
A vice-presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, a vereadora Maysa Leão (Republicanos), afirmou que o voto feminino precisa ir além da identificação de gênero e considerar o compromisso real com a defesa das mulheres. Durante fala em um evento voltado ao combate à violência de gênero, na última semana, a parlamentar destacou que a ampliação da presença na política depende de escolhas conscientes do eleitorado.
Conforme a vereadora, antes do voto, é preciso que o eleitorado conheça a biografia do candidato e suas bandeiras. Às vezes, diante da falta de análise de posicionamentos, atuações e prioridades políticas, votos ficam sem pautas reforçando que nem toda mulher eleita necessariamente defende temas voltadas às mulheres.
“Não basta votar em mulher. É preciso estudar aquela candidata, olhar a biografia, entender o que ela defende. Quando pedimos para votar em mulheres, não é um discurso contra os homens. O que queremos é equilíbrio. Mas é importante votar em mulheres que se coloquem na trincheira para defender mulheres. A mulher que defende essas pautas muitas vezes é chamada de chata, de louca, de histérica. Mas defender mulher é uma guerra, e é assim que a gente começa a mudar essa realidade”, disse.
A vereadora também criticou a baixa presença de mulheres nos espaços de poder e lembrou que a participação feminina nas chapas eleitorais ainda ocorre, em grande parte, por exigência legal. Maysa relatou que a presença feminina tem provocado mudanças na forma tradicional como decisões políticas eram tomadas.
“Por que a gente tem 30% de mulheres nas chapas? Porque é obrigatório. Os homens não nos querem na política. O ‘rolê’ da política era decidido no churrasco, na pescaria, no happy hour. Não era em reunião formal. A mulherada chegou para estragar o rolê, porque agora precisa ter reunião, debate e formalidade”, afirmou.
Como já mostrou o , mesmo representando 51% do eleitorado de Mato Grosso, com cerca de 1,3 milhão de votantes, as mulheres ainda têm presença limitada nos cargos eletivos, principalmente nas posições de maior poder político. Dados do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) mostram que, apesar do avanço no número de vereadoras eleitas em 2024, elas ocupam apenas cerca de 20% das cadeiras nas Câmaras Municipais.
Nas eleições municipais, quando 3.902 mulheres se candidataram, 318 foram eleitas. Apesar do patamar preocupante, houve avanço no número de vereadoras vitoriosas. Em 2024, 274 mulheres conquistaram cadeiras nas Câmaras Municipais, um crescimento de 21% em relação a 2020. Ainda assim, elas ocupam apenas cerca de 20% das 1.404 vagas de vereador existentes no estado.
No comando dos municípios, a presença feminina é ainda menor. Apenas 13 mulheres foram eleitas prefeitas, número inferior ao registrado em 2020, quando 15 venceram o pleito do Executivo municipal, entre os 142 municípios mato-grossenses. Já os cargos de vice-prefeita tiveram leve avanço, com 31 mulheres eleitas, sendo 30 no primeiro turno e a coronel Vânia confirmada no segundo turno em Cuiabá.
O cenário é ainda mais restrito nos cargos majoritários e nas eleições gerais: em 2022, nenhuma mulher foi eleita governadora ou senadora pelo estado, e atualmente apenas duas ocupam vaga na Câmara Federal, Amália Barros e Coronel Fernanda, enquanto na Assembleia Legislativa de Mato Grosso apenas Janaína Riva representa o público feminino entre os 24 parlamentares.

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