
Em Mato Grosso, apenas 40% dos municípios tem o sistema de energia trifásica, utilizado em indústrias e comércios que possuem aparelhos de alta potência, o que limita o as indústrias da maioria das cidades mato-grossenses e tem causado prejuízos no setor produtivo. O vice-presidente da Federação das Indústrias, Gustavo Oliveira, afirma que as constantes oscilações e quedas de energia têm interrompido a produção, às vezes, por horas.
Rodinei Crescêncio
“O sistema trifásico tem a energia 110v, 220v e, principalmente, 380v, para as indústrias operarem as máquinas e equipamentos mais pesados. E menos da metade dos municípios tem esse sistema. Os outros 60% são atendidos por energia monofásica, só essa energia 110v que, basicamente, serve para pequenos equipamentos, para residências. E mesmo em cidades como Campo Verde, onde tem energia trifásica, a qualidade dessa energia é ruim, ela oscila muito e queima equipamentos industriais”, explica. “ 60% são atendidos por energia monofásica, só essa energia 110v que, basicamente, serve para pequenos equipamentos, para residências” Explica Gustavo Oliveira, vice-presidente da Fiemt
Algumas indústrias, tanto do interior do estado quanto da Capital, como indústria de refrigerante ou de fiações de algodão têm relatado à Federação os prejuízos.
“Empresários nos relatam que a cada vez que tem essa oscilação, não precisa nem cair a energia, se ela só oscilar, desarma a linha de produção. Porque lá tem equipamentos sofisticados que não toleram muito essa variação de tensão na energia elétrica. Quando estamos trabalhando em estabelecimentos comuns, se a luz dá aquela piscada, ela vai e volta, uma lâmpada apaga e acende de novo. Em uma indústria a máquina para de funcionar e às vezes demoram até quatro horas para conseguir retomar o seu funcionamento”, esclarece.
Algumas regiões, como a de Água Boa, Paranatinga, Tesouro, Canarana e Novo São Joaquim, precisam de muito investimento na área e os empresários precisam, além de montar a indústria, montar uma estação geradora de energia para a operação, o que pode até dobrar o custo do empreendimento.
“O empresário tem que colocar um gerador, que normalmente é a diesel para funcionar, ou o empresário, além de construir a indústria, tem que construir, por exemplo, um parque solar com placas de energia fotovoltaica para abastecer aquele empreendimento dele, criar uma estratégia de abastecer com baterias e uma série de outras coisas. Ou seja, ele além de ter o custo de construir a indústria, que é igual a indústria que está competindo com ele em São Paulo, no Rio, em Santa Catarina, ele ainda tem um custo adicional que é ser um produtor de energia”, pontua.
Mesmo grandes cidades, como Cáceres e Pontes e Lacerda, que são atendidos pelo sistema de energia trifásica, têm apenas a monofásica nas áreas rurais. Dessa forma, as fazendas não conseguem ter bombas de irrigação eficientes, infraestrutura de processamento da soja, do milho, do algodão, porque não conseguem colocar a indústria no local.
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Buscando soluções
A Câmara Setorial de Energia da Fiemt, o Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso (Sindenergia MT) e a Energisa têm feito reuniões para debater as possíveis soluções. O desafio é encontrar a solução para os investimentos necessários para ampliação do trifaseamento das redes elétricas sem causar aumento nas tarifas, buscando suporte dos governos estadual e federal.
Em novembro, o diretor-presidente da Energisa, Marcelo Vinhaes, anunciou que um novo plano robusto está em fase de conclusão, com ênfase na preparação do campo para a industrialização. Os investimentos devem ser apresentados ainda no primeiro bimestre de 2025. Segundo Vinhaes, a Energisa está implementando um novo modelo de gestão e planejamento para atender às particularidades de Mato Grosso.Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

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