando o celular poucos minutos antes do ataque, o que ajudaria a delimitar com precisão o horário do crime. O promotor ainda exibiu um vídeo de uma vizinha e amiga da família, horas após o crime, confrontando Romero, sobre a autoria do assassinato. 

Durante a sustentação oral, o promotor ressaltou a brutalidade do crime ao comentar as imagens do local onde Raquel Cattani foi encontrada. Segundo a acusação, a vítima permaneceu caída no chão por horas após sofrer vários golpes, e foi a própria mãe quem encontrou o corpo na manhã seguinte.

 

O Ministério Público reforçou que não se trata de um crime comum e que o caso exige responsabilização dos réus.

 

Na sequência, destacou a força das provas técnicas, especialmente a evidência genética encontrada no banheiro da casa. Conforme o promotor, a urina coletada na tampa do vaso sanitário apresentou perfil genético masculino compatível exclusivamente com o réu Rodrigo, sem possibilidade de pertencer a outra pessoa.

O promotor destacou ainda que a vítima sofreu antes de sua morte, pontuou ainda que o laudo pericial identificou 40 ferimentos de faca no corpo de Raquel, além de diversas escoriações, o que reforça a tese de crime cometido com extrema violência e meio cruel.

Mais informações em instantes…

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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