Mauro Cid coloca general cuiabano no grupo “moderado”: “Evitar a doideira”

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 O primeiro depoimento do tenente-coronel Mauro Cid   no processo de delação premiada à Polícia Federal, prestado em agosto de 2023, cita o general cuiabano Júlio César Arruda como integrante de um dos três grupos distintos que se encontravam com o ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) depois do fim das eleições de 2022, quando foi derrotado por Lula (PT).   O documento foi obtido pelo jornal Folha de S. Paulo e divulgado nesse domingo (26).

Segundo   Mauro Cid, o general Arruda era do grupo dos  “moderados”, que queriam evitar que Bolsonaro cometeu “doideira”. O depoimento diz que os integrantes diziam concordar com “as injustiças” do Brasil, mas não eram a favor de uma intervenção radical. “Entendiam que nada poderia ser feito diante do resultado das eleições, qualquer coisa em outro sentido seria um golpe armado”, afirma o texto. Entre os integrantes também estava o  general Paulo Sérgio Nogueira, então Ministro da Defesa.

Reprodução

Já o grupo dos “conservadores”   teria  uma “linha bem política”. A intenção desses indivíduos, conforme Mauro Cid,  era transformar Bolsonaro em um “grande líder da oposição”. Alguns dos integrantes seriam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União.

No grupo dos “radicais”, parte seria a favor de ir atrás de uma suposta fraude nas urnas. Outra parcela “era a favor de um braço armado”. Estavam inclusos o presidente nacional  do PL, Valdemar da Costa Neto, e o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde.

 Reportagem anterior revelou que general   Arruda, que comandou o Exército  por cerca de 30 dias no início do Governo Lula (PT), não aceitou  colaborar com golpe de Estado para impedir que o petista fosse empossado em 1º de janeiro de 2023.  A proposta foi apresentada pelo general Mário Fernandes, um dos presos na Operação Contragolpe da Polícia Federal (PF), que foi   secretário-executivo da Secretaria Geral da Presidência da República na gestão de Jair Bolsonaro (PL).

A reportagem do Estadão, publicada em novembro do ano passado,  diz que  Mário Fernandes procurou o general Júlio Cesar na sua sala,  no Departamento de Engenharia e Construção (DEC) do Exército,  em Brasília. Acompanhado de dois coronéis da reserva,   criticou o então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes,  por não ter aceito a tentativa de golpe para impedir a posse de Lula.

“O senhor vai assumir o comando depois de amanhã. O senhor tem de fazer alguma coisa!”, teria dito Mário Fernandes. Já Júlio Cesar,  que assumiu o comando do Exército  dois dias depois, em 30 de dezembro daquele ano,  teria expulsado os oficiais da sua sala.  O  general cuiabano ainda teria dado ordem  para que os três oficiais  nunca mais o procurassem  enquanto   fosse comandante do Exército.  

Vinícius Schmidt/Metrópoles

Júlio Cesar   foi exonerado  do cargo de comandante do Exército em 21 de janeiro de 2023, após entrar em conflito com o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, por conta do desmonte dos acampamentos em frente aos quartéis. Entre os colegas de Forças Armadas, é considerado um general “legalista”.

 Já   Operação Contragolpe, deflagrada na semana passada,  prendeu Mário Fernandes e outros suspeitos de ter  planejado os assassinatos do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Entre os presos estão oficiais do Exército e um policial federal.

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Link da Matéria – via RD News

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