
Rodinei Crescêncio/Rdnews
José Nilton que disse nunca ter pensado, na juventude, que seria Papai Noel, revelou em entrevista especial ao , que hoje em dia não se imagina fazendo outra coisa. “Até a minha fisiologia mudou. Eu já pareço mais um pouquinho com o Bom Velhinho”, brincou José enquanto batia a mão na própria barriga. Sobre os inúmeros pedidos recebidos enquanto está sentado na famosa poltrona vermelha, José disse que, nos últimos anos, os desejos são diferentes, pois as pessoas pedem por amor, esperança, saúde e emprego ao invés de bens materiais. Por isso, o recado dele, enquanto Papai Noel, é: “esquecer tudo o que passou, inclusive coisas ruins, pensar em Deus, na família e no próximo”, declarou.
Confira, abaixo , os principais trechos da entrevista
Como tudo começou? Em que momento o senhor passou a interpretar o Papai Noel?
Eu faço Papai Noel há mais de 40 anos. Eu comecei a fazer em São Paulo, era lojista lá, mas eu nunca pensei em ser Papai Noel. Nunca falei: “eu vou ser Papai Noel”. Aí, por acaso, todo fim de ano, eu tinha a loja com a minha família, então sobravam coisas, roupas, brinquedos e tal. Então eu saía distribuindo e isso foi pegando e o Papai Noel ficou. Entendeu? Aí, coloquei o nome da minha loja de Casa do Papai Noel. Não estava preparado, nada. Depois eu fui para o Rio Janeiro e vim para Mato Grosso, faz quase 25 anos. Eu vim para fazer o Natal no Shopping Goiabeiras.
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Quando o senhor descobriu que tinha vocação?
Eu tinha uma casa muito bonita em São Paulo, no interior de São Paulo. Eu enfeitava ela inteirinha, no Natal. Milhares de lâmpadas. E na minha caminhonete eu enfeitava inteirinha também. Aí eu comecei a me apegar, a gostar do que eu estava fazendo. Eu fazia assim, por diversão, porque eu gostava. Era apaixonado por aquilo. E a turma mesmo, começou a falar: “Aqui mora o Papai Noel. Aqui é a loja do Papai Noel”. Até quando eu estava com a minha caminhonete eles diziam: Olha o trenó do Papai Noel”, não chamava nem de caminhonete, chamava de trenó. Aqui em Cuiabá mesmo, em Várzea Grande, eu estava parado com a minha caminhonete, eu ouvi assim: “Olha o Papai Noel está aí. Vamos lá, que eu quero dar um abraço nele”, e o pai ou a mãe vai até mim com a criança. É muito gostoso viver isso aí. E foi, Deus foi me colocando no meu coração para eu continuar fazendo esse papel. Eu me sinto feliz, muito feliz mesmo. Já me sinto o próprio velhinho. Porque nunca, nem meus vizinhos me chamam por nome. É Papai Noel. Só Papai Noel, em todo lugar que eu vou.
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Mesmo com mais de 40 anos interpretando o Papai Noel, o senhor ainda tem uma preparação para o papel, durante o período que antecede o Natal?
Eu fico preparado o ano todo, né? Porque… Balinha, pirulito, eu dou todos os dias. Onde eu vou, eu coloco a balinha em mim aqui, oh no bolso – disse enquanto mostrava um saco de pano vermelho que estava no bolso de sua calça. Então, a gente faz isso o ano inteirinho. Eu vou na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), vou em creches, vou em asilos. E também visito o Hospital do Câncer, sou voluntário lá há 21 anos. Então, a gente faz isso o ano todo.
Então, o Papai Noel, não trabalha só no dia 25?
Não. É o ano inteirinho. O ano inteiro. Eu sou o único Papai Noel que dá balinha e pirulito todos os dias. Se você passar cinco vezes por mim, as cinco vezes, você vai ganhar um pirulito, bala… Deus nunca deixou faltar.
Estando na poltrona, já chegou algum pedido inusitado para o senhor? Seja de criança, ou de adulto também, né? Porque hoje em dia não são só as crianças que pedem algo ao Papai Noel
No ano passado teve uma menina. Ela veio até mim, triste, quase chorando e falou: “Papai Noel, eu não vim pedir algo para mim, mas para o meu pai. O meu pai está desempregado, faz tempo, e ele está desesperado. Eu estou com medo dele fazer alguma coisa errada, porque não consegue serviço”. Aí eu conversei com ela, falei o que sempre falamos para essas pessoas, com belas palavras e ela começou a ficar emocionada, chorou e eu falei para fazermos uma oração, ali mesmo, e eu disse a ela que tinha muita fé e a certeza que Deus daria esse presente para o pai dela, naquele Natal. Uma semana depois, ela voltou ao shopping, toda feliz, com o pai dela… olha, até me arrepiei de lembrar – disse mostrando o braço arrepiado – e ela falou que ele estava empregado. Esse negócio é muito sério. É a fé da pessoa. Não sou eu, não, isso é Deus. Rodinei Crescêncio/Rdnews
Hoje em dia, costumamos associar o Natal à compra de roupas novas, troca de presentes e, às vezes, esquecemos da celebração, da união, da família. Como o senhor tem visto essas mudanças?
Antigamente o Natal era a família, reunião das famílias. Filhos, que você não via há muito tempo, todo ano estavam juntos ali. Então o Natal era a reunião da família. E hoje mudou muito isso aí. Tem pessoas que vão até a poltrona do Papai Noel para conversar com a gente, estão muito carentes, precisando de amor, entendeu? Então a gente sente e se pergunta o porquê disso aí. Elas ficam emocionadas. O nosso mundo está diferente, mudou muito. Todas as minhas orações eu falo para Deus realizar o sonho e o pedido das pessoas que passaram por mim. Eu acho que esse fim de ano as pessoas têm que esquecer o que passou, não é momento de brigar por política, a política é suja, não leva a nada. Temos que pensar mais um pouquinho em Deus, pensar na família, pensar no próximo, porque do jeito que está, está difícil. A pessoa nunca pensa em querer ajudar o outro, ela não quer saber disso. Então, nós temos que olhar nas pessoas, na família, ter carinho pelos filhos, dar conselhos a eles, abraçá-los, falar eu te amo. Tem pessoa que tem vergonha de falar eu te amo. Então, nós temos que falar todas as coisas boas que sentimos, respeitar mais o outro. Onde tem amor, tudo é diferente, tudo muda a vida das pessoas.

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