
Com a publicação de uma portaria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que oficializou o Aeroporto de Cuiabá Marechal Rondon como internacional, nessa segunda-feira (03) o próximo passo é a negociação entre a Centro-Oeste Airports, que administra o aeroporto, e as empresas aéreas internacionais. A primeira negociação deve ser com uma empresa da Bolívia. A informação foi confirmada pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, em entrevista ao .
Rodinei Crescêncio
“Isso abre portas para uma logística fantástica, não só de pessoas como de produtos também. Existem produtos de valor agregado que utilizam o transporte aéreo. O aeroporto, no momento em que está internacionalizado, está alfandegado. Então ele pode receber mercadorias estrangeiras importadas e também podem sair mercadorias mato-grossenses exportadas por avião. A aviação comercial privada passa a fazer a sua entrada no Brasil pelo aeroporto. Até anteontem você precisaria ir a Belém, Corumbá, aonde havia postos da Polícia Federal, da Receita, que eram internacionalizados”, pontua o secretário.
A portaria com a autorização para operar voos internacionais saiu nessa segunda-feira (02). Na semana passada, o aeroporto há havia recebido a autorização da Receita Federal, mas aguardava a última resposta, da Anac. A promessa de internacionalização do aeroporto, que só carregava o internacional no nome, era antiga. O terminal não faz voos internacionais comerciais de forma regular há 26 anos. Com o documento assinado pelo superintendente de Infraestrutura Aeroportuária, Giovano Palma, o terminal finalmente pode tirar o projeto do papel.
No ano passado, em conversa com algumas empresas, a empres Boliviana de Aviación apresentou interesse em operar em Mato Grosso, desde que fosse confirmada a internacionalização do Marechal Rondon. César Miranda afirma que o destino deve ser o primeiro inaugurado em Cuiabá, com o encaminhamento da negociação.
“Hoje existem cerca de 7 mil brasileiros morando em Santa Cruz de La Sierra [na Bolívia], fazendo faculdade. Nós, o Governo do Estado, temos negócios com a Bolívia na compra de gás. Sempre que eu preciso ir lá para fazer uma reunião presencial, pego um avião daqui de Cuiabá para São Paulo, fico horas no aeroporto, pego outro avião em São Paulo, passo por cima de Cuiabá para chegar em Santa Cruz. Santa Cruz é um hub importante”, salienta.
Além disso, o voo para Santa Cruz poderá conectar os passageiros a outros destinos internacionais como Miami, Orlando, Barcelona e Madrid. “Já conversei com o trade turística também, para começarmos a fazer um trabalho com as empresas aéreas. No primeiro momento, com as empresas nacionais, depois buscar algumas empresas internacionais para fazer a divulgação da nossa internacionalização”, pontua.
O secretário disse ainda que vai propor o estudo de novos voos com escala em Cuiabá. “Machu Picchu ]no Peru] é um dos lugares do mundo que mais recebe turistas. E por que não esse turista que está indo a Machu Picchu parar em Cuiabá, conhecer o Pantanal, conhecer as belezas de Mato Grosso, visitar o nosso estado? Então você começa a ter uma conjunção, no momento que o aeroporto está internacionalizado, das companhias aéreas com os hotéis de rede nacional, para trazer esse turista, aí começam a acontecer os pacotes”, detalha.
Automaticamente, aumentando o número de passageiros, a movimentação no aeroporto e arredores aumenta. Segundo o gestor, além do turismo, o novo cenário também facilita o intercâmbio empresarial com empreendedores da América do Sul.
“Hoje os grandes investidores estão conectados com o mundo todo, mas falta logística. O empresário vai saber que vai poder pousar no aeroporto de Cuiabá, legalmente no país e percorrer o Brasil todo
Agora os órgãos vão se instalar e colocar efetivos no terminal. Cada órgão, tanto a Receita Federal, quanto a Polícia Federal e a Anvisa precisam atuar para que não haja descaminhos, contrabando, entrada de produtos contaminados, entre outras situações.
Aeroporto internacional
O Aeroporto Marechal Rondon possui, atualmente, a capacidade de atendimento de 5,7 milhões de passageiros por ano, mas tem uma estimativa de fluxo diário de 8,9 mil pessoas entre passageiros e funcionários das empresas que operam o sistema aeroportuário, o que dá pouco mais de 3 milhões por ano. Atualmente, apenas as empresas nacionais Gol, Latam e Azul operam voos no local. Com a internacionalização, serão definidas as outras companhias que irão atuar.
Nos últimos anos, o aeroporto chegou a receber alguns voos internacionais em caráter temporário, como em janeiro deste ano, para as partidas do Cuiabá na Copa Sul-Americana de 2024. A medida também aconteceu em 2022, quando o Dourado disputou o torneio continental, e no ano passado, devido à realização do jogo da Seleção Brasileira, na Arena Pantanal, pelas eliminatórias da Copa do Mundo.
Além disso, em junho de 2014, durante a Copa do Mundo, o Aeroporto Marechal Rondon voltou a ter voos internacionais depois de 16 anos, com um jato com capacidade para 50 pessoas vindo de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Na ocasião, os voos regulares internacionais foram operados pela empresa Amaszonas em caráter temporário.
Em 2016, o Governo do Estado liberou o setor de desembarque internacional com a chegada do voo de Santa Cruz de La Sierra (Bolívia), que trazia o governador Rubens Costas Aguilera para participar de dois eventos em Cuiabá. Contudo, apesar da inauguração, os voos internacionais realizados na época eram apenas os fretados. Christiano Antonucci/Secom-MT
Demanda antiga
Cuiabá já operou voos internacionais por fretamento para Miami, Chile e Paraguai na década de 90. Além disso, em 1980, a empresa Loyd Aereo Boliviano (LAB) operou por quase um ano uma linha diária entre Cuiabá e Santa Cruz de La Sierra. O custo era complementado por cargas destinadas a atender à grande demanda da Bolívia. Um dos públicos era de negócios em Santa Cruz. Outra parte eram passageiros que iam para os Estados Unidos, a partir de Santa Cruz, já que as passagens eram mais baratas e as conexões mais rápidas. A operação foi suspensa em 1998 e não foi mais retomada de forma definitiva.
O Marechal Rondon é administrado pela empresa Centro Oeste Airports (COA) desde 2019, quando saiu da gestão da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). No contrato, a COA assumiu uma série de compromissos para fazer em até 36 meses, como a readequação na capacidade de processamento de passageiros e bagagens, incluindo a área de movimento de aeronaves, terminal de passageiros, estacionamento de veículos, vias de acesso associadas a outras infraestruturas, além de melhorias nos equipamentos e nas instalações para o adequado atendimento ao cliente. Já para ser internacionalizado, foi preciso adequar o espaço para atender os requisitos da Agência Nacional Aviação Civil (Anac), que através da resolução 181/2011 estabelece a obrigatoriedade da alfândega, de polícia de fronteira, saúde pública, vigilância agropecuária, entre outros requisitos. Os serviços tiveram alguns atrasos.
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