
Na noite desse domingo (02), o Brasil fez história ao conquistar, pela primeira vez, o Oscar de Melhor Filme Internacional com “Ainda Estou Aqui”. A vitória, aguardada com grande expectativa, gerou comemoração entre cineastas e toda a população em geral, unindo brasileiros, que entraram em “clima de Copa do Mundo” para fazer torcida pelo cinema nacional. O diretor e roteirista mato-grossense Bruno Bini afirma que não vê o Oscar como uma surpresa, mas como uma confirmação da qualidade do cinema brasileiro.
Alile Dara Onawal
“Há menos de um mês ganhamos prêmio em Berlim, estamos sempre presentes nos maiores festivais do mundo. O cinema brasileiro, para quem conhece, para quem vive de cinema, já é reconhecidamente um cinema que produz obras potentes, importantes e de alta qualidade, que não ficam atrás da produção realizada em nenhum outro país”, destacou.
Ambientado no Rio de Janeiro na década de 1970, o filme “Ainda Estou Aqui” resgata as memórias dolorosas da ditadura militar no Brasil e narra a saga de Eunice Paiva para ter a morte do marido reconhecida, enquanto cria cinco filhos e se reinventa. O longa, além de sua qualidade cinematográfica, despertou debates importantes sobre o passado e o presente político do país.
“ É importante entender toda a dor que se originou de uma tragédia, que mesmo sendo particular, foi tão coletiva para nós enquanto país” Bruno Bini, cineasta
“E é interessante saber resgatar o que aconteceu desde o lançamento desse filme. O quanto esse filme mobilizou as pessoas dentro e fora do país. É um filme de uma temática muito particular, que lida com a forma que uma família e, mais especificamente, uma mulher, a chefe dessa família, lidou com uma tragédia, com um acontecimento tão violento e absurdo, de uma maneira tão digna”, afirmou o cineasta.
Para Bini, partindo dessa família, é possível debater e conversar sobre o que aconteceu com outras milhares de famílias durante a ditadura.
“Esse é um tema que não é datado, é uma coisa que aconteceu no nosso passado, mas é uma história muito recente, que muita gente que está viva passou. É também um tema recente, na medida em que se vê manifestações de figuras políticas ou até da população, se posicionando de uma maneira absurdamente favorável ao período ditatorial ou a algumas ações que foram realizadas naquele período. Então é importante entender toda a dor que se originou de uma tragédia, que mesmo sendo particular, foi tão coletiva para nós enquanto país”, pontuou.
Annie Souza/Rdnews
O reconhecimento pelo Oscar também levanta reflexões sobre o apoio à cultura no Brasil. Para o diretor, a premiação deve servir como um reforço à importância de um investimento mais consistente no setor audiovisual. “ Ela [a cultura] precisa ser tratada de uma maneira estratégica para o país, como é feito em outros países”
“Ela [a cultura] precisa ser tratada de uma maneira estratégica para o país, como é feito em outros países. Estamos acostumados a consumir a cultura e o conteúdo artístico dos Estados Unidos, de países europeus. Precisamos entender que a produção artística de um país tem o valor imaterial, mas é uma questão estratégica também. É uma questão de fortalecimento da imagem do país”, pontuou.
O Brasil já havia chegado perto do Oscar em outras ocasiões, com indicasções memoráveis como O Pagador de Promessas (1962), O Quatrilho (1996), Central do Brasil (1999) e Cidade de Deus (2004).
Agora, com Ainda Estou Aqui, o país alcança um novo patamar no cenário mundial do cinema. “Acredito que é um momento de olhar para essa premiação como um reforço a um compromisso de um país com a cultura, porque quando se investe, tem resultado”, concluiu Bini.
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