MPF aponta ameaças e coação a contadora da Unimed que identificava problemas

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Na denúncia que apresentou à Justiça Federal contra os 6 alvos da Operação Bilanz, o procurador da República Pedro Melo Pouchain Ribeiro destacou práticas de ameaça è pressão psicológica, principalmente contra uma contadora da Unimed Cuiabá que apontava inconsistências. O MPF decidiu não denunciar esta contadora.

 

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O representante do MPF explica no documento que após Eroaldo de Oliveira ter assumido o cargo de CEO da cooperativa, tendo Tatiana Bassan assumido como assessora dele, foi efetivado um novo modelo de “governança” que implicou em uma significativa alteração no organograma da entidade.

 

Eroaldo e Tatiana começaram a tomar conta das mais relevantes informações contábeis e operacionais da Unimed. Eles atuavam a mando de Rubens de Oliveira Júnior, Suzana Aparecida Rodrigues dos Santos Palma e Jaqueline Proença Larrea. Ana Paula Parizotto, outra investigada, foi designada para o exercício cargo de Superintendente Administrativo Financeiro.

 

Consequentemente, os setores da cooperativa passaram a não mais ter acesso a dados que, até então, lhes eram disponibilizados irrestritamente. A contabilidade da Unimed era comandada pela contadora Maria Gladis dos Santos, desde 2014 até o ano de 2023, pouco depois do fim da gestão de Rubens.

 

“Em 2022, com a ‘governança’ implementada por Rubens, Suzana, Jaqueline e Eroaldo, a gerência de Maria Gladis perdeu a atribuição sobre a área ‘controles internos’, que passou a subordinar-se diretamente ao Núcleo de Monitoramento, representado por Tatiana”, diz trecho da denúncia.

 

Maria Gladis perdeu especialmente o acesso às informações sobre contas médicas e contratos que justificavam os pagamentos da operadora de saúde, que começaram a ocorrer costumeiramente com atrasos.

 

“Ana Paula, como Superintendente Administrativa e Financeiro, e superior hierárquica da contadora Maria Gladis, passou a intervir de modo mais constante na contabilidade; ora ignorando e-mails e pareceres técnicos elaborados pela contadora, que apontavam inconsistências na contabilidade; ora também exercendo pressão psicológica sobre Maria Gladis e proibindo qualquer tipo de correção na contabilidade sem sua prévia autorização. inclusive com ameaças de demissão”, cita o procurador.

 

No início do ano de 2023, durante uma auditoria da CSS Auditores, Ana Paula também teria pressionado Maria Gladis para auxiliar o fechamento de um balanço favorável, sempre com exigências de resultados positivos.

 

Tatiana também exercia pressão psicológica. A partir de 2021, ela passou a atuar com maior frequência e intensidade na Gerência de Contas Médicas, que estava a cargo de Sandra Virgínia Pinheiro.

 

“Tatiana também realizava pressão psicológica sobre Sandra e chegou a aduzir que a melhoria do resultado era necessária exatamente para evitar uma intervenção da ANS na Unimed Cuiabá”.

 

O MPF ainda citou um episódio em que o próprio presidente da Unimed, Rubens de Oliveira, foi hostil com a contadora Maria Gladis.

 

“Em reunião ocorrida em sua sala na data de 30 de janeiro de 2023, Rubens convocou Maria Gladis para tratar do trabalho de auditoria da CSS Auditores, especificamente sobre a parametrização de erros que estavam sendo ajustados pela contadora. Nesta reunião, em que estavam presentes Rubens, Jaqueline, Eroaldo (por chamada de voz), Paulo Roberto e os auditores independentes, Rubens demonstrou uma grande irritação com o comportamento de Maria Gladis”.

 

Esquema na mira
A Unimed Cuiabá – que é a operadora de saúde suplementar de maior abrangência do Estado, com 220 mil usuários, possuindo 60% de market share e tendo 1.381 médicos cooperados – descobriu um prejuízo contábil de R$ 400 milhões.

 

Em março de 2023, após uma disputa eleitoral histórica na qual os cooperados elegeram o médico urologista Carlos Bouret para presidir a Unimed Cuiabá, deu-se início à descoberta de uma série de anormalidades que estavam sendo cometidas pela gestão anterior, que tinha como presidente o médico Rubens de Oliveira.

 

Além de Rubens, a ex-gestão era composta pelo ex-CEO, Eroaldo Oliveira, e o ex-presidente do Conselho de Administração, João Bosco Duarte.

 

Em 27 de junho, os cooperados reunidos em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) tiveram conhecimento dos resultados apresentados pela auditoria, PP&C Auditores Independentes, quanto ao balanço revisado. Conforme relatório, existia uma perda de aproximadamente R$ 400 milhões no balanço fiscal de 2022, contrapondo os R$ 371,8 mil positivos que haviam sido apresentados pela gestão anterior.

 

As irregularidades apontadas pela auditoria contratada evidenciaram uma administração incorreta, que comprometeu a saúde financeira da Unimed Cuiabá. Dentre pontos críticos estavam a construção de dois empreendimentos – a sede do hospital próprio e um espaço de cuidados terapêuticos – que custaram R$ 95 milhões e não foram entregues em sua totalidade.

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