Não pode confundir maldade com doença mental, diz promotor sobre Nataly

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O promotor de Justiça Rinaldo Ribeiro de Almeida Segundo, que assina a denúncia contra a bombeira civil Nataly Helen Martins Pereira – ré confessa pelo assassinato da adolescente Emelly Azevedo Sena -, afirmou, nesta quarta-feira (02), que não crê em “surto” por parte da acusada no momento do homicídio. Para o promotor, Nataly tinha plena consciência do crime que estava cometendo e utilizou das vulnerabilidades financeiras e sociais da vítima para atraí-la e matá-la.

“Ela [Nataly] escolheu a vítima por essas vulnerabilidades, na opinião do Ministério Público, acreditando que o seu crime ficaria impune, tanto é que ela enterrou a adolescente numa cova rasa e também pegou o celular da vítima e conversou com o marido  e a mãe da vítima. Ou seja, [para Nataly] se você é pobre, se você é uma garota jovem, pobre, de 16 anos, que mora num bairro que não seja da elite, não tem problema em ter esse fim, porque nada acontecerá”, disparou o promotor. Annie Souza/Rdnews

O promotor de Justiça Rinaldo Ribeiro de Almeida Segundo

Questionado sobre a possibilidade de um pedido para realização de exames de sanidade mental por meio da defesa de Nataly, Rinaldo explicou que a lei prevê um tratamento diferenciado a pessoas que possuem algum distúrbio mental comprovado, sendo internadas em um hospital psiquiátrico. Entretanto, destacou que, às vezes, criminosos buscam esse tipo de diagnóstico porque há poucas vagas no sistema de saúde para aqueles que cometem crimes graves. “  [Nataly] é claramente alguém que tem consciência do que estava fazendo e que poderia não ter feito. Não é alguém em surto, nada disso. A gente também não pode confundir maldade com doença mental” Promotor Rinaldo Segundo

“Eu diria [que é] até uma certa ingenuidade de algumas pessoas de associarem monstruosidade com incapacidade de saber o que fez. Nesse caso, é irrelevante se ela [Nataly] é psicopata. O importante é saber o seguinte: se ela tem a capacidade de entender e de agir como agiu”, explicou.

O promotor disse ainda que o pedido chegou a ser mencionado durante a audiência de custódia, mas que “não era o momento adequado”. Rinaldo destacou também que, até agora, não houve um pedido oficial, mas que deve acontecer durante o decorrer da ação penal.

Segundo Rinaldo, o juiz responsável pelo caso vai analisar o pedido, caso aconteça de fato, e só aí decidirá se vai aceitá-lo ou não. Além disso, destacou que o magistrado não é obrigado a aceitar o pedido.  

“No caso da Nataly, antes de ver o pedido, eu posso dizer o seguinte: a gente tem alguns elementos que mostram que ela tinha conhecimento do que estava fazendo. Então, é claramente alguém que tem consciência do que estava fazendo e que poderia não ter feito. Não é alguém em surto, nada disso. A gente também não pode confundir maldade com doença mental”, destacou o promotor. 

O caso

Emelly Azevedo Sena desapareceu no dia 11 de março, por volta das 12h, após sair de casa, no bairro Eldorado, em Várzea Grande e avisar a família que estava indo para Cuiabá buscar doações de roupas de bebê. O celular parou de funcionar e a família saiu em procura dela, realizando um boletim de ocorrência às 22h.

Na quarta-feira à noite, Nataly e o marido deram entrada no hospital com uma bebê, alegando que o parto teria sido realizado na residência. A equipe médica desconfiou do caso, pois a mulher não tinha indícios de puerpério. Exames apontaram que a mulher não esteve grávida recentemente e que a criança seria de outra mãe.

No dia 13 pela manhã, o corpo de Emelly foi encontrado em uma cova rasa, com pernas e braços amarrados, asfixiada com um fio no pescoço  e um corte de faca na barriga.

Na investigação, a Polícia Civil descobriu que a bebê que estava com Nataly era a filha da adolescente. Quatro suspeitos foram conduzidos, entre eles o marido de Nataly, mas os três foram liberados, tendo permanecido presa apenas a mulher.

A investigação aponta que Emelly ainda estava viva quando teve o bebê arrancado do ventre. Os cortes foram precisos e certeiro no útero, não tendo atingido outros órgãos. Nataly confessou em  depoimento que, antes de matar Emelly, pediu desculpas e disse que cuidaria da bebê.

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Link da Matéria – via RD News

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