
Em um momento conturbado na temporada, o Cuiabá inicia neste domingo (06) sua jornada para retornar à elite do futebol brasileiro. Com uma reformulação total no elenco e também na comissão técnica, o Dourado precisará se recuperar e muito para ter sucesso no final de 2025.
O primeiro adversário da equipe mato-grossense será o Volta Redonda. Na primeira rodada, o Dourado jogará fora de casa e vai enfrentar o time carioca no estádio Raulino de Oliveira, no Rio de Janeiro. A partida está agendada para iniciar às 19h (de Brasília).
AssCom Dourado
O convidou o radialista e pesquisador, Jenisson Bartniski, para analisar e projetar como deve ser a postura do Cuiabá na disputa do Campeonato Brasileiro. Entre os assuntos listados por Jenisson, estão a comissão técnica liderada por Guto Ferreira, o elenco atual, adversários na segundona, além de outros tópicos como saúde financeira do clube e objetivos do time na competição.
Veja, abaixo , a análise completa.
O que esperar do Cuiabá na Série B do Brasileiro
R: A perda do título estadual pelo Cuiabá me lembra o Paris Saint-Germain tropeçando na Ligue 1: um resultado surpreendente, especialmente pelo tamanho do investimento em relação aos adversários. A partir daí, é preciso virar a chave. No cenário local, o Cuiabá está vários degraus acima, mas a Série B é outra história. Agora, o primeiro passo é reorganizar a casa. O time precisa encontrar um padrão com Guto Ferreira, dar liga às novas peças e se preparar fisicamente para uma competição desgastante, com viagens longas e jogos muito equilibrados. O desafio é grande, mas o Cuiabá está no pelotão da briga pelo acesso.
Comissão técnica e estrutura do Cuiabá
A chegada de Guto Ferreira ainda no Estadual foi um acerto. Com quatro acessos na carreira, ele conhece bem a Série B e tem um estilo de jogo que se distancia do pragmatismo tão comum no futebol brasileiro. Para mim, é o melhor treinador que o Cuiabá já teve. A perda do título estadual em casa foi um golpe duro, mas não invalida o trabalho da comissão técnica, que tem experiência para corrigir os erros e preparar o time para a sequência da temporada. Fora de campo, o Cuiabá se destaca. O clube investiu R$ 50 milhões em um centro de
treinamento moderno, proporcionando uma estrutura de ponta aos jogadores. Além disso, manda seus jogos na Arena Pantanal, um estádio de Copa do Mundo – um diferencial em relação a muitos concorrentes da Série B. A infraestrutura está consolidada, permitindo ao clube focar exclusivamente no desempenho dentro das quatro linhas.
Elenco e novas contratações
No elenco, as últimas movimentações no mercado foram interessantes. O retorno do zagueiro Alan Empereur reforça a defesa com sua experiência e liderança, enquanto a contratação do atacante Edu, campeão e ex-artilheiro da Série B, agrega poder ofensivo e faro de gol. São nomes que elevam o nível da equipe e podem fazer diferença ao longo da competição. O desafio agora é dar uma cara para esse time, que conta também com bons jogadores, como o zagueiro Bruno Alves, o lateral Mateusinho, os volantes Denilson e Lucas Mineiro, o meia Max e os atacantes André Luis e Derik Lacerda. Não é um elenco fechado ou ideal, mas tem margem para evolução. O gol, no entanto, ainda é uma incógnita. Desde a saída do ídolo Walter, o atual titular Mateus Pasinato ainda não conseguiu passar a mesma segurança.
Adversários da segunda divisão
Hoje, vejo Athletico-PR, América-MG e Coritiba como os principais candidatos ao acesso em 2025. São clubes com estrutura, investimento e elenco para brigar na parte de cima da tabela desde o início. Logo abaixo, há um bloco competitivo que o Cuiabá integra, ao lado de Atlético-GO, Avaí, Goiás e Novorizontino – todos com condições de crescer durante a competição. Paysandu e Remo, apesar de algumas limitações, têm torcidas enormes que empurram os times, principalmente em casa. E o Amazonas, mesmo com apenas cinco anos de existência, já mostrou que não está na Série B a passeio. A competição será dura. O Cuiabá tem potencial, mas precisará se impor desde o começo, porque não terá vida fácil.
Saúde financeira do clube
Mesmo com a queda de cerca de 50% na receita após o rebaixamento, especialmente pela redução nos direitos de transmissão, o Cuiabá mantém uma saúde financeira relativamente equilibrada. É claro que o poder de compra caiu, mas o clube consegue honrar seus compromissos, o que já é um diferencial na Série B. Um ponto importante é que o Cuiabá tem sido firme na cobrança de valores que tem a receber. O Atlético-MG, por exemplo, contratou Deyverson, mas ainda não pagou ao clube. Corinthians e Santos também precisam quitar as compras de Raniele e Joaquim, respectivamente. No total, são cerca de R$ 34 milhões a receber desses três clubes – um valor significativo para o orçamento do Dourado. É um cenário desafiador. O clube precisa que esses pagamentos entrem para seguir se estruturando e mantendo suas obrigações em dia. A gestão tem sido responsável, mas depende também do cumprimento dos
acordos por parte de outros.
Objetivos em 2025
Se o objetivo já era o acesso, agora virou obsessão. Depois de perder o pentacampeonato estadual e de mais uma eliminação precoce na Copa do Brasil, o Cuiabá precisa dar uma resposta, e essa resposta é voltar à Série A. Estar na elite é fundamental para o clube, não só pelo prestígio esportivo, mas pelas receitas maiores, pela visibilidade e pelo fortalecimento da marca. A Série B é uma competição difícil, mas o Cuiabá tem estrutura e histórico recente que o colocam entre os que devem, sim, lutar pelo acesso até o fim.
Campeonato Mato-grossense
O Cuiabá começou o Estadual sob comando de Bernardo França, que chegou a ser considerado um acerto, mas o time rapidamente perdeu o rumo. Com a chegada de Guto Ferreira, criou-se uma expectativa de evolução técnica e tática, mas essa resposta não veio em campo. Esperava-se um Cuiabá mais agressivo, com padrão de jogo claro, mas o desempenho seguiu abaixo do esperado.
Chegar à final era uma obrigação, dada a superioridade do elenco em relação aos demais. Porém, a derrota para o Primavera em casa foi uma grande decepção, um vexame para um clube com o investimento e a estrutura que o Dourado tem. Que os erros e as lições do estadual sirvam como alerta. O restante da temporada exige mais entrega, mais consistência e, principalmente, resultado.
O que falta no clube para ter um bom desempenho na Série B?
Diria que o principal é corrigir o que não funcionou até aqui. O time precisa encontrar um padrão de jogo mais sólido, potencializar individualmente os atletas e criar uma identidade forte, dentro e fora de campo. A Série B exige casca, regularidade e entrega. Outro ponto fundamental é engajar a torcida. O apoio na Arena Pantanal pode ser um diferencial importante na caminhada. Se o time mostrar comprometimento, a torcida tende a abraçar o projeto e isso pode pesar nos momentos decisivos da competição.
AssCom Dourado Arquivo Pessoal
Biografia de Jenisson Bartniski
Jenisson Edy Viana Bartniski é formado em Comunicação Social, com habilitação em Radialismo, pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde desenvolveu um Trabalho de conclusão de Curso (TCC) sobre os narradores de futebol amador em Cuiabá e Várzea Grande.
Com três anos de atuação na Rádio Conti, cobriu as três primeiras participações do Dourado na Série A.
Atualmente, é mestrado em Comunicação pela UFMT, desenvolvendo uma pesquisa sobre a cobertura radiofônica das emissoras da capital em relação à participação do Auriverde da Baixada na elite do futebol brasileiro.Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

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