Mobilização da direita só se sustenta sob influência de Trump, avalia analista

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Assim como Tiradentes, figura maior da Inconfidência Mineira, desafiou a ordem colonial em busca de liberdade e mudança, a nova direita brasileira ressurge como um movimento que prega a contestação às estruturas políticas tradicionais, impulsionado por uma articulação global liderada por figuras como Donald Trump. O feriado de Tiradentes é comemorado oficialmente, hoje, dia 21 de abril, em todo país. 

Da Assessoria

Esse fenômeno, que ganha força por meio das redes sociais e do uso estratégico da inteligência artificial, aposta na figura de um líder quase messiânico para mobilizar massas e promover ideais conservadores, patrióticos e excludentes, conforme destaca o cientista político João Edisom. Para ele, o sucesso ou fracasso desse movimento no Brasil está intrinsecamente ligado ao destino do trumpismo nos Estados Unidos.

“Se o movimento trumpista [de direita] prosperar, ele prospera no Brasil. Se fracassar lá, fracassa não só no Brasil, como fracassa em outros lugares. Ele é o grande ícone. Por isso, mesmo sendo aqui no Brasil, todos eles estão de olho nos Estados Unidos, de olho no Trump. Porque [a direita] está conectada a esse movimento. Ela não é um movimento isolado no Brasil, é um movimento do mundo”, afirmou.

Observando esse movimento revolucionário da direita, de engajamento e mobilização, em paralelo com o primeiro “herói” da história brasileira — o militar Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes —, cujo dia é comemorado em 21 de abril e que é considerado “Patrono da Independência”, percebem-se poucas semelhanças. Tiradentes é visto como símbolo de heroísmo pela direita, por sua afeição ao militarismo, e como um revolucionário pela esquerda, por seus ideais e por ser considerado um “mártir”.

“Tiradentes está muito voltado para a questão científica, do Estado libertário, dos movimentos mais libertadores, no sentido de uma plenitude de inclusão e liberdade, e não no sentido de exclusão. Se a gente olhar o movimento [da direita] de hoje, por exemplo, é um movimento extremamente excludente. Não só na questão de gênero, mas também em relação a pessoas e locais”, acrescentou.

Quanto às semelhanças entre Tiradentes e a nova direita, embora sua imagem tenha sido explorada durante o início da República, o analista citou apenas a busca pelo poder, algo também perceptível em qualquer outro movimento político. Enquanto a direita se encontra globalizada e formando novos líderes, a esquerda brasileira, por outro lado, segue estagnada e ineficiente, segundo Edisom.

“Não existem novos ideais de uma esquerda. A esquerda está vencida. Esse é o grande problema. Se você olhar os países, os movimentos de esquerda ainda estão muito presos à figura do pós-guerra, às pessoas excluídas; então, eles abraçavam esse movimento. A violência hoje vem das facções. E a esquerda não sabe lidar com isso”, pontuou.

Tiradentes

Tiradentes foi líder da Inconfidência Mineira, tendo a função de arregimentar pessoas para ajudar a derrubar a monarquia. No entanto, acabou sendo descoberto, preso e condenado à morte por enforcamento em 1792. Após a execução, foi esquartejado, e pedaços de seu corpo foram espalhados entre o Rio de Janeiro e Vila Rica — atual Ouro Preto, então capital da Capitania de Minas Gerais —, onde apenas sua cabeça chegou, sendo exposta em um alto poste. Ele é considerado herói pela direita e revolucionário pela esquerda.

Tiradentes foi escolhido como herói em 1889, quando, de fato, a monarquia caiu. Tudo fazia parte de um jogo cheio de simbolismo para obter apoio popular ao novo modelo de governo. Ele também se tornou patrono das polícias em 1946, patrono cívico da nação brasileira em 1965 e herói da pátria em 1989, sendo celebrado em 21 de abril por representar um símbolo de independência.

“A única ligação entre os dois é que todo movimento político visa conduzir ao poder. É a única semelhança que vejo. Mas qualquer outro movimento também tem esse fim, em prol do poder. E, bem diferente da Inconfidência Mineira, que tinha na fraternidade seu princípio, eles [a direita] têm a fraternidade como o princípio contrário. Se você fala qualquer coisa com que eles não concordam, mandam você embora do Brasil. Falou em fraternidade? Mandam para Cuba”, disparou.

Quebra da imagem

João Edisom desmistificou a imagem vendida por artistas da década de 1890, segundo a qual Tiradentes possuía barba e cabelos longos, chegando a lembrar Jesus Cristo — o que não condiz com a realidade, já que, por ser militar, ele não teria barba nem cabelos longos. Nos dias atuais, também é visível o “endeusamento” de figuras políticas, transformando-as em salvadores, mitos e libertadores.

Reprodução

Pinturas de Tiradentes feitas na década de 1890 por Aurélio de Figueiredo, Décio Villares e Pedro Américo

 

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Link da Matéria – via RD News

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