
Rodinei Crescêncio/Rdnews
A tendinite é uma inflamação ou irritação de um tendão, estrutura que conecta o músculo ao osso. Essa condição é comum em várias regiões do corpo, como ombros, cotovelos, joelhos e tornozelos, e pode gerar dor e limitações nas atividades diárias. A seguir, vamos explorar os principais tratamentos disponíveis para ajudar na recuperação e na prevenção de novos episódios.
1. Diagnóstico e avaliação
O primeiro passo para tratar a tendinite é realizar uma avaliação médica adequada. Exames físicos, ultrassonografia ou ressonância magnética podem ser indicados para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade da lesão e guiar o tratamento mais eficaz.
2. Repouso e modificação de atividades
O repouso é essencial para permitir que o tendão se recupere. Reduzir ou adaptar as atividades que causaram a lesão ajuda a aliviar a pressão sobre o tendão, favorecendo a diminuição da inflamação e da dor.
3. Aplicação de gelo
A aplicação de gelo nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas pode ajudar a reduzir o inchaço e a dor. Recomenda-se aplicar o gelo por cerca de 15 a 20 minutos, várias vezes ao dia, com intervalos entre as aplicações e sempre protegendo a pele com um pano ou toalha.
4. Medicamentos anti-inflamatórios
Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem ser usados para controlar a dor e a inflamação. Esses medicamentos, no entanto, devem ser usados sob orientação médica, pois o uso prolongado pode causar efeitos colaterais, especialmente no estômago e nos rins.
5. Fisioterapia
A fisioterapia é uma parte fundamental do tratamento da tendinite. Exercícios de fortalecimento e alongamento ajudam a melhorar a mobilidade e a função do tendão. Técnicas como ultrassom, eletroterapia e terapia manual podem ser utilizadas para aliviar a dor e acelerar a recuperação.
6. Infiltrações e PRP (Plasma Rico em Plaquetas)
As infiltrações são uma alternativa para casos de tendinite que não respondem aos tratamentos convencionais. Podem ser realizadas com corticoides, que ajudam a reduzir a inflamação de forma rápida, ou com ácido hialurônico, que contribui para a lubrificação e o amortecimento da área afetada. Essas infiltrações são indicadas com cautela, já que o uso prolongado de corticoides, por exemplo, pode enfraquecer o tendão.
Além das infiltrações tradicionais, o Plasma Rico em Plaquetas (PRP) é uma técnica da medicina regenerativa aplicada em algumas situações para o tratamento de tendinites. O PRP consiste na injeção de uma concentração de plaquetas do próprio paciente na área lesionada, liberando fatores de crescimento que promovem a cicatrização e regeneração do tecido. No Brasil, entretanto, o PRP ainda é considerado um tratamento experimental, e seu uso deve ser discutido com o paciente e avaliado cuidadosamente, considerando as evidências científicas e a segurança do procedimento.
7. Terapia por ondas de choque
A terapia por ondas de choque é uma técnica não invasiva utilizada para estimular a circulação e promover a regeneração do tecido. É indicada para tendinites crônicas e difíceis de tratar e pode trazer bons resultados em casos que não respondem aos métodos convencionais.
8. Exercícios de reabilitação e prevenção
Quando a dor começa a diminuir, é essencial iniciar um programa de reabilitação com exercícios de fortalecimento, alongamento e propriocepção. Esses exercícios ajudam a estabilizar a musculatura ao redor do tendão, prevenindo novas lesões e melhorando a funcionalidade do membro afetado.
9. Ajustes na postura e ergonomia
Para evitar o retorno da tendinite, é importante adaptar a postura e a ergonomia das atividades diárias e do ambiente de trabalho. Ajustes simples, como a altura da cadeira, o posicionamento dos braços e a forma de segurar objetos, podem aliviar a pressão sobre os tendões. Um fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional pode ajudar a orientar essas adaptações para prevenir o agravamento ou o retorno dos sintomas.
Conclusão
O tratamento da tendinite envolve uma abordagem multifatorial, que inclui desde o repouso e o uso de gelo até intervenções mais específicas, como infiltrações e terapias regenerativas. Em casos de tendinites resistentes a tratamentos convencionais, terapias como o PRP e a terapia por ondas de choque oferecem alternativas promissoras, embora o PRP ainda seja considerado experimental no Brasil. O acompanhamento de um profissional é essencial para escolher o tratamento mais adequado, promovendo uma recuperação completa e minimizando o risco de recorrência.
Adotar hábitos de prevenção e fortalecer a musculatura envolvida são medidas fundamentais para manter os tendões saudáveis e evitar novos episódios de tendinite.
Fellipe Ferreira Valle é formado em medicina pela Universidade de Medicina de Teresópolis -RJ, realizando posteriormente residência médica em ortopedia na Santa Casa de Belo Horizonte onde também realizou especialização em cirurgia do joelho e cirurgia do ombro e cotovelo. É também membro fundador da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual e Socio efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Professor de medicina na UNIVAG e preceptor da residência de ortopedia da UNIC. Instagram :@dr.fellipe

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