O legado do papa Francisco e os rumos da igreja católica no século XXI

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Rodinei Crescêncio

A morte do Papa Francisco marca o encerramento de um dos pontificados mais significativos da história recente da Igreja Católica. Primeiro jesuíta e primeiro latino-americano a assumir o trono de Pedro, Jorge Mario Bergoglio conduziu a Igreja com um olhar voltado aos marginalizados, ao diálogo inter-religioso e à justiça social. Sua partida, portanto, não é apenas um acontecimento religioso: é um marco político, cultural e simbólico com repercussões globais. “ Seja qual for o caminho, a sucessão de Francisco será mais do que uma troca de liderança espiritual. É uma encruzilhada histórica para uma instituição”

No Brasil, país com a maior população católica do mundo, a influência da Igreja continua profunda, ainda que em constante disputa com o avanço de outras denominações cristãs. Sob Francisco, a Igreja procurou reocupar o espaço público com um discurso mais próximo das realidades populares. Seu apoio a pautas como o combate à pobreza, a crítica à exclusão dos imigrantes, a proteção da Amazônia e dos povos originários ressoou fortemente em solo brasileiro. A visita ao país em 2013, durante a Jornada Mundial da Juventude, simbolizou esse reencontro da Igreja com os jovens e com os excluídos.

No cenário internacional, Francisco destacou-se por sua atuação diplomática e seu carisma político. Teve papel relevante na reaproximação entre Cuba e Estados Unidos, foi voz ativa na crítica às políticas migratórias xenofóbicas na Europa e nos EUA, defendeu o multilateralismo e a luta contra as mudanças climáticas. Encíclicas como Laudato Si’, sobre o cuidado com a Casa Comum, e Fratelli Tutti, sobre a fraternidade e a amizade social, ultrapassaram os muros do Vaticano e dialogaram com líderes políticos e movimentos sociais de todo o mundo.

Com sua morte, inicia-se agora o Conclave para a escolha de seu sucessor, um processo que poderá redefinir os rumos da Igreja e impactar diretamente a geopolítica global. As hipóteses de sucessão giram em torno de três grandes blocos: os cardeais reformistas, que desejam aprofundar o legado de Francisco; os conservadores, que almejam um retorno à ortodoxia doutrinária e moral; e os centristas, que buscam equilibrar tradição e abertura.

A escolha de um papa reformista, como o cardeal Matteo Zuppi (Itália), pode significar a continuidade da política de inclusão e da presença da Igreja nas questões sociais. Por outro lado, um papa conservador, como o cardeal Robert Sarah (Guiné), representaria um recuo em temas como o papel das mulheres, a acolhida de LGBTQIA+ e o diálogo com outras religiões, realinhando a Igreja com setores mais tradicionais e, possivelmente, com governos populistas de direita.

Seja qual for o caminho, a sucessão de Francisco será mais do que uma troca de liderança espiritual. É uma encruzilhada histórica para uma instituição com mais de dois mil anos, cujas decisões ainda moldam consciências, influenciam políticas e inspiram movimentos em todos os continentes. O mundo observa, com expectativa, o que a fumaça branca anunciará.

Escrito com Sara Nadur Ribeiro

Mauricio Munhoz Ferraz é assessor do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso e professor de economia

Link da Matéria – via RD News

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