PM foragido por morte de advogado é acusado de integrar grupo de extermínio

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O 3º sargento da Força Tática “Rotam”, Heron Teixeira Pena Vieira, alvo da “Operação Office Crimes – A Outra Face” , deflagrada nesta quinta-feira (05), suspeito de envolvimento na morte do advogado Renato Nery, segue foragido. O militar também é suspeito de integrar um “grupo de extermínio” composto por milicianos que mataram 24 pessoas e tentaram matar outras quatro vítimas, em 2022. Além disso, o PM foi condenado a 8 anos de prisão por associação ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, no ano passado. 

O militar entrou para a corporação em 2008 e passou a trabalhar na inteligência da Rotam em novembro de 2016, onde permanece lotado. De acordo com o Portal Transparência do Governo do Estado, o salário atual de Heron ultrapassa R$ 11 mil.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Durante a operação nesta quinta-feira, o caseiro de uma chácara do bairro Capão Grande, em Várzea Grande foi preso, assim como os policiais militares Wailson Alesandro Medeiros Ramos, que é ex-segurança do governador Mauro Mendes (União); Wekcerlley Benevides de Oliveira; e Leandro Cardoso. Heron, que também possui um mandado de prisão, teria fugido de casa horas antes da operação, alegando que “iria pescar”.

Operação Simulacrum

Heron foi alvo da Operação Simulacrum , deflagrada em 31 de março de 2022 pela Polícia Civil e o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) para cumprimento de 81 mandados de prisão temporária contra policiais militares investigados por homicídios. Também foram cumpridos 34 mandados de busca e apreensão e de medidas cautelares diversas.

De acordo com as investigações, os policiais alvos da operação integravam a milícia e supostamente simulavam falsos “confrontos” em Cuiabá e Várzea Grande , que teriam levado à morte das 24 pessoas. 

Segundo a Polícia Civil, o modus operandi dos militares envolvidos nos crimes contava com a atuação de um “colaborador”, Ruiter Candido da Silva, um segurança particular que cooptava interessados na prática de “pseudos crimes patrimoniais”, sendo que, na verdade, o objetivo seria apenas um pretexto para matar pessoas para obterem promoções dentro da corporação . Ruiter costumava atrair as vítimas a locais ermos, onde já se encontravam os policiais militares, e eram executadas, sob justificativa de que havia um “confronto policial”.

O fez uma consulta no Processo Judicial Eletrônico (PJe) e verificou que Heron e outros policiais militares são investigados pelo suposto envolvimento nas mortes das seguintes vítimas: Mayson Ricardo de Moraes Dihl;  Fabrício Soares Ferreira; Deberson Pereira de Oliveira; José Carlos Fernandes Dumont; Cleberson Rodrigo Marques e Silva; Cleber Neves de Andrade;  João Vitor Chaves; Mayk Sanches Sabino.

 

Heron e outros PMs também são investigados pelas tentativas de homicídio contra Rômulo Silva Santos e Diego Arruda Nascimento.

Operação Camada II

Em maio de 2023, a Polícia Federal deflagou a Operação Camada II, em que Heron foi preso por utilizar do cargo enquanto PM para associação ao tráfico de cocaína que tinha início no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande. Além disso, o militar também teria participado de lavagem de dinheiro, junto ao grupo criminoso.

Conforme denúncia do MPMT, Heron seria integrante do grupo, onde foram identificadas trocas de mensagens com negociações de fornecimento e transporte de drogas, sendo o militar beneficiário de transferências bancárias por meio de “triangulação na rota do dinheiro”, ou seja, não era enviado diretamente para Heron e sim desviado, passando por diversas contas, até chegar a ele, ou aos seus.   

Em março de 2024, o juiz Moacir Rogério Tortato da 3ª Vara Criminal de Várzea Grande condenou Heron por associação para o tráfico e também lavagem de dinheiro sob a pena de 8 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão, em regime fechado, e 1.701 dias multa. 

Em sua decisão, o magistrado havia imposto também a perda do cargo de policial militar “tendo em vista a utilização do cargo para beneficiar-se e também a terceiros na prática delitiva, permanecendo inerte quando tinha o dever de agir para cessar a prática criminosa, não o fazendo, pelo contrário, associou-se aos demais réus para o tráfico de drogas”. Entretanto, a defesa do militar apresentou um recurso de apelação, que foi aceito pelo Juízo.

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Link da Matéria – via RD News

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