
Rodinei Crescêncio
Com cerca de 2 mil processos parados, contas em aberto e contratos sem justificativa para pagamentos da antiga gestão, a secretária de Habitação do município de Cuiabá, Michelle Dreher, afirma que encarou os primeiros cinco meses de gestão como um momento de “organizar a casa” e o caos “herdado”. A gestora explica que em 2025 vai tratar apenas dos problemas pendentes da gestão anterior, para que só que no ano que vem consiga começar dar passos maiores. Em entrevista especial ao , a secretária destaca as medidas tomadas pela gestão para contornar problemas financeiros que ficaram remanescentes, esclarece sobre os projetos que vem sendo aplicados como o Casa Cuiabana e faz um levantamento de metas para o restante do ano e para 2026.
Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista
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Como foi assumir a pasta da Habitação?
O início foi bem tumultuado, porque a gente chegou com uma secretaria realmente bem bagunçada, não existia nenhum tipo de gestão. Tinham dois mil processos parados, a gente teve que abrir um por um dos processos pra entender o que que estava faltando, qual era a próxima etapa, porque tinham processos que eram só físicos, processos que eram só digitais, processos que se misturavam. Não tinha nenhum acervo, nenhum controle de quantos processos existiam, quantos eram de cada bairro, então nós passamos cinco meses só de organização.
Agora, é possível fazer um levantamento sobre quantos bairros demandam regularização?
Nós tivemos cinco audiências sobre o tema de regularização fundiária e conseguimos levantar que basicamente 80% de Cuiabá está irregular. Muitos bairros que achávamos que o problema já estava resolvido, não estava. Só que tem também uma divisão, tem muito bairro que pertence ao Governo do Estado, que é com o Intermat [Instituto de Terras de Mato Grosso]. “ Basicamente, 80% de Cuiabá está irregular. Muitos bairros que achávamos que o problema já estava resolvido, não estava”
Tem muito bairro que pertence ao Governo Federal. Então a gente já fez reunião com o Intermat, eles estão super dispostos a nos ajudar. Vamos assinar agora um termo de cooperação técnica entre o prefeito e o governador, para que façamos em conjunto tudo que pertence ao Intermat também, e consigamos regularizar isso.
E no que diz respeito aos bairros que pertencem ao Governo Federal?
Em relação ao Governo Federal, nós visitamos o Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária], a SPU [Superintendência do Patrimônio da União], para que eles nos auxiliem também, porque tem muito bairro, como por exemplo, o Ribeirão do Lipa, que tem muitos pedidos de regularização, mas a grande maioria do bairro pertence ao Governo Federal. Então precisamos que o Governo Federal faça uma doação para o Município, para que possamos regularizar. Já fizemos e reiteramos o pedido, então estamos guardando também.
Com relação às contas da Secretaria, como estavam quando você assumiu a Pasta?
Muitas contas em atraso. Recebemos um montante muito grande de restos a pagar, alguns inclusive eu enviei para a Controladoria, porque recebemos bastante restos a pagar que não tinham contrato, eu não conseguia achar nada que justificasse o porque eu deveria fazer aquele pagamento, mas ele estava ali linkado nos restos a pagar. Além disso, os servidores que prestavam serviço de empresa terceirizada estavam sem receber seu salário, passaram dezembro sem receber, então tentamos priorizar primeiro esses pagamentos.
Quais eram as principais dívidas?
Tinha bastante atraso em empresas de aluguel de carro, o próprio condomínio e o aluguel – porque a Secretaria estava em um prédio alugado -, estavam sem pagar também. A gente reorganizou esses pagamentos, tudo que era essencial a gente deu prioridade para pagar. Hoje nós não estamos mais no prédio alugado, estamos no prédio da prefeitura, então toda essa economia estamos revertendo para conseguir regularizar e gerar algumas melhorias habitacionais para as pessoas. “ Muitas contas em atraso. Recebemos um montante muito grande de restos a pagar”
A senhora falou sobre reverter essa economia para projetos. Além disso, teve algum investimento na pasta?
Basicamente a LOA [Lei Orçamentária Anual] inteira da Secretaria era gasta com coisas administrativas. Eles só gastavam com aluguel de carro, empresas terceirizadas, aluguel de impressora, de ar, de condomínio, então todo o montante era gasto com coisas administrativas, não tinha nenhum tipo de programa habitacional, porque essa empresa terceirizada, por exemplo, que estava fazendo regularização, era pelo consórcio, então não foi a secretaria que colocou o dinheiro na terceirizada. Com todos os cortes que a gente fez, a gente diminuiu bastante o número de carros, combustível e terceirizados. A gente conseguiu reequilibrar a máquina, sair do aluguel, sair do condomínio, todo esse valor que economizamosrevertemos em políticas públicas.
Quais políticas públicas estamos falando?
Conseguimos colocar a contrapartida nessas unidades habitacionais que estão em andamento. Nós precisávamos de R$ 10 milhões do Município para essas obras, e não tinha isso no orçamento desse ano, então a gente reorganizou para conseguir colocar esse valor também. Além disso, ainda conseguimos economizar porque vamos programa de melhorias habitacionais dentro do programa Casa Cuiabana. Então, pessoas que não tenham banheiros dignos, nós vamos conseguir fazer algumas unidades de banheiro para que essas pessoas possam ter um novo banheiro construído na sua casa. Estamos com alguns outros programas também para o ano que vem.
Annie Souza/Rdnews
E falando sobre o programa Casa Cuiabana, depois do começo complicado, como estão os cadastramentos agora?
Agora acabou! No dia anterior, inclusive, eu estive lá, na segunda a noite, eu fiquei até meia-noite com as pessoas, conversando. “ Nós precisávamos de R$ 10 milhões do Município para essas obras, e não tinha isso no orçamento desse ano, então a gente reorganizou ”
Conversei com um por um para explicar que seria por sorteio, não por ordem de chegada, que tem inscrição online, a grande maioria realmente não quis ir embora, quis continuar ali.
No dia seguinte tinha mais o dobro de pessoas. Eu cheguei lá às 6h30 e tinha umas mil pessoas ali na porta, mas no dia seguinte já não tinha quase nada, a gente atendeu 200 pessoas. As pessoas entenderam que a inscrição online vale igual o presencial, que se fizer no último dia, a validade é a mesma do primeiro. Agora está muito tranquilo, qualquer pessoa que chega, assim, nem enfrenta uma fila muito longa não, já é atendida quase de imediato.
A Secretaria tem uma estimativa de quantos cadastramentos serão até setembro?
Inicialmente nós abrimos esperando 40 mil inscrições, mas foram 40 mil só o primeiro dia. Depois a gente ampliou para uma espera de 70 mil, já estamos com 65 mil. Então eu acho que até os 70 mil que a gente esperou depois já vai passar também.
São quantas unidades de conjuntos habitacionais no Casa Cuiabana?
O cadastro do Casa Cuiabana vai valer para os próximos anos, então todos os programas ao longo dos próximos anos vai ser esse mesmo banco de dados de agora. Nós temos em andamento 692 unidades, que são apartamentos por agora, 500 no Jardim Comodoro e 192 no Tijucal. Mas nós já temos mais 2 mil protocolados, então estamos aguardando a autorização, e provavelmente no ano que vem teremos mais unidades.
Annie Souza/Rdnews
E as metas para o restante de 2025 e 2026 já foram traçadas?
Nossa maior meta é, até o final desse ano, terminar pelo menos 2 mil desses processos que estavam parados ou terceirizados na Secretaria. Para o ano que vem dar início para as coisas novas. Tem muitos bairros que não começou nenhum processo ainda. Queremos até o final desse ano finalizar tudo que está parado, em andamento, para ano que vem a gente iniciar os bairros novos.

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