
Mato Grosso é o 7° estado com mais registros de pontos críticos e de alto risco para prostituição de menores nas rodovias federais, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da organização internacional Childhood Brasil, do Projeto Mapear 2023/2024. Foram identificados 177 pontos de prostituição nas BRs.
O estudo analisa estabelecimentos comerciais às margens das rodovias federais que estão mais vulneráveis a ocorrer este tipo de crime, como postos de combustíveis, hotéis e motéis. A exploração sexual envolve a mercantilização da criança ou adolescente, onde o contato ou a relação sexual são trocados por dinheiro, favores ou presentes. Essa exploração pode ser intermediada por adultos ou ocorrer diretamente com a vítima.
Annie Souza
O levantamento revela que em 2021/2022, 33 pontos críticos e 53 pontos de alto risco foram identificados, representando 33% dos 260 locais vulneráveis mapeados nas rodovias federais de Mato Grosso no período. Já no biênio 2023/2024, o número de áreas mapeadas cresceu para 625, dos quais 48 foram classificados como críticos e 129 como de alto risco, correspondendo a 28% do total.
Apesar de uma redução percentual relativa, o aumento absoluto de pontos de vulnerabilidade é alarmante, visto que as rodovias do estado, importantes corredores logísticos, estão se tornando focos de exploração sexual, agravando problemas sociais e colocando em risco grupos vulneráveis, sobretudo mulheres e adolescentes.
Conforme a PRF, essa situação tem evidenciado a necessidade de ações integradas entre autoridades de segurança pública, assistência social e organizações da sociedade civil para conter o avanço desse cenário.
“As consequências da exploração sexual são devastadoras: comprometem o desenvolvimento físico, psicológico e social das vítimas, aumentam os riscos de infeccções sexualmente transmissíveis (IST), uso de substâncias, abandono escolar, gravidez indesejada e até tentativas de suicídio”, diz trecho.
O estudo também pontua, que apesar da pobreza ser frequentemente citada como justificativa para essa violência, a exploração sexual ocorre em diversas camadas sociais e não pode ser explicada por um único fator.
“É um problema multicausal que envolve dimensões culturais, sociais e econômicas. A proteção de crianças e adolescentes contra essa violência passa pela criação de ambientes seguros e pela implementação de medidas preventivas eficazes, tanto no ambiente familiar quanto nas escolas e na comunidade. Algumas estratégias são fundamentais para proteger meninas e meninos da exploração sexual”, diz.
Contudo, segundo a PRF, ainda há subnotificação de casos, o que representa um grande obstáculo, evidenciando a urgência de fortalecer a conscientização social e aprimorar os mecanismos de apoio e denúncia.
De acordo com os dados de resgates dessas crianças e adolescentes em situação de prostituição, 85% das vítimas resgatadas são do gênero feminino, o que está em consonância com o Anuário de Segurança Pública de 2024, que aponta que 88,2% das vítimas de estupro de vulnerável são
meninas.
Além do gênero, os dados de idade mostram que 5% das vítimas resgatadas tinham até 5 anos, 13% tinham entre 6 e 11 anos, enquanto os maiores índices de resgate foram de adolescentes: 40% tinham entre 12 e 15 anos e 41% entre 16 e 17 anos. Assim, 81,7% dos resgates envolveram adolescentes entre 12 e 17 anos.
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