Relatório divulgado pelos EUA cita falsificação e pirataria no Brasil

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Para justificar o tarifaço, o governo Trump divulgou um relatório citando a falsificação e a pirataria no Brasil.
Na rua conhecida pelo comércio popular, no centro da maior cidade do país, nem tudo é “de verdade”.

Repórter: Mas isso aqui passa pelo original? Vendedora: Isso, esse é o mais perto do original que tem. Repórter: Mas uma pessoa olha isso aqui e fala que é falso, não? Vendedora: Não, é difícil falar. É quase igual ao original.
 
Parece prática comercial, mas é crime.

  Repórter: Esse está quanto? Vendedora: R$ 10. Repórter: Mas assim, perto do original, é muita diferença? É né? Vendedora: É, né? Lembra. O original sai R$ 120.

 

Marcelo Camargo/Agência Brasil

A pirataria no Brasil aparece até no relatório de comércio exterior dos Estados Unidos, divulgado dois dias antes do tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump. O texto diz que houve avanço na fiscalização nos últimos anos, mas que é preciso melhorar o combate ao mercado ilegal – online e físico. E a Rua 25 de Março foi citada nominalmente no documento americano como um mercado notório de falsificação.

A pirataria roubou quase R$ 500 bilhões na economia brasileira só em 2024. É a soma do que as empresas legalizadas deixaram de vender e os impostos que não foram recolhidos. O presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria, explica o tamanho do prejuízo:

“Deixam de gerar empregos, de atrair novos investimentos. Quem compra produtos de baixa qualidade, que afeta sua saúde e segurança. É o erário com a brutal sonegação de bilhões de impostos. A indústria e o comércio formais, que investem e que geram empregos, também perdem mercado. E segurança pública, porque cada vez mais esse mercado está sendo ocupado por organizações criminosas e milícias, e isso afeta a nossa segurança, porque está sendo fortalecida a estrutura criminosa que arrecada esse dinheiro que poderia estar circulando na economia formal”, afirma Edson Vismona.

O relatório americano cita dezenas de países, além do Brasil. Mas o mercado de produtos ilegais também tem espaço nos Estados Unidos. Em Nova York, por exemplo, não é difícil encontrar produtos falsificados à venda nas ruas. E a solução não passa por adotar tarifas mais duras de importação, já que elas são direcionadas ao comércio formal. E até ao contrário: os produtos originais ficam mais caros, o que tende a favorecer os ilegais.
O especialista no assunto ressalta a importância de uma articulação coletiva contra o mal da pirataria:

“Eles conseguem colocar os produtos, por não pagarem impostos, a preços muito mais baratos. É um flagelo mundial. O que demonstra a necessidade de todos os países articularem ações, inclusive em cooperação, para combater esse mercado ilícito que movimenta bilhões de dólares”, diz Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional contra a Pirataria.

A União dos Lojistas da 25 de março declarou que lamenta o conteúdo do relatório divulgado pelos Estados Unidos, que a grande maioria dos lojistas da região atua de forma regular há décadas e dentro das normas, e que pontos isolados com produtos irregulares podem existir, mas são constantemente fiscalizados e combatidos em parceria com o poder público. A União dos Lojistas da 25 de março declarou, ainda, que não é justo generalizar a região.

Link da Matéria – via RD News

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