
O Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), grupo operacional permanente formado pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), elaborou um organograma detalhando um esquema em fraude de licitações em Mato Grosso, supostamente liderado pelo empresário Edézio Corrêa, que contaria com a ajuda de mais cinco parentes para manter o funcionamento das contratações irregulares. As investigações são realizadas no âmbito da Operação Gomorra e apontam contratos suspeitos com mais de 100 prefeituras e câmaras de vereadores de Mato Grosso.
Edézio, conforme o Naco, seria sócio oculto das empresas investigadas. Ele já havia sido denunciado pelo MPMT na Operação Sodoma , que apurou esquema de pagamento de propina da gestão do ex-governador Silval Barbosa.
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Conforme organograma, a esposa de Edézio, Tayla Beatriz Silva Bueno Conceição, seria sócia da empresa Pontual Comércios e Serviços Terceirizados, citada na operação.
Consta ainda o envolvimento de três sobrinhos de Edézio, sendo Roger Correa Silva, apontado como sócio ativo na Pantanal Gestão Tecnologia; Waldemar Margil Correa Barros, que surge com ex-sócio da Pantanal e de outra empresa, a Saga Comércio e Serviço Tecnologia; e Janio Correa da Silva, que seria sócio Centro América Frotas.
No quadro da Centro América, aparece como ex-sócia a irmã de Edézio, Eleide Marua Correa. Ela é sócia ativa na Saga, e mãe de Waldemar.
O organograma ainda aponta ainda o envolvimento de outro alvo, Karoline Quatti Moura. O esquema aponta registro de transferências bancárias dela e de sua empresa, Karoline Quatti Moura EPP, para a Saga, no montante de mais de R$ 8 milhões. Os valores expressivos não batem com declaração feita por ela, o que chamou a atenção do Naco.
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Início das investigações
Conforme o Naco, a identificação do esquema ocorreu a partir de análise de todos os processos licitatórios homologados pela Prefeitura de Barão de Melgaço com a empresa Centro América Frotas no período de 2020 até os dias atuais.
Foi verificado, durante a investigação, que outras empresas que haviam participado dos certames tinham como sócios pessoas do mesmo núcleo familiar do proprietário da empresa Centro América Frotas. Além disso, algumas delas sequer possuem atividade empresarial em funcionamento.
As empresas, segundo o Naco, atuavam desde o fornecimento de combustível, locação de veículos e máquinas, fornecimento de material de construção até produtos e serviços médico-hospitalares. O Naco estima que o grupo criminoso firmou mais de R$ 1,8 bilhão em contratos somente em Mato Grosso.
A análise dos contratos, segundo o Naco, também demonstrou diferenças exorbitantes de valores em contratações semelhantes. Em um dos casos, houve um aumento de mais de nove milhões em contratações realizadas nos anos de 2021 e 2022.
Alvos
Edézio e seus cinco parentes foram presos na Operação Gomorra. Além deles, a prefeita de Barão do Melgaço, Margareth de Munil (União), foi alvo de mandado de busca e apreensão. Agentes estiveram ainda na sede do Executivo municipal.
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