
Servidores públicos de Mato Grosso denunciaram casos de discriminação e racismo institucional ocorridos durante alocação de aprovados no do concurso público da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), que ocorreu no dia 14 de abril deste ano. Conforme apurado pelo , após a convocação no dia 20 de setembro, todos os candidatos cotistas para as vagas de farmacêutico e enfermeiro foram encaminhados para o interior do estado. Diante disso, uma ação anônima conjunta foi protocolada junto à Procuradoria Geral do Estado (PGE) e na ouvidoria do Ministério da Igualdade Racial.
“Quando saiu a convocação, já saiu para onde as pessoas seriam lotadas, que é uma coisa estranha também, porque normalmente eles fazem a convocação e quando você vai tomar posse, eles mostram o quadro de vagas e os primeiros colocados vão escolhendo. Quando fomos olhar, todos os cargos de cotas, pelo menos para farmacêutico e enfermeiro, foram alocados no interior, sem contar que para estes dois perfis, faltou chamar um PCD pela proporção da quantidade de vagas”, disse ao uma servidora que preferiu não se identificar.
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Ela também destaca que o concurso apresentou uma série de problemas e que só foi realizado após exigência do Ministério Público (MP), por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelo governo de Mato Grosso.
“Não houve consulta se essas pessoas seriam do interior. Tanto é que muitos não assumiram o cargo porque não tiveram condições para mudar lá para o interior. Existe uma regra para se chamar no concurso, mas eles não respeitaram, chamaram vários na sequência para ampla concorrência, que ficaram em Cuiabá, e todos os cotistas foram chamados ao final e mandados cada para uma cidade do interior diferente”, destacou a denunciante.
Os servidores também frisaram que a denúncia foi feita de forma anônima por conta de uma possível perseguição do governo de Mato Grosso contra a classe. Alguns candidatos que tomaram posse já acionaram Justiça, de forma paralela à ação protocolada, para mudar o local de lotação.
“A denúncia é direcionada, em especial, à Superintendência de Gestão de Pessoas e à Gerência de Recrutamento e Seleção, que faz parte da Coordenadoria de Provimento da Superintendência de Provimento, Aplicação e Monitoramento da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (SEPLAG). A denúncia refere-se a possíveis práticas de discriminação e racismo institucional, em violação ao artigo 4º da Lei Estadual nº 10.816, de 28 de janeiro de 2019”, diz trecho do documento protocolado na PGE.
A reportagem do entrou em contato com a assessoria de comunicação da SES, que afirmou que a pasta irá apurar o ocorrido. Por outro lado, não houve esclarecimentos prévios acerca do episódio. O espaço segue aberto para manifestação.

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