
O presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), Paulo Bellincanta, avalia que a confirmação das tarifas de 50% sobre a carne terá impacto imediato no mercado porque hoje 12% do volume exportado é direcionado aos Estados Unidos. Apesar disso, principalmente em Mato Grosso, acredita que as 43 plantas vão conseguir se reorganizar e mitigar os reflexos negativos.
“Creio que não haverá demissões de colaboradores nos frigoríficos em decorrência da taxação americana. No caso de Mato Grosso, poderão ocorrer, são férias coletivas, mas somente no período necessário para equilíbrio entre oferta e procura, nada além disso”, afirma.
Reprodução
Bellincanta pondera ainda que o setor já vinha buscando alternativas e que sofre os reflexos desde que o presidente dos Estados Donald Trump anunciou que iria promover o tarifaço. “O grande problema é que 12% de volume de exportação, no atual momento do mercado, é um número muito elevado para o preço ser ajustado em pouco tempo”, ressalta, numa referência a busca por novos mercados para a carne brasileira.
Em meio às incertezas e negociações conduzidas pelo governo brasileiro, o presidente Sindifrigo-MT avalia que, de imediato, os americanos vão sentir o aumento do preço, o que pode garantir uma pressão do mercado interno em favor do Brasil. “Então, lá na frente, temos alguma esperança de negociarmos esta taxa”.
Exportações
Conforme dados divulgados pelo Sindifrigo-MT, Mato Grosso exportou 371,7 mil toneladas de carnes bovina, suína e de aves no primeiro semestre de 2025, um crescimento de 5,46% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são do Centro de Dados Econômicos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), com base nas informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Setor gera aproximadamente 30 mil postos diretos e quase 100 mil indiretos em toda a cadeia produtiva. Assessoria
Paulo Bellincanta, presidente do Sindifrigo-MT
No segmento da carne bovina, foram exportadas 307,4 mil toneladas, o que representa uma alta de 6,1% em comparação ao primeiro semestre de 2024. A China lidera como principal destino da proteína, com 48% do volume embarcado e movimentação de US$ 719 milhões, seguida por Estados Unidos, Chile, Rússia e Egito.
A carne suína também apresentou crescimento: as exportações passaram de 13,7 mil para 15,5 mil toneladas, aumento de 12,5%. Filipinas, China, Hong Kong, Vietnã e Albânia compõem os principais mercados compradores.
Já as exportações de carne de aves sofreram leve retração de 0,62% no volume, mas mantiveram desempenho expressivo em faturamento, com destaque para Arábia Saudita (US$ 38 milhões), China (US$ 16 milhões) e Japão (US$ 9,6 milhões) como principais destinos.
Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os Estados Unidos foram destino de apenas 1,1% das exportações totais de Mato Grosso no primeiro semestre de 2025. Percentual se refere a tudo que o Estado exporta – como por exemplo soja, milho e algodão.
Tarifaço
Ao oficializar o tarifaço, Donald Trump deixou de fora das medidas quase 700 produtos como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e peças, fertilizantes e produtos energéticos. Por outro lado, foram impostas sanções pesadas em setores como o de café, carne bovina e frutas. Conforme projeções iniciais, as exceções do tarifaço de Trump representam 43% do valor total das exportações do Brasil para os EUA.Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

Faça um comentário