MP destaca crueldade e denuncia Nataly por feminicídio e mais sete crimes

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O Ministério Público de Mato Grosso denunciou, nesta quarta-feira (26), a bombeira civil Nataly Helen Martins Pereira  por matar e roubar a bebê da adolescente Emelly Sena , em Cuiabá. O documento é assinado pelo promotor de Justiça Rinaldo Segundo, que imputa a Nataly os crimes de feminicídio, tentativa de aborto, ocultação de cadáver, fraude processual, dar parto alheio como seu próprio, subtração da criança, falsificação de documento particular e uso de documento falso. A denunciada encontra-se presa no Presídio Feminino Ana Maria do Couto May, na Capital. Reprodução

Nataly Helen, à esquerda, denunciada pela morte da jovem grávida Emelly Sena, que teve a bebê retirada à força do ventre

No documento, o MP salienta o desprezo de Nataly contra Emelly, tendo atitudes que mostravam não enxergar a adolescente como merecedora da gestação. O promotor ainda ressalta que o crime foi cometido com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

“Nataly vê Emelly como não merecedora, incapaz de criar a sua filha, e serve-se de dificuldades econômicas e emocionais de Emelly não apenas para atraí-la para a morte, mas também para justificar as suas ações criminosas. É violência de gênero a reprodução do estereótipo da mulher pobre, incapaz de criar seus filhos”, afirmou o promotor. 

A peça destaca que a determinação do feminicídio se deu em razão da postura de Nataly para com Emelly, que foi tratada como “mero objeto reprodutor”. “ Nataly exerceu controle forçado sobre o corpo da vítima, violando-o de forma extremamente brutal, menosprezando sua condição feminina ao considerá-la descartável após a extração do bebê” Trecho da denúncia do MP

“[…] Um “recipiente” para o bebê que desejava, demonstrando total desprezo pela sua integridade corporal e autodeterminação. A conduta de Nataly revela a coisificação do corpo feminino, reduzindo-o à sua função reprodutiva, como evidenciado pelo fato de ter mantido contato com a vítima por meses apenas com o intuito de monitorar o desenvolvimento da sua gestação e, no momento oportuno, apropriar-se violentamente do fruto de seu ventre. Nataly exerceu controle forçado sobre o corpo da vítima, violando-o de forma extremamente brutal, menosprezando sua condição feminina ao considerá-la descartável após a extração do bebê”, diz o documento.

O MP ainda cita a forma como Nataly agiu após o crime, quando teria utilizado o celular de Emelly para enviar mensagens aos familiares da vítima, a fim de desviar a atenção sobre seu desaparecimento. “Tal fato também reforça o estereótipo de gênero atribuído à Emelly, uma mulher grávida jovem, negra e pobre. E, portanto, descartável, uma mulher que valia menos, cujo desaparecimento não teria repercussão social na mente de Nataly”, reforça a denúncia.

Já a tentativa de aborto se configura, conforme o promotor, em razão do bebê ter nascido sem sinais vitais, sendo que foi reanimado pela própria suspeita, que cursava enfermagem, antes de ser levado para o hospital – onde Nataly tentou fingir que havia dado à luz em casa.

A denúncia também aponta para indícios de premeditação do crime, uma vez “que Nataly havia previamente preparado o local do crime, tendo inclusive cavado uma cova rasa nos fundos da residência antes da chegada da vítima, demonstrando clara premeditação”.

Por fim, o promotor incluiu que, na sentença de Nataly, seja arbitrado um valor mínimo a fim de reparar danos materiais e morais causados pelos crimes praticados. 

O caso

Emelly Azevedo Sena havia desaparecido na terça-feira (11), por volta das 12h, após sair de casa, no bairro Eldorado, em Várzea Grande e avisar a família que estava indo para Cuiabá buscar doações de roupas de bebê. O celular parou de funcionar e a família saiu em procura dela, realizando um boletim de ocorrência às 22h.

Na quarta-feira à noite, Nataly e o marido deram entrada no hospital com uma bebê, alegando que o parto teria sido realizado na residência. A equipe médica desconfiou do caso, pois a mulher não tinha indícios de puerpério. Exames apontaram que a mulher não esteve grávida recentemente e que a criança seria de outra mãe.

Na quinta (13) pela manhã, o corpo de Emelly foi encontrado em uma cova rasa, com pernas e braços amarrados, asfixiada com um fio no pescoço  e um corte de faca na barriga.

Na investigação, a Polícia Civil descobriu que a bebê que estava com Nataly era a filha da adolescente. Quatro suspeitos foram conduzidos, entre eles o marido de Nataly, mas os três foram liberados, tendo permanecido presa apenas a mulher.

A investigação aponta que Emelly ainda estava viva quando teve o bebê arrancado do ventre. Os cortes foram precisos  e certeiro no útero, não tendo atingido outros órgãos. Nataly confessou em  depoimento que, antes de matar Emelly, pediu desculpas e disse que cuidaria da bebê .

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Link da Matéria – via RD News

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