
O mato-grossense Kawan Vinnicyus Soares dos Santos, de 21 anos, é o primeiro paciente do Estado a receber a aplicação experimental de polilaminina, proteína que pode auxiliar na recuperação de movimentos em pessoas com lesão medular. Cinco dias depois da dose, o jovem comemora com cautela. “Estou muito feliz, mas tento ser realista para não me decepcionar. Ainda assim, mantenho a fé e a esperança de voltar a andar”, afirma.
Kawan é o 28º participante brasileiro na pesquisa que testa a substância. O procedimento foi realizado na manhã da última quarta-feira (26), no Hospital Regional de Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá), e marca um novo capítulo na esperança de reabilitação para pacientes com esse tipo de trauma no país. A aplicação durou cerca de 50 minutos e, após o procedimento, ele permaneceu seis horas em observação, acompanhado por médicos e fisioterapeutas da unidade. Kawan sofreu um acidente em 14 de novembro do ano passado.
O jovem seguia de moto para o trabalho quando colidiu com um caminhão, que invadiu a preferencial. O impacto perfurou os dois pulmões e provocou rompimento completo da medula entre as vértebras T6 e T10, deixando-o paraplégico. Ele participa da segunda fase do estudo, que contempla pacientes na chamada fase subaguda.
Nesta fase, pessoas com até três meses do rompimento da medula podem receber a polilaminina. À época do acidente, o estudo realizava aplicações apenas em pacientes com até 72 horas da lesão. “Nós não sabíamos. Se soubéssemos, teríamos ido atrás”, relata a madrasta, Ana Alice Soares dos Santos. Segundo ela, após a cirurgia e a confirmação da paraplegia, a família iniciou o processo de adaptação à nova realidade e, já em casa, amigos e conhecidos passaram a enviar informações sobre a polilaminina. Foi então que Kawan decidiu buscar a inclusão no estudo.
“Em um primeiro momento, foi negado. Naquela época, estavam aplicando apenas em pacientes com até 72 horas de lesão”, explica.
Com a abertura da segunda fase, que ampliou o perfil para a etapa subaguda, Kawan conseguiu ser incluído. Agora, aguarda os desdobramentos do tratamento experimental, equilibrando expectativa e prudência. “Ainda não tive nenhuma resposta em relação a micromovimentos, mas também não tive nenhuma reação colateral e isso é muito bom”, relata.
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