MT terá a 1ª indústria de biometano e biogás para produzir combustível e energia

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Mato Grosso terá a primeira a fábrica de biogás e biometano, que serão usados como fonte de energia elétrica e como combustível para veículos no mercado interno e, posteriormente, para o mercado externo. O biogás será produzido a partir da vinhaça e da torta de filtro da cana-de-açúcar. A fábrica, que está em construção, deve entrar em operação em 2027, no município de Nova Olímpia (a 203 km de Cuiabá).  O investimento inicial é de R$ 300 milhões. 

O biogás é um recurso energético obtido a partir da biodigestão anaeróbia de resíduos orgânicos da indústria sucroenergética (palha, bagaço, vinhaça e torta de filtro) e pode ser gerado também de outros resíduos, como da agricultura e pecuária. Ele pode ser utilizado para geração de eletricidade, operando de forma equivalente a uma termelétrica a gás natural, 100% renovável; ou, com a sua purificação, transformado em biometano, biocombustível gasoso composto basicamente de metano, equivalente ao Gás Natural (GNV). Essa é uma fonte de energia considerada valiosa para a transição energética. Kethlyn Moraes/Rdnews

Engenheira da UISA, Vitória Lopes: empresa vai usar biometano na frota 

Na usina da UISA Geo Biogás, em Nova Olímía será produzido a partir de resíduos do processamento de cana-de-açúcar. “A torta de filtro, a vinhaça e a biomassa serão colocadas no biodigestor junto com as bactérias anaeróbias. Elas fazem a digestão, liberando o biogás, que na nossa fábrica vai gerar energia e biometano, além do subproduto que sobra do biogás, que volta para o campo como biofertilizante sólido e líquido”, explica a engenheira da UISA. A estimativa é de uma produção de 27 mil megawatts de energia por ano e 11,4 milhões de metros cúbicos de biometano.

A energia elétrica gerada será direcionada para o consumo dos clientes atendidos pelas distribuidoras no mercado cativo. No caso da produção de biometano, o biogás tem características semelhantes ao gás natural e pode ser utilizado como combustível em veículos, substituindo o diesel ou o gás liquefeito de petróleo (GLP). Além disso, também pode ser injetado na rede de distribuição de gás natural, tornando-se uma fonte renovável de energia para uso doméstico, comercial e industrial.

“Temos a previsão de trocar toda a frota interna de carregamento de cana-de-açúcar para serem utilizados os veículos movidos a biometano, o que vai dar auto suficiência para nós. Mas se nós pegarmos todos os resíduos gerados da produção agrícola, do setor sucroenergético, da proteína animal e do saneamento, Mato Grosso teria a capacidade de substituir 2,8 bilhões de litros de diesel, ou seja, 84% do consumo de diesel de Mato Grosso”, explica Vitória. “  Se nós pegarmos todos os resíduos gerados da produção agrícola, do setor sucroenergético, da proteína animal e do saneamento, Mato Grosso teria a capacidade de substituir 2,8 bilhões de litros de diesel, ou seja, 84% do consumo de diesel ” Exemplifica Vitória Lopes

Desafios

De acordo com a engenheira, há alguns desafios para a implementação do biogás. Um deles é o fato de a vinhaça ser um subproduto sazonal.

“Ela só é produzida durante o período de safra, entre abril e meados de dezembro. Só que o pico de produção é entre julho e novembro e é o único período que nós conseguimos manter a produção de biometano, se produzido somente com a vinhaça no auge. E é muito difícil você conseguir manter uma oferta contínua no mercado dessa forma, por isso, estudamos misturar-lo com os outros subprodutos da usina e garantir uma quantidade de oferta o ano todo”, detalha.

Outro desafio é a logística e comercialização, pela dimensão do estado. “Sempre temos que recorrer a outros estados para máquinas de terraplanagem, aço, insumos. Além dos equipamentos do biogás serem, em grande parte, importados. Por ficar em Nova Olímpia, o custo aumenta. Além disso, para conseguir levar o biometano do município para outras regiões é um custo muito alto. Por isso, já estamos pleiteando junto ao governo uma possibilidade de construir um gasoduto da UISA para Cuiabá. No entanto, ainda é apenas uma ideia, que demanda um alto investimento”, afirma.

A competição com a energia solar subsidiada em Mato Grosso também é um dificultador, por isso a empresa busca uma forma de transformar a energia do biogás como subsidiado. Um ponto da comercialização da energia elétrica.

Incentivos fiscais

Mato Grosso aprovou no ano passado a concessão de benefícios fiscais para a instalação de indústrias produtoras de biogás e biometano, combustíveis renováveis produzidos a partir de resíduos industriais, agropecuários e urbanos. O incentivo foi aprovado pelo Conselho Deliberativo dos Programas de Desenvolvimento de Mato Grosso (Condeprodemat). Com o incentivo aprovado, a expectativa é de que mais grupos empresariais façam investimento nesta área. Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

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