
O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) repudiou o crime cometido por um policial contra um jovem em Colniza (1065 km a Noroeste de Cuiabá) e questionou o uso de armas por pessoas que atuam na educação. Por meio de nota, sindicato argumentou que muitas das pessoas que trabalham em escolas militares não têm o preparo para a função educacional.
O acusado de assassinato Elias Ribeiro da Silva, 54, é policial militar aposentado e atuava como diretor da Escola Estadual Militar Tiradentes. Após o crime, a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) o afastou do cargo.
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De acordo com a nota, o Sintep tem preocupação com escolas militares pelo fato dos profissionais contratados, muitas vezes, serem agentes militares sem qualificação para lidar com educação e com porte de armas permitido. Dessa forma, existe a possibilidade de estarem armados dentro do ambiente escolar.
“É alarmante observar casos em que indivíduos ligados à educação pública militarizada se envolvem em atos criminosos, o que reflete a crescente banalização dos princípios educacionais. A escola deve ser um espaço de aprendizado, acolhimento e resolução pacífica de conflitos, não um local onde o autoritarismo e a força armada prevaleçam”, diz trecho da nota.
Por fim, o Sintep destaca que os casos de violência podem aumentar nesses ambientes e apresentou exemplos de casos violentos ocorridos em diversos municípios do país.
Relembre o caso
O jovem Claudemir Ribeiro Sá, 26, foi assassinado a tiros em um bar na noite de domingo em Colniza. O autor do crime, diretor de escola cívico militar e policial aposentado, fugiu após realizar os disparos, mas foi preso preventivamente na madrugada. Na segunda-feira (25) ele teve a prisão preventiva decretada e foi exonerado do cargo. Reprodução
Claudemir Sá Ribeiro, Elias Ribeiro da Silva e imagens das câmeras de segurança na noite do crime
Informações iniciais apontaram que o crime foi motivado por ciúmes de mulheres que saíram da mesa de bar do assassino e foram até a mesa da vítima.
A vítima, Claudemir, ficou conhecida em Mato Grosso há 6 anos, em 2019, quanto tinha 20 anos e construiu a réplica de um avião usando materiais descartados. Na época, a reportagem do contou a história, veja aqui .
Leia a nota do Sintep na íntegra
Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) lamenta profundamente a morte brutal ocorrida em Colniza, quando um jovem de 26 anos foi alvejado a tiros e morto a queima-roupa por um membro da gestão escolar de uma escola cívico-militar, policial da reserva. A tragédia ocorreu em um bar, mas poderia ter acontecido em qualquer outro ambiente onde uma pessoa armada e sem controle emocional assume o papel de justiceiro.
É alarmante observar casos em que indivíduos ligados à educação pública militarizada se envolvem em atos criminosos, o que reflete a crescente banalização dos princípios educacionais. A preocupação do Sintep-MT com a militarização das escolas se reforça diante desse episódio, pois evidencia os riscos da presença de agentes armados na gestão escolar. A escola deve ser um espaço de aprendizado, acolhimento e resolução pacífica de conflitos, não um local onde o autoritarismo e a força armada prevaleçam.
O envolvimento de um policial militar da reserva, ocupando o cargo de diretor de uma escola cívico-militar, em um ato de extrema violência ilustra um modelo que a sociedade não pode aceitar como referência para a educação. O Sintep-MT reitera seu alerta sobre o retrocesso representado pela inserção de membros das forças de segurança na administração escolar, uma medida que, longe de garantir ordem e disciplina, expõe estudantes e profissionais ao risco de situações de violência.
O crime registrado em Colniza reafirma que conflitos são inerentes às relações humanas, mas, se ocorridos no ambiente escolar, devem ser resolvidos com critérios pedagógicos, e não militares. A presença de pessoas armadas em escolas aumenta o perigo de que confrontos cotidianos sejam resolvidos de forma violenta, em vez de serem mediados pelo diálogo e pelo ordenamento jurídico. Esse cenário é prejudicial principalmente para os estudantes, que podem sofrer impactos psicológicos graves ao conviverem em um ambiente regido pela força e não pela educação.
Casos emblemáticos e denúncias
Nos últimos anos, diversos episódios demonstram os riscos do modelo cívico-militar:
• Março de 2024 (Paraná): Um aluno foi esfaqueado por um colega no banheiro do Colégio Cívico-Militar Frentino Sackser (FOLHAEXTRA, 2024).
• Janeiro de 2022 (Paranavaí, PR): Um policial militar da reserva, atuando como monitor, foi investigado por assediar sexualmente alunas (G1 PARANÁ, 2024).
• 2020-2024 (Paraná): Sete denúncias de abuso sexual em colégios cívico-militares foram registradas (PLURAL.JOR, 2024).
• 2023 (São Paulo): O processo de militarização em escolas públicas foi associado a casos de violência envolvendo a PM (DIÁRIO DIPLOMÁTICO, 2024).
• Julho de 2023 (Brasil): Escolas cívico-militares foram marcadas por abusos de autoridade, como proibição de bonés e corte de cabelo coercitivo (BRASIL DE FATO, 2023).
• 2024 (Curitiba, PR): Estudantes denunciaram práticas abusivas, comparando o ambiente escolar a uma “prisão” (APPSINDICATO, 2024).
• Março de 2025 (Paraná): Brigas generalizadas e disparos de arma em frente a colégios foram registrados, sem intervenção militar (APPSINDICATO, 2024).
• 2024 (Nacional): Atividades pedagógicas foram substituídas por cantos com versos de ódio em escola cívico-militar (TERRA, 2024).
Documentação e apelos
O Dossiê do Observatório de Escolas Militarizadas (2021) detalha violações como agressões, racismo e repressão excessiva em instituições do Paraná. Relatos de assédio sexual em Francisco Beltrão (PR) e agressões físicas em Imbituva (PR) reforçam a urgência de revisão desse modelo.
O Sintep-MT reafirma que a educação pública deve ser conduzida por profissionais qualificados, selecionados por concurso, e não por agentes militares. A tragédia em Colniza e os casos citados deixam claro que a gestão escolar deve priorizar o diálogo, a mediação pedagógica e o respeito aos direitos humanos, garantindo que a escola seja um espaço seguro para todos.
Cuiabá, 25 de março de 2025
Direção do Sintep-MT
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