
Durante celebração na Paróquia Divino Espírito Santo, o arcebispo de Cuiabá, Dom Mário, fez um apelo em defesa da saúde pública e do futuro da Santa Casa de Misericórdia, na Capital. O hospital, que atualmente é gerido pelo Estado, tem sido alvo de discussões e debates, pois deve ser desativado até o fim deste ano . O arcebispo pediu que os gestores públicos evitem o fechamento da unidade de saúde.
“Nós rezamos aqui na Paróquia Divino Espírito Santo pela saúde de toda a nossa população e também pelos locais que tratam a saúde do nosso povo, sobretudo os hospitais, as clínicas e também a Santa Casa de Misericórdia, a Santa Casa que a gente chamava de Misericórdia”, disse Dom Mário.
Não é de agora que o destino da Santa Casa vem sendo discutido. O secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, já anunciou que o hospital deverá ser desativado assim que o Governo inaugurar o Hospital Central, mas o prédio ainda segue sem destinação oficial. O edifício foi posto a leilão pelo Tribunal Regional do Trabalho para quitar uma dívida trabalhista milionária.
O arcebispo pediu responsabilidade e compromisso dos gestores públicos para evitar o fechamento da unidade . Segundo ele, a Santa Casa é essencial não apenas pelo seu valor histórico, mas pela demanda da comunidade por atendimento de qualidade.
“O que a gente espera? Que os nossos governantes, os responsáveis, possam tratar dessa questão da Santa Casa com muito cuidado, pensando no bem da população, na necessidade de ambientes onde cuida da saúde do nosso povo, que realmente as tratativas possam se encaminhar para o não fechamento deste local, não só por memória e tradição, mas por necessidade de saúde com qualidade da população de Cuiabá e região”, afirmou.
Montagem
O imbróglio
A Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá fechou as portas em março de 2019, após enfrentar uma grave crise financeira que deixou centenas de empregados sem salários por cerca de sete meses. Em maio do mesmo ano, o Governo do Estado assumiu as instalações da Santa Casa, por meio de uma requisição administrativa, e a estrutura passou a funcionar como unidade estadual de saúde. Desde então, o Executivo estadual já repassou cerca de R$ 26 milhões pelo uso do prédio, valor utilizado para quitar parte dos salários atrasados e outras verbas devidas aos ex-empregados.
Apesar disso, o montante não foi suficiente para liquidar integralmente a dívida trabalhista. Atualmente, o Estado paga um aluguel mensal de pouco mais de R$ 461 mil pelo uso do prédio, valor referente a 2024.
Agora, o complexo será vendido em leilão para dar continuidade à execução trabalhista que envolve 860 processos e uma dívida inicial superior a R$ 50 milhões. Após o procedimento de unir todas as execuções no TRT, 384 processos já foram quitados com o pagamento de cerca de R$ 7,3 milhões, enquanto outros 476 processos ainda aguardam pagamento, somando cerca de R$ 43,7 milhões.
O Governo do Estado irá desativar a unidade assim que o Hospital Central for concluído e entregue, até o fim deste ano. O imbróglio está em encontrar alguém que queira assumir a Santa Casa, e, consequentemente, suas dívidas, já que o hospital virou um problema empurrado para todos os lados – e que ninguém quer segurar. O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), cogitou assumir a gestão, desde que o Estado assumisse a dívida, alternativa que foi negada por Mauro Mendes mais de uma vez. Deputados, prefeitura e Governo se reuniram para debater soluções, mas não chegaram a nenhuma alternativa viável até o momento.
No mês passado, Mauro descartou de vez a possibilidade de continuar a gestão da Santa Casa e reforçou, mais uma vez, que em setembro será encerrado o contrato de aluguel do prédio. Além disso, Mauro avalia doar os equipamentos da Santa Casa para Prefeitura de Cuiabá.
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