Miss MT é dona de empresa suspeita de manter 20 funcionários em trabalho escravo

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Taiany França Zimpel, eleita Miss Mato Grosso em 2016 e Mato Grosso Internacional em 2024, é dona da empresa que administra a fazenda Eliane Raquel e Quinhão, em Nova Maringá (a 368 km de Cuiabá), onde 20 trabalhadores foram localizados em condições degradantes , incluindo uma mulher e dois menores de idade. As vítimas estavam em situação de trabalho análogo à escravidão na atividade de extração de lenha de área desmatada.

Nesta sexta, a miss publicou nota nas redes sociais, onde informa que a empresa que é dona, firmou contrato de prestação de serviços com a propriedade rural, mas que terceirizou a mão de obra para a execução do trabalho. Confira a nota ao fim da matéria

Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), as vítimas foram contratadas pela empresa T.F. Zimpel – que leva o nome da miss – para cortar e empilhar madeira.

Dos 20 trabalhadores, 16 estavam sem registro formal e recebiam apenas por produção, sem um salário fixo. Os outros quatro, embora estivessem registrados, recebiam na carteira de trabalho somente 30% do salário, com os 70% restantes da remuneração sendo pagos “por fora” e também vinculados à produção.

Além da degradância dos alojamentos, a equipe identificou a restrição de locomoção dos trabalhadores. O local de trabalho distava 120 km da cidade mais próxima, uma área isolada e de difícil acesso, sem transporte público ou particular regular. Essa situação obrigava a permanência dos trabalhadores no local, confinados ao alojamento. Ademais, os trabalhadores afirmaram que não possuíam dinheiro para voltar para casa, caso quisessem sair do local.

Os alojamentos eram insalubres. Quatro trabalhadores, por exemplo, estavam confinados em um contêiner sem ar-condicionado, sem camas, roupas de cama ou armários. O ambiente era de extrema desordem e total falta de higiene. Os demais trabalhadores estavam em barracos improvisados de lona, sem acesso a instalações sanitárias adequadas, dormiam em redes ou tarimbas e ficavam permanentemente expostos a ação de insetos e outros animais que circulavam pelo local.  Num dos barracos de lona pernoitavam 13 trabalhadores entre redes e colchões em tarimbas improvisadas.

Não havia água limpa e potável, não havia áreas de vivência com higiene adequada para o preparo de alimentos ou demais necessidades. A água utilizada para preparo da comida e consumo não era potável, era retirada diretamente de um rio, o que os expunha a riscos de doenças.

Havia apenas um banheiro para os trabalhadores, os quais declararam que faziam as necessidades no mato e tomavam banho no córrego próximo. Os resgatados ainda afirmaram que nem sempre era fornecido papel higiênico e que cada um comprava o seu.

Os trabalhadores foram resgatados e imediatamente retirados do local pelo empregador, sob a supervisão da equipe de fiscalização. As verbas rescisórias dos trabalhadores foram cobradas, totalizando um valor aproximado de R$ 418 mil. Além disso, o representante do MPT propôs a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) aos responsáveis.

Confira na íntegra a nota emitida pela empresa:

A empresa T. F. ZIMPEL, trata-se de empresa prestadora de serviços em atividades de apoio à pecuária e a agricultura, atuando como intermediadora.

A empresa T. F. ZIMPEL, assim como a Família Zimpel, não possuem propriedade rural.

Assim, a empresa T. F. ZIMPEL esclarece que firmou contrato de prestação de serviços com uma propriedade rural e terceirizou a mão de obra para execução dos trabalhos, portanto, a empresa T. F. ZIMPEL não representa a fazenda e também não realizou a contratação da mão de obra direta.

A empresa T. F. ZIMPEL, mesmo não sendo a contratante dos trabalhadores, vem colaborando integralmente com as autoridades nas apurações relacionadas ao caso dos 20 funcionários resgatados.

Desde o inicio da fiscalização, quando tomou conhecimento sobre os fatos, a empresa garantiu o acesso irrestrito às instalações da operação e documentos, além de atuar no acolhimento e realocação dos colaboradores afetados.

A empresa T. F. ZIMPEL reforça seu comprometimento com práticas trabalhistas éticas, respeito à legislação e aos direitos dos trabalhadores.

A empresa firmou, com o Ministério Público do Trabalho, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com caráter emergencial e reparatório, sem confissão de culpa, pois mesmo sem ser responsável direta pelos funcionários, preferiu garantir o suporte imediato dos colaboradores, resguardando-se no direito de regresso ao contratante.

A empresa T. F. ZIMPEL repudia veementemente qualquer prática análoga à escravidão ou tráfico de pessoas e seguirá colaborando com as investigações, confiando que a verdade será esclarecida com responsabilidade e respeito ao devido processo legal.

A empresa T. F. ZIMPEL informa que serão tomadas todas as medidas legais cabíveis, tanto cíveis quanto criminais, quanto a publicações que expõe os fatos de forma distorcida à realidade, em especial àquelas que liguem os fatos à pessoa da Miss Mato Grosso.

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Link da Matéria – via RD News

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