Professor reflete sobre celular na sala de aula e impactos da pandemia no ensino

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Joaquim Ventura é professor efetivo da rede estadual, em Cuiabá, desde 1999. Seu primeiro contato com a docência, entretanto, aconteceu em 1989, quando ainda cursava História, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e ministrava disciplinas de semestres anteriores baseado em contratos com o ensino superior. Nestes mais de 30 anos de sala de aula, Joaquim viu as mudanças na sociedade sendo incorporadas e assimiladas pelo ambiente escolar.

 

Ao , Ventura chamou de “memória saudosa” e “seletiva” quem vê a educação de outros tempos como melhor que a atual. Segundo ele, as dificuldades encontradas pelos professores no início de sua carreira se mantêm as mesmas.

 

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Por outro lado, o profissional enxerga as inovações tecnológicas, como a presença maciça dos aparelhos celulares e a popularização da internet, como o maior obstáculo enfrentado dentro da sala de aula atualmente. Embora reconheça a importância destas mudanças, defende uma regulamentação que defina parâmetros no uso da tecnologia no cotidiano escolar.

 

De acordo com o docente, seus alunos, entre 13 e 16 anos, “não conseguem largar o celular” e descreveu como um “conflito de gerações” a relação professor-celular-aluno. “Eles já chegam abraçados ao celular e continuam com o celular em sala de aula. Obviamente, isso é um conflito de geração. Esse é o grande desafio que enfrentamos hoje. A gente tenta implementar, pensar alguma alternativa que possa dirimir, mas não é tão simples, porque isso faz parte de um contexto que não está apenas na escola”, explicou.

 

No dia 20 do último mês, o ministro da Educação, Camilo Santana, disse que o governo federal está preparando um projeto de lei que proíbe o uso dos celulares nas salas de aula da rede pública e privada. Em Mato Grosso também há a proposta, que está em fase de análise na Assembleia Legislativa (ALMT).

 

Ventura, porém, acha que o banimento dos celulares pode ser um “pouco demais”. Para ele, é mais efetivo pensar uma alternativa que conscientize pais e alunos sobre o bom aproveitamento do lado positivo destas ferramentas.

 

“Eu acho muito pesado essa decisão de você ter uma proibição. Algo que seja mais no sentido punitivo do que propriamente em uma conscientização desses recursos tecnológicos”, argumentou.

 

Outra mudança radical enfrentada por Joaquim Ventura no exercício de sua profissão foi promovida por uma força maior: a pandemia do coronavírus. Segundo ele, o período trouxe um “prejuízo enorme na construção do conhecimento para os estudantes”.

 

Hoje, Ventura é docente na Escola Estadual Dr. Mário de Castro. Localizada no Pedra 90, um bairro periférico da Capital, o professor observou a realidade de muitos alunos que não tinham acesso a celulares, computadores ou até mesmo à internet durante a pandemia.

 

Após mais de dois anos do retorno às aulas presenciais, os alunos ainda sofrem os efeitos dessa lacuna deixada pelo período pandêmico. Na unidade na qual Ventura é docente, existe uma sala de atendimento que tenta reduzir o prejuízo que alguns alunos tiveram durante o isolamento, como o caso daqueles que não aprenderam a ler ou estão atrasados em conhecimentos básicos de matemática.

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