Pistoleiro promete entregar “pessoas com foro privilegiado” e juíza impõe sigilo

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A juíza da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, Anna Paula Gomes de Freitas, determinou que o processo que apura o assassinato do advogado Roberto Zampieri tramite em segredo de Justiça. A decisão vem após o réu Antônio Gomes da Silva, apontado como o pistoleiro do crime, prometer revelar nomes de pessoas com foro privilegiado que teriam envolvimento com o homicídio e os advogados das defesas prometerem apresentar conteúdos do celular de Zampieri. A decisão é dessa quinta-feira (24).

Ainda na audiência de instrução, realizada em julho, Antônio já havia “livrado” Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel Etevaldo Caçadini de Vargas , que também são réus pela execução por supostamente atuarem como contratante e financiador do crime, respectivamente. Na época, Antônio prometeu que iria revelar o nome do mandante no Tribunal do Júri.

Na decisão dessa quinta, a juíza citou que a defesa de Antônio afirmou, por escrito, que “iria trazer nomes de terceiros com investigações em andamento, pessoas com foro privilegiado”. Aparecido Carmo

Da esquerda para a direita: coronel Etevaldo Caçadini, Antônio Gomes da Silva e Hedilerson Barbosa, réus pela morte do advogado Roberto Zampieri

A magistrada também levou em consideração que as defesas de Hedilerson e Caçadini prometeram levar aos autos trechos do conteúdo extraídos dos celulares apreendidos de Roberto Zampieri, o que poderia expor a intimidade da vítima, de outros investigados e de terceiras pessoas estranhas ao processo.

“De fato, a partir do momento que os Defensores informaram que trarão para os autos conteúdos que podem devassar a intimidade da vítima, de outros investigados e de terceiras pessoas estranhas ao processo, há necessidade de se garantir, doravante, o sigilo externo do processo, como já determinado pelo Excelentíssimo Des. Juvenal Pereira da Silva, DD. Corregedor Geral da Justiça, nos autos da sobredita correição parcial”, diz trecho.

Por conta disso, o processo foi colocado em segredo de Justiça. Os autos, que antes estavam disponíveis no PJe para acesso público, já foram removidos.

O conteúdo do celular Roberto Zampieri, apreendido após a morte do advogado, embasam uma investigação da Polícia Federal e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra um suposto esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

Até o momento, dois desembargadores e um juiz do TJMT já foram afastados. Servidores de gabinetes de ministros do STJ também estão sendo investigados.

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