Vereadores citam interesse político e base frágil em pedido de afastamento do prefeito

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O parlamento cuiabano reagiu negativamente diante do requerimento de instauração de Comissão Processante contra o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL),  protocolado pelo ex-vereador Robinson Cireia (PT) e o suplente de vereador Léo Rondon (PT), na terça-feira (26). Para grande parte dos vereadores da base governista, o pedido é de cunho político e não avançará na Câmara.

 

Ainda na terça-feira, poucas horas antes do requerimento ser protocolado, o líder do governo na Casa, vereador Dilemário Alencar (União) afirmou que a medida era mera provocação por parte dos suplentes do PT, servindo como cortina de fumaça e impondo narrativas sobre os 8 meses da gestão Brunini em Cuiabá.

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“O PT quer um terceiro turno, então é natural que eles queiram provocar. Não se conformam com a varrida que o PT levou nas eleições de 2024. É apenas cortina de fumaça, querem ter um terceiro turno e não vai ter. É uma turma unida, Lúdio com Emanuel Pinheiro, eles estão juntos e tentam criar cortina de fumaça”, disparou Dilemário.

A presidente da Casa, Paula Calil (PL), disse que não tinha conhecimento do pedido até então, mas que, uma vez protocolado, seguiria o rito comum de todo requerimento no Legislativo. Uma vez acatado, seria votado em plenário.

 

“Eu não tive acesso ainda, fiquei sabendo pela imprensa. Já pedi para fazer averiguação. Não temos o teor, o que coloca no pedido. Vamos observar”, alegou Paula.

Daniel Monteiro (Republicanos), pontuou que, enquanto membro da Comissão de Constituição Justiça e Redação (CCJR), deseja analisar o pedido do PT, mas explicou que é preciso um bom embasamento jurídico para tramitação, caso contrário, será tempo perdido.

“Quando olhamos um pedido de impeachment, precisa de uma base jurídica. Acho que é um pedido que não vai dar resultado na Casa. Ele não tem uma base solidificada. Não tem chance nenhuma do pedido prosperar. Sei que o pedido será analisado, depois embasaremos o parecer jurídico”, finalizou.

Michelle Alencar (União Brasil) foi mais breve e rechaçou o pedido de impeachment. “Eu penso que não vai prosperar. É um ato político”, cravou.

Como mostrou o , o documento apresentado pelos petistas e encaminhado ao Protocolo da Casa de Leis afirma que o prefeito feriu o Estatuto de Criança e do Adolescente (ECA) ao expor menores durante um evento na Escola Estadual Alice Fontes. Na ocasião, ele gravou um vídeo enquanto questionava cálculos aos estudantes e debochava da resposta errada.

Enquanto protocolavam a denúncia, Robinson afirmou que as ações do prefeito são inaceitáveis diante da falta de responsabilidade e maturidade. Segundo ele, ao gravar e expor os menores, o gestor os expõe a situação vexatória na escola e internet.

 

“Quando você nota uma criança com dificuldades no aprendizado, você não expõe ela para a sociedade. Você chama ela e você educa. Nós, professores, não podemos fazer isso. O que eu vou fazer com ela? Vou ridicularizar para os alunos? Vou expor na minha rede social? E isso é feito pelo prefeito. Como que ele faz isso? Como que ele mantém isso? Isso é inaceitável”, destacou o parlamentar.

Léo Rondon, por sua vez, foi mais enfático e acusou o prefeito de praticar um “linchamento público” contra as crianças.

Rondon mencionou que, no requerimento de abertura de processo, há prints de comentários nas redes sociais do prefeito que corroboram a acusação. Ele fez um apelo à Câmara de Cuiabá para investigar o caso.

“Cabe destacar que o prefeito feriu o Código de Ética da Prefeitura de Cuiabá com a publicação que fez. Aquilo é um linchamento público contra crianças. A legislatura da Câmara de Cuiabá tem a oportunidade de dizer para a população cuiabana se vai continuar ou não sendo a casa dos horrores. Porque, infelizmente, quem está na cadeira de prefeito transformou o Palácio Alencastro no Palácio dos Horrores. E é por isso que a gente está aqui protocolando isso, para que a instituição competente de fiscalizar os atos do prefeito dê sua posição à sociedade cuiabana”, finalizou.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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