
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usaram as redes sociais para reclamar da nova decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que determinou a prisão domiciliar no final da tarde desta segunda-feira (4), por descumprir medidas cautelares. Ele estava proibido de utilizar as redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, mas acabou infringindo a determinação no domingo (3), ao fazer discursos em manifestações pelo país contra Moraes e o presidente Lula (PT). Durante o ato em Cuiabá, por exemplo, o ex-presidente falou brevemente com os manifestantes presentes na Praça 8 de Abril , momento em que parabenizou os apoiadores e afirmou que eles são “a vitória para todos”.
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O deputado federal Nelson Barbudo (PL) valorizou as manifestações pelo Brasil no domingo e sinalizou que ordem de prisão seria uma retaliação clara para silenciar um líder político. “Querem calar Bolsonaro a qualquer custo! E depois de um ato tão grandioso como o de ontem vem essa decisão absurda tentando amordaçar a voz do povo brasileiro”, reclamou.
A deputada Coronel Fernanda (PL) destacou que a decisão de Moraes seria uma completa injustiça. “Mais um capítulo de uma perseguição política que envergonha o Brasil e afronta a democracia. Estão tentando calar a voz de quem sempre defendeu a liberdade e o povo brasileiro. Mas não conseguirão”, disse ela.
Na avaliação do federal José Medeiros, a decisão de Moraes é uma afronta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o sancionou com a Lei Magnitsky. O americano quer que a investigação contra Bolsonaro seja encerrada frente a “caça às bruxas”, contudo, não conseguiu aliviar a tensão – mesmo com sanções pessoais e comerciais em 50% sobre as importações brasileiras.
Os bolsonaristas realizaram um ato nacional no final de semana pedindo anistia aos presos e condenados do 8 de janeiro de 2023, referente ao ataque aos Três Poderes – ato de constetaçãos ao resultado das urnas que elegeram Lula. Além disso, também pediram o impeachment do petista e de Moraes, ministro responsável pela relatoria da ação que apura suposta trama golpista que tramita na Suprema Corte, medida que o coloca no centro das reclamações.
A proibição de uso de redes sociais por Moraes deixava claro que não seriam permitidas transmissões, retransmissões, veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas em qualquer plataforma de redes sociais, nem o uso desses meios para burlar a medida, sob pena de imediata revogação e decretação da prisão.
Usando um vermelho com os dizeres Make America Great Again (MAGA) – “Tornar a América Grande Novamente” – e o nome de presidente americano Donald Trump estampado, o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) defendeu a atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos Estados Unidos, pois segundo ele, estaria lutando pelo Brasil. Ele também criticou a atuação de Moraes por impor censurar e prender um ex-presidente por “expressar” sua opinião – desconsiderando que as medidas cautelares foram descumpridas por Bolsonaro.
“Sabe que por que que o Eduardo Bolsonaro teve que sair daqui? Porque senão ele estaria no mesmo caminho do Jair Bolsonaro. E ele está nos Estados Unidos pedindo ajuda de pessoas que podem, de fato, nos ajudar […] Graças a Deus que nós temos um Bolsonaro, um Eduardo Bolsonaro, a família Bolsonaro como um todo, e temos pessoas ainda que lutam por esse país e eu me enquadro como um dos tais. Não conseguirão nos calar, assim como não calarão Jair Bolsonaro. O silêncio que estão impondo a Jair Bolsonaro fala muito mais alto do que os gritos desse pessoal. Que Deus tenha misericórdia da nossa nação”, disparou.
Já o vereador por Cuiabá Rafael Ranalli (PL) criticou a inversão de valores, que segundo ele, existe no Brasil. Além disso, considera que o país mergulhou em um retrocesso: “A Venezuela definitivamente é aqui. Você pode ir preso pelo que posta, pelas ideias que compartilha ou até por participar de uma live”.

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