
Trabalhadores e acadêmicos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) realizaram um protesto nas ruas de Cuiabá, contra a escala 6×1. A manifestação ocorreu na manhã desta sexta-feira (15), feriado da Proclamação da República. A concentração foi na Praça Ipiranga e os manifestantes percorreram o centro da Capital, pedindo o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho, discussão que está sendo feita nas últimas semanas por causa de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que quer diminuir a carga horária de 44 horas semanais de trabalho, onde o profissional trabalha por seis dias e folga em apenas um.
O suplente a vereador eleito por Cuiabá, Leo Rondon (PT), publicou sua participação nas manifestações nas redes sociais, assim como o Diretório Central dos Estudantes da UFMT (DCE). Vídeos que circulam na internet mostram os manifestantes andando e cantando: “venha você, seja mais um, contra a escala 6×1”. Outras duas canções usadas pelos manifestantes foram: “Trabalhador, venha lutar, a 6×1 tem que acabar” e “se não pode com a formiga, não atiça o formigueiro”.
“Precisamos de uma vida digna para cuidar de nós mesmos e termos tempo de cuidar das nossas famílias. Porque quem defende a família de verdade, quer comida na mesa das famílias, quer que as famílias tenham seu teto, as crianças na creche. Quer que a família tenha oportunidade de conviver, porque existe vida além do trabalho”, disse Leo Rondon utilizando um microfone em meio aos manifestantes.
Manifestações contra a escala 6×1 são realizadas em várias cidades do país nesta sexta, como Brasília (DF), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE), Vitória (ES), Florianópolis (SC) e Manaus (AM).
Na quinta-feira (14) a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat) declarou apoio à proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, em suas redes sociais, e afirmou que a redução da carga horária dos trabalhadores é uma garantia de tempo para estudar, se divertir e estar com a família “para que a vida seja mais do que apenas trabalhar”.
“Historicamente, qualquer avanço que beneficia os trabalhadores foi tratado como um obstáculo ao desenvolvimento econômico. Por isso, apoiamos a PEC proposta pelo Movimento VAT, que propõe a redução da carga horária de trabalho pela Constituição, além de defender a revogação da Reforma Trabalhista e da Reforma da Previdência. Para isso acontecer, é preciso uma forte mobilização dos trabalhadores e de todos os setores da sociedade!”, diz trecho da publicação.
PEC 6×1
A discussão polêmica ganhou proporção nos últimos dias após a Proposta de Emenda Conscitucional (PEC) que possibilita a mudança na jornada de trabalho semanal e fim da escala de trabalho 6×1, da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Hoje, a carga horária estabelecida pelo artigo 7º da Constituição Federal assegura ao trabalhador um expediente de até oito horas diárias e 44 horas semanais. O texto inicial da PEC sugere que o limite caia para 36 horas semanais, sem alteração na carga máxima diária de oito horas e sem redução salarial. Isso permitiria que o país adotasse o modelo de quatro dias de trabalho.
O debate vem dividindo opiniões: empregadores e empresários são contra a mudança, que é defendida com afinco pelos trabalhadores. A PEC recebeu nessa quarta-feira (13), o número necessário de assinaturas para ser protocolada na Câmara dos Deputados. Para se tornar uma matéria em tramitação na Câmara, a proposta precisava de, no mínimo, 171 assinaturas de apoio, parcela do total de 513 deputados. Como ainda está no início, a proposta ainda deve passar por longos debates e alterações, correndo o risco de ser engavetada, como aconteceu com outras proposituras parecidas desde 2001.
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