
Rodinei Crescêncio/Thaís Fávaro
Vereadoras Maysa Leão (Republicanos) e Michelly Alencar (União); parlamentares puxam o coro e pedem andamento de processo na Comissão de Ética
As vereadoras Maysa Leão (Republicanos) e Michelly Alencar (União) criticaram a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Cuiabá e afirmaram que houve inércia quanto ao pedido de investigação contra o vereador Paulo Henrique (MDB), por suposto envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro para facções criminosas. Para as parlamentares, já houve quebra de decoro. Paulo Henrique foi preso na manhã desta sexta (20) na Operação Pubblicare, desencadeada pela Polícia Federal.
“Temos que entender que a Câmara faz um julgamento político e politicamente não dá para dizer que não existe quebra de decoro, quando você está sendo investigado por alinhamento com facções criminosas.
Então eu espero que agora seja tomada as providências que eu pedi lá em Junho”, disse.
Maysa, Michelly e outros vereadores da oposição protocolaram em junho deste ano o pedido de abertura de investigação. Na manhã de hoje, após a prisão do parlamentar, colegas vereadores se reuniram e protocolaram novo pedido de investigação e cobraram o andamento do processo que se encontra parado na Comissão de Ética. Maysa defende que o inquérito deveria ter sido aberto antes de Paulo Henrique ser preso.
“Nós protocolamos em junho um pedido de providências e a Comissão de Ética ficou inerte esse tempo todo. Para que serve um inquérito dentro de uma comissão de ética? Para apurar denúncias. O inquérito não é condenação. O presidente [da Comissão Ética, vereador Rodrigo] disse que eles precisaram estudar primeiro o processo, passaram 45 dias estudando o processo, que agora seria aberto realmente o procedimento ético. Eu discordo, teria que ter sido aberto antes do vereador ser preso”, criticou.
Segundo Maysa, os vereadores que protocolaram o pedido farão uma manifestação, nesta manhã, e vão reforçar o pedido. Estavam presentes os parlamentares Maysa Leão (Republicanos), Sargento Joelson (PSB), Michely Alencar (União Brasil), Demilson Nogueira (PP), Dilemário Alencar (União-Brasil), Dr. Luiz Fernando (União Brasil) e Rogério Varanda (PSDB).
“O vereador [Paulo Henrique] ainda está no grupo de vereadores, ele deveria ser retirado do grupo. Quando conseguir sanar todas as dúvidas a respeito da sua idoneidade de não estar ligado ao que está sendo investigado, aí ele volta”, afirmou.
A parlamentar comparou ainda com a cassação da vereadora Edna Sampaio (PT), afirmando que houve diferenciação na conduta.
“Existem hoje dois procedimentos protocolados, que é o procedimento de abertura de Comissão de Ética para o Vereador Marcrean e o procedimento de abertura para o Vereador Paulo Henrique. Esses procedimentos estão durando uma eternidade para serem abertos, porque tem 90 dias de rito. A Vereadora Edna, que eu não estou aqui defendendo porque ela foi cassada corretamente por apropriação indébita, mas o procedimento dela foi célere, foi na velocidade da luz. Então agora a Câmara precisa dar uma resposta e essa resposta é responsabilidade da Comissão de Ética”, afirmou.
A vereadora Michelly Alencar reforçou que não há omissão de todos os vereadores, visto que a oposição segue pressionando pela abertura de investigação e processo de cassação.
“Quando surgiu a primeira operação (Ragnatela) envolvendo o nome do Paulo Henrique, ele não tinha sido indiciado, nem tinha sido preso, nós já protocolamos um documento em conjunto na comissão de ética para que o vereador iniciasse um processo de cassação. No processo de cassação, ele tem a oportunidade de se defender, tem a oportunidade de levantar inclusive todos os documentos já investigados na polícia, documentos oficiais. A Comissão de Ética tem esse poder de requerer todo o processo”, explicou.
A parlamentar também afirmou entender que ter o nome citado numa operação que trata de crime organizado e lavagem de dinheiro é quebra de decoro.
“Vimos por muito menos outros vereadores serem cassados. Agora com a prisão dele pela Polícia Federal, obviamente a nossa postura é que ele deve imediatamente ser afastado da casa e ter o processo de cassação dentro de todo o processo legal, tem que dar toda a celeridade necessária que o fato merece”, concluiu.
Pedido de cassação
O procurador da Câmara Municipal de Sapezal, Juliano Rafael Teixeira Enamoto, protocolou uma representação na manhã desta sexta, pedindo a cassação do vereador Paulo Henrique por quebra de decoro.
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