
A sessão das Câmaras Criminais Reunidas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que analisaria o pedido da defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o “Carlinhos Bezerra”, para que seu julgamento por feminicídio e homicídio seja realizado fora de Cuiabá, foi adiada e não tem data para ocorrer. Já são seis meses de tramitação do pedido que travou o julgamento na primeira instância.
Bezerra é filho do ex-governador, ex-senador e ex-deputado federal Carlos Gomes Bezerra (MDB).
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A decisão sobre o recurso de Bezerra deveria ter ocorrido no dia 19 de fevereiro de 2026, mas uma das desembargadoras que compõem o órgão, Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, não compareceu, motivando o adiamento. A reportagem questionou a assessoria do tribunal sobre o motivo da ausência, mas não teve retorno até o momento.
Com o processo parado no TJ, a juíza Monica Perri, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, não pode marcar o julgamento. Enquanto isso, Carlinhos segue preso no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
O pedido é de desaforamento, isto é, para que a sessão do tribunal do júri seja realizada em outro local. A alegação é que a comoção que o crime causou na cidade poderia prejudicar o réu. Esse pedido foi apresentado ao TJ em 27 de agosto de 2025.
Quase três meses depois, em 4 de novembro, o Ministério Público se manifestou contra a solicitação. Foi então que foi fixada a data da sessão das Câmaras Criminais Reunidas: 19 de fevereiro de 2026. Adiado, o caso não tem prazo para ser analisado pelo colegiado.
O crime
O crime ocorreu em 18 de janeiro de 2026, na Capital. Inconformado com o término de seu relacionamento com Thays Machado, o empresário foi até o prédio onde a mãe dela morava, no bairro Consil, esperou que ela saísse e a matou. O namorado dela, Willian Cesar Moreno, também foi assassinado.
Ele foi denunciado pelo Ministério Público em 1º de fevereiro daquele ano e a sentença de pronúncia, isto é, a decisão de que ele seria submetido ao julgamento do tribunal do júri, foi proferida em 4 de maio de 2023.
Desde então, a defesa de Bezerra vem apresentando uma infinidade de recursos com o objetivo de ganhar tempo e impedir a condenação. Ele inclusive chegou a ser colocado em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, mas a medida foi revogada depois que a Justiça descobriu que ele estava “passeando” pela cidade quando deveria estar em casa.

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