
Vereadores por Cuiabá demonstram cautela ao comentar pedido de abertura de Comissão Processante feito pelo ex-juiz federal Julier Sebastião da Silva contra o vereador Chico 2000 (PL), que busca a sua cassação por suposto elo com esquema de recebimento de propina para auxiliar na aprovação de projeto relativo ao parcelamento de dívidas. Documento foi lido na sessão de hoje e é avaliado pela Procuradoria do Legislativo.
A vereadora Michelly Alencar (União) reflete que o fato de apenas Chico ter sido acionado por Julier abre a possibilidade de possível seletividade, mas que apenas o jurista poderá esclarecer. Filiado ao PT, o ex-juiz advogou para a ex-veredora Edna Sampaio (PT), que foi cassada à época em que o liberal era presidente do Legislativo.
“Ele fez a denúncia como cidadão, pode fazer para os dois [Chico e Sargento Joelson], pode fazer para um, mas já fica assim, deixa esse comprometimento. Será que porque ele [Julier] defendia a Edna, Chico era presidente na época, ele quer dar o troco? Não sei dizer, fica essa pergunta no ar. Mas eu acho que a gente precisa validar o trabalho da polícia e ter cautela para a gente não errar, como sempre tivemos em todos os outros casos”, pondera Michelle. Edna foi cassada por suposto crime de apropriação indébita da verba indenizatória (VI) da sua ex-chefe de gabinete Laura Abreu.
Secom
Chico e Joelson, por sua vez, são investigados em inquérito, no âmbito da Operação Perfídia, deflagrada na semana passada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), por sobre suposto esquema que envolveria as obras do Contorno Leste. Questionado sobre o pedido feito apenas contra Chico, Demilson Nogueira (PP) evita aprofundar a sua opinião, mas dispara: É retaliação.
Rafael Ranalli (PL), por sua vez, voltou a defender as investigações da Polícia Civil e amplo espaço de defesa, mas critica a representação apresentada pelo ex-juiz federal por não ter, aparentemente, o devido embasamento. “Foi só tirado prints [de notícias] às pressas. Então, acredito que essa representação em específico não vá vingar”, comenta.
Presidente da Comissão de Ética, Luiz Magalhães (Republicanos), também vê seletividade na representação de Julier porque não foi apresentada nenhuma representação contra Joelson. “Apesar disso, pondera que o caso agora está na mão da Procuradoria da Câmara. Questionado vê uma possível vingança contra o ex-presidente, Luiz Magalhães diz que não pode afirmar, mas que é um “tanto estranho direcionar para um e não para o outro, para os dois no caso, que caberia no que diz respeito a isso. Acho que pode até prejudicar a deliberação, mas não vou fazer juízo pessoal a respeito, não sei qual problema pessoal existe entre os dois e não vou entrar no mérito”, finaliza.
Caso
Na semana passada a Polícia Civil deflagrou a operação que teve entre os alvos os vereadores Joelson e Chico 2000, que foram afastados dos cargos. Eles são suspeitos de receber R$ 250 mil de propina para aprovação de um projeto na Câmara que favoreceria a empresa HB Construções Eireli.
Conforme relatório da Polícia Civil, há prints de conversas entre Joelson e João Jorge Catalan Mesquista, funcionário da empresa HB Construções Eireli, que teria pago as vantagens ilícitas. Em uma das falas, o parlamentar menciona o nome de Chico. Os dois vereadores negam as acusações.
Segundo a Polícia Civil, a investigação começou no ano passado, após denúncia de que os dois vereadores teriam solicitado propina a um funcionário da empresa responsável pela execução das obras do Contorno Leste para a aprovação de matéria legislativa que possibilitou o recebimento de pagamentos devidos pelo Município no ano de 2023.
Além de mandados de busca e apreensão, a magistrada determinou a quebra do sigilo de todo o conteúdo armazenado nos celulares de Joelson e também de Chico, que é advogado. Entre as 27 ordens judiciais também estão o sequestro de bens, valores e imóveis em desfavor de cinco investigados.
Empresa nega acusações
Por meio de nota, a HB20 Construções nega ter autorizado qualquer tipo de negociação direta ou indireta relacionada a “repasse ilícitos”, sustentando que sempre foi pautada pela “transparência, legalidade e regularidade contratual com o Poder Público”.
“Repudiamos qualquer tentativa de manipulação ou distorção de fatos para criar narrativas que sirvam como cortina de fumaça para acobertar desvios de conduta individuais. A empresa não se submeterá a pressões, chantagens, extorsão ou insinuações levianas”, frisou.
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