Queimadas em MT reduzem oferta e aumentam preços, aponta economista

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Os incêndios florestais no Brasil deixaram de ser apenas uma tragédia ambiental para se consolidar como um problema econômico de grandes proporções. Uma pesquisa publicada na revista Perspectives in Ecology and Conservation (Perspectivas em Ecologia e Conservação) alerta que os incêndios causam perdas bilionárias, prejudicando a biodiversidade, a saúde e a economia brasileiras. Em 2024, por exemplo, as áreas queimadas no país chegaram a quase 114 mil km², com estimativas de perdas superiores a US$ 14,7 bilhões apenas naquele ano. E os impactos não se restringem a nível nacional. 

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Mato Grosso ocupa, em 2025, o primeiro lugar no ranking de focos de incêndio no país, com destaque negativo para Colniza (a 1043 km de Cuiabá), que figura entre os municípios brasileiros mais afetados, tendo registrado 773 focos de incêndio até o início de setembro.

CBMMS/Divulgação

Em entrevista ao , o economista Vivaldo Lopes avalia que os incêndios têm efeitos diretos sobre a economia local. “Essas cidades, mais interioranas, como Colniza, sofrem de forma ampliada. A perda de empregos é maior, o impacto sobre a arrecadação municipal é mais intenso e os gastos para combater e reparar os danos também crescem”, disse Lopes.

O economista afirma que quando o assunto é o aspecto econômico, o incêndio “destrói valor nas propriedades, destrói valor nas indústrias e destrói valor em toda a cadeia produtiva, desde a fazenda até o transporte e processamento”.  

O especialista relembra que em anos críticos, como em 2020, fazendas inteiras deixaram de produzir gado e parte do rebanho foi perdida em Mato Grosso. “Isso teve um grande impacto na economia. Houve aumento do preço da carne, porque houve redução da oferta. O incêndio, quando em grande proporção, pode afetar a quantidade produzida e, consequentemente, o preço final dos produtos”, explicou. Rodinei Crescêncio/Rdnews

O economista Vivaldo Lopes, em entrevista ao Rdnews.

Tal cenário é reforçado pela pesquisa intitulada: “Incêndios florestais e seus danos no Brasil: quem está contabilizando os custos?” (tradução livre) – realizada pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – apontando que os incêndios florestais têm “impactos de longo alcance na agricultura de pequena escala, nos serviços essenciais e nos ecossistemas”.

O estudo também calcula que a fumaça dos incêndios gera custos significativos ao sistema de Saúde, com aumento de internações por problemas respiratórios e cardiovasculares. De acordo com os dados levantados, estima-se que, no Brasil, esse acréscimo pode chegar a mais de 2 mil casos por dia, representando um custo adicional elevado para um sistema já sobrecarregado. Ainda segundo a pesquisa, de janeiro a agosto de 2024, o país teve um custo aproximado de US$ 10,2 milhões em pacientes com problemas cardiovasculares e US$ 4,4 milhões naqueles que sofreram com problemas respiratórios, neste período.

Segundo Vivaldo é nessas situações em que há um aumento expressivo dos gastos governamentais. “Aumenta o gasto público para combater o incêndio, com brigadas, bombeiros, aeronaves e combustível. Depois vem o custo para tratar pessoas afetadas pela fumaça, casas e escolas queimadas. É um impacto nocivo porque pressiona as contas públicas em todas as esferas”, disse.

Imagem prejudicada e riscos para o futuro

Além das perdas produtivas e dos gastos extras, há ainda o impacto reputacional. “O segundo impacto negativo é na imagem. Muitos incêndios transmitem ao mercado externo a ideia de que Mato Grosso não está cuidando bem da sustentabilidade de seus ativos ambientais. Isso afeta a credibilidade e pode comprometer negócios no agronegócio e em outros setores”, avaliou Vivaldo.

A pesquisa reforça que, diante da magnitude dos danos, é urgente incorporar os custos econômicos dos incêndios no planejamento de políticas públicas. “Apesar dos efeitos devastadores, os custos ainda não são plenamente contabilizados no Brasil, o que limita estratégias de prevenção e recuperação”, diz trecho do artigo.Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

Link da Matéria – via RD News

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