Quem trata igual o bom e o ruim, perde os dois

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Rodinei Crescêncio/Rdnews

Toda comunicação de mandato é uma vitrine. Mas o que garante a qualidade do que está na vitrine — ou até mesmo se ela será bem iluminada, atualizada e atrativa — é aquilo que acontece nos bastidores. E nesse bastidor, há uma engrenagem decisiva para o sucesso de qualquer parlamentar: a equipe.

Comunicar bem exige estratégia, constância e conexão. Mas, acima de tudo, exige gente comprometida, motivada e bem gerida. Não há marketing político que funcione onde não há organização de processos, clareza de funções, liderança clara e valorização dos talentos.

Comunicação política começa pela gestão

É comum que parlamentares exijam bons resultados de comunicação — redes sociais fortes, relatórios bem feitos, bom relacionamento com a imprensa — sem olhar para a estrutura mínima que uma equipe precisa ter para entregar isso tudo. Cobrar planejamento de conteúdo sem ter quem escreva. Cobrar vídeos semanais sem ter quem roteirize e produza. Exigir inovação de quem está apagando incêndio.

A conta não fecha. E mais do que não fechar, gera frustração, desmotivação e, aos poucos, vai desmontando o time. Um mandato pode ter boas ideias, bons projetos, até boa popularidade — mas se não tiver uma equipe que sustente isso de forma estratégica, a engrenagem trava.

O erro mais comum: tratar todos por igual

Um dos maiores erros de gestão dentro dos mandatos é a nivelar a equipe por baixo. É tratar com o mesmo entusiasmo (ou descaso) o assessor que entrega muito e o que entrega pouco. O que se antecipa e o que espera a demanda chegar. O que estuda e propõe soluções e o que apenas cumpre tarefas mínimas.

Quando o bom profissional vê que não há distinção, perde o estímulo.
Quando o profissional descomprometido percebe que não há consequência, continua do mesmo jeito.

E aí, o resultado é duplo: o bom começa a procurar outras oportunidades e o ruim se acomoda ainda mais. Ou seja: quem trata igual o bom e o ruim, perde os dois.

Por que isso acontece?

Porque alguns mandatos ainda operam com lógica de “cargo de confiança”, e não de “função estratégica”.
Porque muitos parlamentares não foram formados para liderar — foram eleitos para representar, mas não aprenderam a gerir equipes com objetivos claros.

Porque ainda se confunde lealdade com competência.

Porque falta método: atribuições, metas, indicadores e momentos de feedback são raros ou inexistentes.

Mas isso pode (e deve) ser corrigido.

O que é uma boa gestão de equipe de mandato?

É uma gestão com clareza. Cada integrante da equipe precisa saber o seu papel, sua prioridade e sua entrega.

É uma gestão com feedback. Elogiar quando é devido. Corrigir com firmeza e respeito. Feedback é o que impede o erro de se repetir — ou o bom trabalho de passar despercebido.

É uma gestão com propósito. A equipe precisa saber para onde o mandato está indo. A comunicação interna precisa ser tão planejada quanto a externa.

É uma gestão com critério. Quem entrega, cresce. Quem não entrega, precisa evoluir — ou dar lugar a quem entregue.

É uma gestão que valoriza. Reconhecer talento, criar espaço para ideias, dar autonomia. Um mandato onde todos se sentem parte, entrega mais.

E o que tudo isso tem a ver com comunicação?

Tudo. A equipe de comunicação depende de insumos vindos do gabinete. Depende da escuta da base, da articulação política, da clareza nas entregas. E, ao mesmo tempo, é essa mesma comunicação que transforma o trabalho invisível do parlamentar em percepção pública positiva.

É a equipe que grava, edita, escreve, traduz, organiza, filtra, responde e posiciona. Se essa equipe estiver desmotivada, mal distribuída ou mal liderada, o impacto será visível para fora — mesmo que os problemas sejam internos.

Comunicação de mandato é liderança — e liderança começa com gestão

Muitas vezes, o parlamentar terceiriza completamente o “setor de comunicação”, como se ele fosse uma ilha. Mas a comunicação é a ponta visível de uma estrutura muito maior: ela só é forte se houver base política articulada, equipe técnica ativa, dados organizados e decisões claras. E tudo isso depende da forma como o mandato é gerido.

Então, fica a reflexão:

Quem da sua equipe está entregando mais do que o esperado?

Quem está apenas cumprindo o mínimo?

Há espaço para crescimento e reconhecimento real?

Há coragem para corrigir o que não está funcionando?

Você sabe quem são os talentos estratégicos do seu mandato?

Se a resposta for “não” para qualquer uma dessas perguntas, está na hora de repensar a gestão da equipe.

Conclusão: Comunicação política começa no bastidor

A comunicação política não é só um post bonito ou um vídeo bem produzido. Ela é o reflexo de como o mandato funciona por dentro. Ela é a consequência de uma equipe que tem clareza, motivação e propósito. Por isso, da próxima vez que pensar em melhorar a imagem do seu mandato, comece olhando para dentro.

Porque quem trata igual o bom e o ruim, perde os dois. E quem sabe gerir sua equipe, ganha força, entrega mais — e comunica melhor.

Mariana Bonjour é advogada e consultora política. Escreve com exclusividade para esta coluna às sextas-feiras

Link da Matéria – via RD News

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