PF indicia lobista e pede mais prazo para investigação sobre venda de decisões

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A Polícia Federal apresentou novo relatório parcial sobre venda de decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pediu mais prazos para concluir as investigações da Operação Sisamnes. No documento, a PF afirma que não foram identificados até o momento indícios sobre a participação de ministros da corte no esquema. Apesar disso, o lobista Andreson Gonçalves de Oliveira e o ex-assessor do STJ, Márcio Toledo Pinto, foram indiciados.

Andreson está preso na Penitenciária Federal de Brasília, sob a suspeita de crimes como exploração de prestígio e organização criminosa. A informação é da Folha de São Paulo.

Segundo o relatório, os diálogos analisados não permitem inferir que os servidores investigados atuaram em conluio com ministros. “De igual modo, não há registro de movimentação financeira ou quaisquer transações patrimoniais aptas a indicar a participação ou anuência deles na compra e venda de decisões judiciais”, diz o relatório.

O texto afirma que o “cenário que tem se mostrado mais plausível” é de que os servidores eram responsáveis por negociar, de maneira isolada ou em conluio, a venda de decisões, de criar minutas e encaminhar para a assinatura de ministros, que assinavam os documentos sem ter ciência de um suposto esquema.

Até o momento, a Polícia Federal afirma que não encontrou elementos com indícios de crime em relação a dois ex-chefes de gabinete investigados: Daimler Campos (que trabalhava para a ministra Isabel Gallotti) e Rodrigo Falcão (do ministro Og Fernandes).

“Entretanto, apesar desses avanços, a maior parte dos processos judiciais sob suspeita ainda apresentam lacunas investigativas importantes, cujos esclarecimentos são fundamentais para a correta e adequada conclusão deste inquérito”, continua a PF.

“Nesta senda, observa-se que, no atual estágio das investigações, ainda não foi possível identificarmos com clareza quem são os servidores lotados nos gabinetes que efetivamente participaram do esquema criminoso, tampouco como eles atuaram, identificar com maior precisão os valores obtidos indevidamente e a forma que se deu a entrega da propina.”

Operação Sisamnes

A Operação Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024, levou à prisão de diversos investigados por envolvimento em uma organização criminosa que atuava na venda de decisões judiciais em processos milionários, incluindo Andreson.

Primeiro, o lobista ficou detido na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, e depois foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, a “Papuda”. Enquanto estava preso, perdeu muito peso, aparecendo em um estado esquelético. Em julho de 2025, ele conseguiu prisão domiciliar.

O lobista voltou para a prisão preventiva em novembro do ano passado, quando a PF fez uma nova operação sob suspeita de que ele havia forjado relatórios médicos para conseguir sua prisão domiciliar.

Andreson é investigado pela PF por suspeita de cooptar assessores do STJ para a venda de decisões em processos milionários. A operação teve início após a apreensão do celular do advogado Roberto Zampieri, morto em dezembro de 2023, que revelou mensagens sobre o suposto esquema.

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Link da Matéria – via RD News

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