MP rechaça falso confronto em que arma usada contra advogado foi “localizada”

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O delegado de Polícia Civil Bruno de Abreu Magalhães afirmou, nesta segunda-feira (12), que o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) “rechaçou” o falso confronto entre policiais militares e adolescentes infratores , forjado para plantar a arma de fogo utilizada na execução do advogado Renato Nery em 5 de julho de 2024. O MP teria identificado “várias incongruências na cadeia de custódia da arma”.

Segundo o delegado, o falso confronto aconteceu no dia 11 de julho, quase uma semana após a morte do advogado. O MP, por meio do Centro de Apoio Operacional da Infância e da Juventude, destacou que o roubo praticado pelos adolescentes aconteceu por volta das 20 horas e o suposto confronto horas depois. Entretanto, a arma não estava no local, “estava já em mãos dos peritos, em cima do carro, uma prática que, infelizmente, é comum de acontecer”, Bruno. Rodinei Crescêncio/Rdnews

Arma de fogo utilizada na execução do advogado Renato Nery, em julho de 2024.

“As munições não estavam relacionadas ao boletim de ocorrência, a arma não foi apresentada na Central de Flagrantes. [Quanto] a versão dos menores, foram perfeitas em suas versões dos fatos, 100% harmônicas em tudo o que eles falaram, mesmo um estando preso e o outro estando solto”, disse Bruno.

Quanto à versão dos militares, o delegado apontou que todos negam terem plantado a arma no local, afirmando, a todo momento, que as armas utilizadas no confronto estavam nas mãos dos adolescentes.

“Mas, para nós, isso não ocorreu, até porque um dos menores estava debaixo da viatura, totalmente dilacerado, não tinha condições sequer de abrir os olhos, e, muito menos, de segurar uma arma 9mm e apontar para os policiais sem atirar”, destacou o delegado.

Bruno destaca ainda que a manifestação do MP aconteceu no mês de setembro, período em que ainda não havia resultado da perícia quanto à arma de fogo utilizada na execução de Renato Nery.

“Então, assim, foi um ato totalmente imparcial que já descaracterizava esse confronto lá atrás. Com base no que a gente colheu, fizemos dois depoimentos dos policiais, dois depoimentos até contraditórios, e com base em todos isso, acabou-se a diligência e nós entendemos que não houve confronto e fizemos o indiciamento por todos aqueles crimes que já noticiamos”, destacou. 

Características da arma

O delegado de Polícia Civil, Caio Albuquerque, detalhou que a arma de fogo utilizada na execução de Renato Nery é uma pistola Glock, 9mm, com seletor de tiro – dispositivo acoplado na arma que, ao invés de fazer apenas um disparo por vez, deflagra todos os projéteis ao acionar o gatilho.

“A pessoa, quando vai efetuar o disparo, provavelmente vai acertar outras pessoas. Tanto que, na morte do Renato, pelo que a gente entendeu houve sete disparos, [sendo que] apenas um chegou a cabeça, o resto dos disparos se espalhou. Uma munição foi parar no mercado [ao lado], podendo ter matado outras pessoas”, disse.

Caio destacou ainda que vê como “falaciosa” a versão do 3º sargento da Força Tática, Heron Teixeira Pena Vieira , de que o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva – indiciado como executor do advogado -, teria comprado o armamento “no mundo do crime” e depois revendido o mesmo “na rua”.

“Então, essa arma não é uma arma de localização fácil nas ocorrências. Isso eu falo com propriedade, porque estou há mais de 5 anos na homicídios aqui [DHPP]. Eu nunca encontrei um armamento dessa forma. Eu nunca fui a uma ocorrência onde vai encontrar uma pistola Glock com esse equipamento. É uma pistola muito cara”, apontou Caio.

 O delegado aponta ainda que, ao contrário da versão apresentada pelo caseiro, as investigações revelaram que a Glock e suas sete munições originais foram, na verdade, adquiridas pelo Estado e encaminhadas para a Polícia Militar. 

“E só um detalhe, o Alex era uma pessoa muito endividada, com muitas dívidas. Ele não tinha dinheiro para pagar sequer a gasolina da moto. Então ele não teria condições de comprar nenhum tipo de arma. Ele estava devendo diversos agiotas. E aí está o desespero dele em arrumar dinheiro. Então ele não tem como ter comprado uma arma desse calibre e ter vendido ela tão imediatamente assim como se vende uma banana”, disse Albuquerque.

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Link da Matéria – via RD News

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