
O pecuarista de Mato Grosso Germano Schaffel Nogueira é apontado como o “cara do agro” citado nas investigações da Polícia Federal (PF) sobre tentativa de golpe de Estado para impedir a posse do presidente da República Lula (PT). As informações são do Repórter Brasil.
Ele é citado pela PF como um dos elos entre o agronegócio e o general da reserva Mario Fernandes. O oficial foi preso em 19 de novembro por suspeita de elaborar um plano para matar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF Alexandre de Moraes.
ReproduçãoRepórter Brasil
Tornado público nesta semana pelo STF, o relatório da PF descreve Mario Fernandes como “um dos [oficiais de alta patente] mais radicais”. Ex-secretário-executivo da Secretaria-geral da Presidência da República no Governo Jair Bolsonaro (PL), o oficial é indicado pela PF como responsável por incentivar manifestantes acampados em quarteis após as eleições de 2022.
As articulações incluíam representantes do agronegócio, como Germano Schaffel Nogueira. Líderes de caminhoneiros, como o mato-grossense Lucão, também estavam em Brasília para fortalecer o acampamento.
Segundo o Repórter Brasil, a PF descobriu que Germano Schaffel Nogueira foi o organizador da “Manifestação pela Liberdade”, ato realizado na Esplanada dos Ministérios em 30 de novembro de 2022. De acordo com os investigadores da PF, a manifestação era de especial interesse do general Mario Fernandes.
A reportagem informa que nome de Germano Schaffel Nogueira aparece em um documento enviado ao Governo do Distrito Federal como o responsável pelo ato. O arquivo foi encontrado em uma comunicação enviada pelo general Mario Fernandes ao tenente-coronel José Luiz Sávio Costa Filho, que também coordenava as atividades do acampamento golpista em frente ao quartel-general do Exército em Brasília (DF), segundo a Polícia Federal.
Segundo o inquérito, a manifestação foi organizada com incentivo do general e tinha o objetivo de criar uma pressão popular a favor do golpe. No mesmo dia, parlamentares bolsonaristas se reuniam naquele mesmo dia no Senado para questionar o resultado das eleições.
“O evento, além de propagar informações falsas sobre as eleições, também serviu de palco para pessoas aderentes ao intento golpista defender a aplicação anômala do artigo 142 da Constituição Federal, com um falso silogismo que justificaria o respaldo constitucional de uma ação militar para reverter o resultado das eleições”, diz o relatório.
O artigo 142 é usado pelos golpistas como argumento para uma intervenção militar. STF, por sua vez, já afastou qualquer interpretação de que os militares teriam um “poder “moderador” no país.
Fotos armazenadas no celular de Mario Fernandes mostram que ele esteve na manifestação organizada por Nogueira às 7h56 do dia 30 de novembro, horas antes do início da audiência pública no Senado. O oficial também solicitou a diferentes oficiais de alta patente o envio de vídeos para “potencializar a presença do pessoal” no ato. Contudo, apesar do pecuarista ter estimado público de 2.000 pessoas, apenas 200 apoiadores se encaminharam para o ato, de acordo com reportagem do Metrópoles.
O Repórter Brasil também informa que Germano Schaffel Nogueira e Mario Fernandes mantiveram contato após a fracassada manifestação. Em troca de mensagens em 19 de dezembro de 2022 o general orienta a manter o movimento golpista.
“Meu amigo, aguarda, mantém as mesmas ações, a mesma vontade, certo? No apoio a nós, tá ok? A gente continua acreditando muito. Mesmo porque a gente considera que não existe outra saída […] Independente da solução, a gente mantém contato. Vou seguir sempre à tua disposição aqui por Brasília”, afirma o general em áudio ao pecuarista.
O advogado de Germano Schaffel Nogueira, Levi de Andrade, negou à Repórter Brasil que seu cliente seja um dos líderes das manifestações e do acampamento em frente ao exército em Brasília.
Segundo o advogado, Germano Schaffel Nogueira conheceu o general Mario Fernandes no acampamento e “a partir dali surgiu uma amizade”. “Ele teve um ou dois contatos com o general, mas como bem observado na interceptação, em momento algum ele concorda ou pede qualquer ato em desacordo com a lei, e nunca mais teve contato com ele, foi só nesse período e nunca mais se conversaram”, afirma Levi de Andrade ao Repórter Brasil .
O pecuarista está sendo representado pelo mesmo advogado de condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. Alguns de seus clientes são o deputado federal Zé Trovão (PL-SC), alvo de inquérito dos ataques, e o empresário do Mato Grosso Milton Baldin, que está preso desde o final de 2022, após convocar CACs (atiradores) para a diplomação de Lula em dezembro daquele ano. ReproduçãoRepórter Brasil
Documento da PF cita ligação entre general Mario Fernandes e Germano Nogueira
Pessoal do Agro
As investigações da PF que levaram à prisão do general Mario Fernandes revelaram que Bolsonaro vinha sendo pressionado a usar as forças para reverter o resultado eleitoral. Parte da pressão seria de um “cara do agro”.
“O presidente tem recebido várias pressões para tomar uma medida mais, mais pesada onde ele vai, obviamente, utilizando as forças, né? … É cara do agro. São alguns deputados, né?”, disse Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, ao então comandante do Exército, general Freire Gomes, que não iria aderir ao plano golpista.
O general Mário Fernandes também afirmou em outro áudio estar orientando “o pessoal do agro” em suas ações. “A gente tem procurado orientar tanto o pessoal do agro como os caminhoneiros que estão lá em frente ao QG”, disse o general a Mauro Cid. A única identidade revelada no relatório é o de Germano Schaffel Nogueira, sem outras citações.
Segundo o advogado Levi de Andrade, Germano Schaffel Nogueira nunca, jamais, representou o agronegócio”.
Pecuarista formado em medicina veterinária, Germano Schaffel Nogueira administra duas fazendas em Castanheir. Informações acessadas pela Repórter Brasil mostram que ele assinou, em 2014, um Termo de Ajustamento de Conduta junto à Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Mato Grosso se comprometendo a recuperar 36 hectares de área de preservação permanente degradada.
Segundo dados da Receita Federal, acessados inicialmente por meio do Cruzagrafos, ele também é dono de uma assessoria agropecuária em Juína e de uma empresa de segurança privada na cidade, vizinha a Castanheira. Também já foi proprietário de um clube de tiro na cidade.
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