
Rodinei Crescêncio
Nos últimos anos, as fábricas da Volkswagen no Brasil enfrentaram mais um revés significativo: uma paralisação causada pela escassez global de semicondutores, um problema que afeta várias indústrias automotivas. Aproximadamente 800 funcionários foram colocados em férias coletivas devido à falta desses componentes essenciais na fabricação de veículos. Esse cenário reflete uma tendência global de interrupções nas cadeias de suprimentos, especialmente em setores dependentes de alta tecnologia, como o automotivo.
Esse incidente levanta questões mais amplas sobre o processo de desindustrialização que o Brasil enfrenta há décadas. O país, que outrora teve uma base industrial crescente, tem visto um encolhimento constante desse setor, especialmente em indústrias de grande porte como a automobilística. Empresas como Ford e Mercedes-Benz já fecharam fábricas em território nacional, e outras empresas parecem estar enfrentando desafios semelhantes. A falta de políticas robustas para fortalecer a indústria nacional, aliada a uma dependência crescente de componentes importados, torna o cenário ainda mais preocupante. “ A falta de políticas robustas para fortalecer a indústria nacional, aliada a uma dependência crescente de componentes importados, torna o cenário ainda mais preocupante”
Historicamente, o Brasil sempre enfrentou dificuldades para consolidar uma política industrial consistente. Nos anos de desenvolvimento econômico pós-Segunda Guerra Mundial, houve iniciativas de industrialização através de políticas de substituição de importações e criação de estatais. No entanto, essas políticas não se sustentaram a longo prazo, seja pela falta de investimentos em inovação tecnológica ou pela incapacidade de competir globalmente. Nos últimos anos, o Brasil se tornou dependente de exportações de commodities, enquanto a produção industrial ficou em segundo plano.
A falta de uma política de industrialização eficaz tem consequências diretas para a economia brasileira. A desindustrialização resulta em perda de empregos de qualidade e limita a capacidade do país de desenvolver cadeias produtivas tecnológicas, deixando-o vulnerável a crises globais como a atual falta de semicondutores. Além disso, afeta a balança comercial, já que o Brasil precisa importar produtos com maior valor agregado, enquanto exporta matérias-primas com menor valor de mercado.
Uma política de reindustrialização traria benefícios enormes. Primeiro, estimularia o desenvolvimento de cadeias produtivas internas, aumentando o valor agregado da produção nacional. Além disso, a industrialização impulsionaria a criação de empregos qualificados e melhoraria a competitividade internacional do Brasil. Um exemplo seria o incentivo à produção local de semicondutores e outros componentes estratégicos, diminuindo a dependência externa e garantindo maior estabilidade ao setor automotivo e outros.
Entretanto, os desafios são consideráveis. O Brasil precisa enfrentar a alta carga tributária que inibe investimentos, a falta de infraestrutura adequada para escoamento de produtos, e o custo elevado de energia e insumos. Além disso, a qualificação da mão de obra e a adoção de novas tecnologias, como automação e inteligência artificial, são fundamentais para que a indústria nacional possa competir globalmente.
Portanto, os recentes incidentes na Volkswagen são um lembrete da fragilidade do setor industrial no Brasil e da necessidade urgente de políticas que incentivem a industrialização, com foco em inovação e sustentabilidade econômica. O futuro da indústria no Brasil depende de uma visão de longo prazo e de investimentos contínuos em setores estratégicos.
Escrito com Sara Nadur Ribeiro
Mauricio Munhoz Ferraz, é assessor do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, professor de economia. Foi secretário de Estado de ciência e tecnologia e adjunto de infraestrutura do governador Mauro Mendes, superintendente do Ministério da Agricultura em Mato Grosso e diretor do Instituto de pesquisas da Fecomercio. Mestre em sociologia rural, seu livro “o avanço do agronegócio” faz parte do acervo da Universidade Harvard, e seu livro “A lei kandir” na biblioteca do congresso, ambos nos Estados Unidos. Seu livro “Rota de Fuga, a história não contada da SS” esteve entre os 10 mais vendidos na Amazon e foi traduzido para o inglês, pela editora Chiado, de Portugal. Foi vencedor do prêmios internacional “empreedorismo consciente” do Banco da Amazônia e do nacional “Celso Furtado” do governo brasileiro.

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