Ouro na Itália, atleta da Rotam sonha com mundial e diz que esporte salva vidas

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Rodinei Crescêncio/Rdnews

Felipe Leonardo faturou ouro inédito no Campeonato Europeu de Jiu-Jitsu, em Roma, na Itália. O jovem mato-grossense faz parte do projeto social Jiu-Jitsu Rotam da Polícia Militar de Mato Grosso. Felipe treina no projeto desde os oito anos. E, para se sagrar campeão, o lutador enfrentou seis adversários. Ele teve alto desempenho nas lutas e conseguiu quatro vitórias por finalização para conquistar o ouro inédito. Em uma semana, Felipe faturou dois títulos na Itália. Além do Campeonato Europeu, o atleta também ganhou o Open Roma pela International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF), que é a maior federação internacional do mundo de jiu-jitsu. Em entrevista especial ao , Felipe detalha como foi a conquista das medalhas longe de casa e destacou a importância do projeto social da Rotam na vida dos jovens. O lutador citou também os aprendizados e deixou conselhos para quem tem interesse em ingressar nas artes marciais.

Veja, abaixo , principais trechos da entrevista

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Dois grandes títulos internacionais conquistados na Itália. Como foi faturar medalhas de ouro no Open Roma e no Campeonato Europeu?

A experiência foi única. Momento ímpar de poder estar indo para outro país e trazendo coisas boas para nosso estado. É muito importante participar de um grande evento do tamanho do europeu e o aberto de Roma, onde todo atleta almeja estar. Fiquei muito feliz em ver os meus amigos lá também lutando nesse grande torneio, porque é muito difícil sair daqui de Mato Grosso e competir do outro lado do continente. Digo que foi uma experiência muito boa, ainda mais porque fiquei em primeiro lugar no Roma Open, fizemos três lutas duríssimas com atletas de vários países da Europa. E no europeu, graças a Deus, fui campeão fazendo cinco lutas pesadas também, finalizando quatro delas. Foi muito legal! Além disso, tive a oportunidade de ver a evolução do meu nível técnico. Antes eu tinha um bloqueio, pensava: “cara eu tenho que me testar, o pessoal de lá é  muito duro e tudo”, mas eu vi que o nosso trabalho que estamos fazendo aqui no projeto da Rotam vem trazendo um excelente resultado.

Como foi a experiência de ser campeão europeu? Qual bagagem você traz para Mato Grosso? “ Todo esforço e dedicação nos treinos, valeu a pena” Felipe Leonardo

Eu estava treinando muito bem com meus professores, onde estava fazendo um excelente trabalho aqui, então eu estava confiante, muito confiante, porque eu sabia o preço que eu paguei, cada gota de suor e esforço, eu sabia que iria valer a pena. Trago uma experiência única de lá, duas medalhas únicas para Mato Grosso. É um momento de muita felicidade, tanto para mim quanto para todos os que participam do projeto da Rotam. É uma sensação maravilhosa, pois fiquei muito emocionado quando fui campeão. Todo esforço e dedicação nos treinos, valeu a pena. Ver minha família e minha equipe torcendo por mim a cada luta, foi muito importante.

Como foi o clima ao chegar em casa com duas medalhas de ouro no peito? Família e amigos ficaram na torcida? “ Tive a oportunidade de romper uma barreira representando o nosso estado” Felipe Leonardo

Vou falar um pouco de como eu ganhei as medalhas na Itália, porque ganhei um campeonato, o campeonato europeu. Mas eu não sabia que estava todo mundo aqui assistindo e torcendo por mim. As lutas eram transmitidas ao vivo e eu não sabia. Eu ganhei os campeonatos, beleza né, mas eu estava sem internet. Tinha um outro menino que estava comigo, o Marcos Lobo e ele falou: “ah, você viu o grupo?”; Eu falei: “não vi, cara, sem internet”. Aí ele falou: “não, peraí”, passou a internet para mim e tudo, aí eu vi o grupo. A emoção veio porque a galera toda estava torcendo para mim. Foi um momento importante, pois me ajudou muito. Quanto a volta para casa, cheguei aqui em Mato Grosso em um dia bem cedo, por volta das 5h da manhã, estava meio cansado, mas o professor me chamou para conceder algumas entrevistas para a imprensa. A galera toda veio me parabenizar e foi muito bacana, pois é um momento único com o pessoal. Tive a oportunidade de romper uma barreira representando o nosso estado. Diversas crianças também vieram me parabenizar e falaram que eu era uma inspiração para eles. Achei muito bacana esse momento em minha vida. Rodinei Crescêncio/Rdnews

Jornalista Douglas Santos durante entrevista com o lutador de jiu-jitsu Felipe Leonardo na sede do projeto da Rotam

Como você se sente representando Mato Grosso e o Brasil em campeonatos internacionais? 

Com certeza me sinto muito orgulhoso. Meu foco sempre foi levar o nome de Mato Grosso e a bandeira do nosso país para fora. Além disso, um dos meus objetivos também era mostrar a importância do projeto social, que foi importante para mim e revelou esse bom caminho. Foi aqui na Rotam que tudo começou, tive as oportunidades, então eu sinto uma honra em levar o nome do projeto para fora do Estado e do país.

Você se sente pressionado quando está em disputa?

Eu sou muito tranquilo nessa questão, acredito que eu tenho um mental muito bom. Sei que se carregar isso na mente pode acabar metendo aquela pressão e acaba prejudicando.

Como surgiu o interesse pelo jiu-jitsu e quando começou a praticar? Teve influência de alguém?

Tudo começou com o meu primo, além de alguns amigos. Eu praticava a escolinha de futebol, inclusive, gostava muito de jogar bola. Porém, meu primo praticava o jiu-jitsu, até que um dia ele me fez o convite para conhecer essa modalidade. No início, acabei não querendo porque gostava de jogar bola, assim como toda criança gosta, mas com o tempo, de tanto ele insistir, acabei cedendo, vim conhecer o projeto e continuei até hoje.

Você faz parte do projeto social de jiu-jitsu do Batalhão da Rotam. Como funciona e qual a importância dessa ação nas vidas das crianças e jovens?

O projeto surgiu na minha vida em um momento importante porque comecei com oito anos e tudo isso aí, na minha adolescência, foi muito importante na minha formação com o projeto e o esporte. Aprender o que é certo e o que é errado. Aprendi com o jiu-jitsu todos os atributos que o esporte pode oferecer como respeito, resiliência e disciplina. Todo o atributo que o esporte pode oferecer, principalmente, por nós estarmos no Batalhão da Rotam, eles insistiam nessa formação cidadã.

Você coleciona diversos títulos regionais, nacionais e, agora, internacionais. Gostaria de uma avaliação dessa trajetória e quais são as conquistas marcantes da sua carreira? “ Tudo isso que está acontecendo na minha vida foi degrau em degrau, pois sempre foi um sonho para mim” Felipe Leonardo

Eu estava conversando com o meu patrocinador, onde ele me falava… “Sabe a referência que você está sendo hoje?” Eu não tenho muita noção quanto a dimensão que isso tomou, porque antes a gente trabalhava para lutar em um estadual, mas, agora, estou indo a um campeonato europeu. Isso faz a gente pensar na nossa trajetória.  Tudo isso que está acontecendo na minha vida foi degrau em degrau, pois sempre foi um sonho para mim e  graças a Deus está dando tudo certo. Sobre as conquistas marcantes, eu já sou campeão estadual, campeão brasileiro, campeão europeu,  campeão sul-americano também. Esses são alguns dos títulos mais importantes que eu tenho. Porém, as conquistas mais emocionantes foram essas de agora, na Itália. Com certeza, eram títulos que eu estava muito ansioso para conquistar porque, no início do ano, eu acabei em lutando o europeu com kimono, mas acabei parando nas quartas de final e, agora, eu vim com sede, querendo pegar esse título. Hoje eu sou o segundo no ranking. Cada campeonato que você vai competindo, você vai ganhando pontos. E nesses campeonatos maiores, a soma de pontos são maiores quando se ganha. Hoje eu ocupo o segundo lugar, falta bem pouco, se eu não me engano, quinze pontos para passar o primeiro. Agora, vou continuar trabalhando para passar ele e chegar ao topo.

Treinador e terceiro-sargento Victor Paz, o que falar dessa pessoa? 

Quanto ao treinador Victor Paz, desde o início quando cheguei aqui no projeto, ele me acolheu, assim como o sargento Roderiky. São muitos anos de convivência, de amizade. Ele é a pessoa que me ensinou o que é o certo e errado, junto com com o Roderiky. Juntos, me mostraram o caminho certo e o que devo fazer, tanto no jiu-jitsu, quanto na escola e na vida também.

Como é Felipe Leonardo fora dos tatamis? Como que é a sua relação familiar?

Hoje eu moro com minha mãe, cresci junto dos meus pais. Atualmente, eu trabalho com meu pai, também faço minha faculdade e, graças a Deus, tenho uma boa convivência com a minha família. Não tenho nada para reclamar, pois eles me ajudam demais. Sempre me apoiaram desde o início. Lembro a primeira vez que meu pai comprou um kimono para mim. Quando ele comprou, eu já quis colocar para ver como ficava. Nunca faltou apoio da minha família e também do projeto. Principalmente o Paz, o Roderiky, que não me deixaram sair do eixo. Sempre eles falavam: “não Felipe, vem treinar, vem treinar”. Não deixava eu querer cortar caminho para outro lugar. Eles sempre me firmaram nessa direção, principalmente meu pai, minha mãe, mostraram o caminho do bem. Faltam palavras para agradecer o apoio deles em minha vida.

Você é considerado um jovem promissor nas artes marciais. Qual o seu maior sonho na carreira do Jiu-Jitsu?

Rodinei Crescêncio/Rdnews

O maior objetivo é inspirar as pessoas, hoje eu vejo que já sou inspiração para alguns aqui do projeto, não só daqui, como muita gente de fora do jiu jitsu. Meu maior sonho é me formar, dar uma direção para ela, provar que isso é possível, que nós temos total condição de chegar lá e fazer acontecer e futuramente ser um grande professor para estar passando tudo que meus professores passaram para mim, então penso estar nesse trabalho futuramente.

Você sonha em ganhar algo ainda?

Com certeza, com certeza! Tem muita coisa. Falta o mundial, estou focado para isso, vai acontecer, para mim estar lutando o mundial, se Deus quiser, vai dar tudo certo. O mundial acontece em 11 de dezembro, mas tudo vai depender do visto americano.  Se der tudo certo, se Deus quiser vai dar certo, vou estar indo lutar o campeonato mundial. 

Quem pode participar do projeto  jiu-jitsu da Rotam?

Todo mundo pode participar, desde criança a partir de seis anos. Para os adolescentes e adultos existem turmas específicas para cada uma deles. Os interessados podem entrar em contato lá na página do projeto jiu-jitsu da Rotam , mandar uma mensagem e falar com o coordenador do projeto. Ele vai receber os senhores muito bem. Além do jiu-jítsu, o projeto social inclui também o Grêmio Rotam, que é escolinha de futebol.

Quais conselhos você deixa para quem tem sonho de entrar para o jiu-jitsu?

O conselho que eu deixo não é só para o jiu-jitsu e, sim, para qualquer esporte. O esporte muda a vida e salva a vida. Porque eu conheço os relatos daqui do projeto que o esporte mudou a vida completamente, não só da minha como da pessoa. Então, ele não pode ser um atleta de ponta, mas sim a vida dele muda e toma um rumo do caminho do bem, que é formar cidadãos. O esporte não é só formar atletas e, sim, formar cidadão de bem, que aí são os tributos de qualquer esporte. São formar o respeito, a disciplina, a resiliência, tudo, o esporte em si é essa ferramenta de formar cidadãos.

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