
Com tom de desabafo, a vice-prefeita de Cuiabá, Vânia Rosa, lamentou que o combate à violência doméstica receba maior atenção apenas em março, durante o mês da mulher, e em agosto, no período do Agosto Lilás, enquanto a realidade de milhares de vítimas permanece presente todos os dias.
Em entrevista ao , a vice-prefeita, que lidera um projeto voltado ao combate à violência doméstica em faculdades privadas e públicas da capital, mesmo com estrutura limitada de gabinete e falta de orçamento, reforçou que a prevenção é o caminho mais eficiente para reduzir os índices alarmantes de feminicídio e agressões.
Saindo de um março sangrento, que vitimou cerca de cinco mulheres justamente no mês marcado pelo Dia Internacional da Mulher, Vânia avaliou que o saldo das políticas de enfrentamento ainda está muito abaixo do necessário em Mato Grosso. Para ela, o foco precisa ser permanente, e não restrito a campanhas sazonais.
“Estou trabalhando focada no meu projeto de enfrentamento à violência doméstica. É uma pena que apenas em março e agosto as pessoas procuram muito falar sobre isso e em razão do mês da mulher e da campanha do Agosto Lilás. Eu acredito que o papel da prevenção é essencial pra esse enfrentamento, para a diminuição desses dados tão horrendos. Mas, eu não paro de falar disso dia nenhum”, disse.
Segundo ela, ainda há um erro grave na forma como o tema é tratado socialmente: só se reage quando a tragédia já aconteceu.
“Muitas vezes, trabalhar só a penalidade e tratamento para com a vítima, isso nunca foi prevenção e nunca vai ser. A gente tá só cuidando dos mortos e feridos, como se diz”, completou.
Para Vânia, prevenção significa educação, conscientização e fortalecimento emocional.
“Prevenção é educação, é conscientização, é a gente conseguir filtrar ao máximo a mente, sabe. O que acontece na mente do ser humano e trazer à luz da consciência”, pontuou.
O projeto “Do Silêncio Privado à Voz Pública”, iniciativa idealizada por Vânia e que percorre universidades públicas e privadas, promovendo palestras e debates sobre violência doméstica e violência política contra mulheres.
O objetivo, conforme explicou, é ampliar o diálogo com a sociedade, especialmente com jovens, e construir uma cultura de respeito e atenção aos sinais que antecedem episódios graves.
Ela ainda destacou que, em muitos casos, a violência surge em momentos de crise emocional, separações e conflitos que se tornam gatilhos para agressões. Por isso, defende que a sociedade esteja preparada para lidar com essas situações de forma mais humana e inteligente.
“Uma separação não é um beco sem saída, sabe. Essas violências que acontecem em razão disso têm que ser mais emocionalmente tratadas”, afirmou. “E a gente consegue prevenir isso com inteligência emocional”.

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