
O Comitê Mato-grossense em Defesa da Palestina divulgou nota de repúdio ao governador Mauro Mendes (União Brasil), que recebeu o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, acompanhado pelo assessor de agronegócios e Água da Embaixada Ari Fischer, no Palácio Paiaguás, No encontro, foi apresentado o potencial de produção agrícola de Mato Grosso e formalizada a assinatura de Declaração Conjunta de Cooperação.
Mayke Toscano
“A partir de agora, nosso tão amado Mato Grosso suja as suas mãos de sangue ao apoiar um estado que realiza, neste momento, o maior genocídio do século, sobre territórios palestinos que ocupa ilegalmente”, diz trecho da nota.
Para o comitê, o governador deixou claro o seu apoio à “doutrina sionista de genocídio e limpeza étnica” contra a população de Gaza e do Líbano colocada em prática pelo governo israelense. A nota também contesta a parceria comercial entre Mato Grosso e Israel, lembrando que . em 2023, entre janeiro e setembro, o Brasil exportou um total de US$ 570,4 milhões para Israel, o que representa apenas 0,2% do total de mercadorias embarcadas pelo país.
“Ainda que o tema da reunião tenha sido a exportação de commodities produzidas em Mato Grosso, fica clara sua intenção em ampliar o domínio sionista sobre políticos brasileiros, expandindo a propaganda de guerra para criar o consentimento para os crimes de Israel, que já duram mais de 76 anos, e que, apenas nos últimos 13 meses, apagou mais de 900 famílias palestinas inteiras dos registros civis”, completa.
“Deixamos aqui o nosso repúdio, enquanto mato-grossenses, contra esse explícito apoio político a um estado pária, investigado pelos tribunais internacionais por genocídio, que está assassinando civis, destruindo completamente toda a estrutura civil na Palestina e no Líbano, e aterrorizando os países do Oriente Médio diariamente, sem nenhuma responsabilização”, afirma o documento.
Comenda Senador Filinto Müller
O comitê também repudia a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) pela entrega da Comenda Senador Filinto Müller ao embaixador israelense Daniel Zonshine. Conforme a nota, honraria, mais alta do Poder Legislativo Estadual destina-se a reconhecer ações em favor dos direitos humanos, da democracia e da cidadania.
Reprodução
“No entanto, essa homenagem, ao invés de exaltar esses valores, insulta a dor e o sofrimento do povo palestino que, neste exato momento, é vítima de uma das mais trágicas crises humanitárias do nosso tempo”, critica
Conforme o comitê, ao oferecer a comenda ao representante de Israel, a ALMT não apenas ignora o sofrimento dos palestinos como endossa, ainda que indiretamente, a continuidade da violência. Por isso, repudia a concessão da honria
“É inaceitável que, em nome dos cidadãos mato-grossenses, se escolha silenciar a dor de um povo em prol de uma homenagem que contradiz os próprios valores que representa: a defesa dos direitos humanos, a paz e a solidariedade entre os povos. O povo de Mato Grosso não compactua com injustiças e opressão. Repudiamos, com todo nosso pesar e indignação, a concessão desta honraria e expressamos nossa solidariedade aos palestinos, que merecem nosso respeito e empatia, e não o esquecimento. Que possamos honrar verdadeiramente a memória e o espírito de uma comenda dedicada à justiça, à paz e à humanidade”, concluiu a manifestação.
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