
Gabriel Vitor Moura dos Santos, 12, foi um dos destaques das Paralimpíadas Escolares 2024, realizadas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. Natural de Cuiabá, Gabriel conquistou duas medalhas de prata no atletismo (60m e nos 100m).
A competição, que terminou na última sexta-feira (29), reuniu mais de 2.000 atletas em idade escolar de todos os estados do país.
Gabriel começou a se dedicar à corrida em junho de 2023, incentivado por um primo. Em fevereiro, o treinador de atletismo Cláudio Mendes de Almeida se impressionou ao ver o jovem participando de uma corrida. Na ocasião, convidou Gabriel para treinar com ele.
“Eu vi que, pela idade, o Gabriel já fazia um tempo razoável. Mas ele ainda era muito jovem para competir na corrida de rua. Por outro lado, o paradesporto poderia fornecer mais oportunidades para ele treinar e competir”, lembrou.
Contudo, o garoto de 12 anos não se empolgou com o convite.
Mas tudo mudou quando, durante as Paralimpíadas de Paris, neste ano, Gabriel viu o atleta paraibano Petrúcio Ferreira na televisão. Petrúcio, tricampeão da prova dos 100m pela classe T47 (limitação em membros superiores), compartilha uma deficiência parecida com o jovem cuiabano.
“Eu me imaginei lá correndo”, contou Gabriel, após ver Petrúcio competindo. Foi quando o garoto resolveu aceitar o convite de Cláudio para treinar atletismo. Reprodução
A evolução foi rápida. Ele estreou no atletismo na etapa estadual das Paralimpíadas Escolares em junho deste ano, onde conquistou o ouro nas duas modalidades que participou (60m e 800m). Agora, no âmbito nacional, Gabriel repete o feito de ir ao pódio nas modalidades.
O sucesso precoce de Gabriel, porém, é igualmente proporcional à sua vontade de melhorar. “Nos 100m, eu não larguei tão bem quanto eu gostaria. Mas, no ano que vem, eu venho para bater recordes”, ele garante, determinado.
Um aspecto destacado por pessoas ao redor de Gabriel é o aumento da autoestima do garoto. Ao , Vitoria Raisa Mizael de Moura, 25, irmã de Gabriel, destaca que o esporte o deixou mais confiante.
“Gabriel tinha muita vergonha da sua deficiência. Ele sempre sofreu muito preconceito por diversas pessoas e olhares ruins, principalmente, na escola. Ele tinha vergonha de fazer programas simples, como ir ao shopping, ir a uma festa de aniversário, passear com os amigos, tudo ele se sentia desconfortável e envergonhado. Hoje, ele consegue ser ele mesmo, e se aceitar, não esconde mais o braço, e nem se anula em diversas situações”, explicou.
Capoeira
Além do atletismo, Gabriel também é destaque nacional na capoeira. Em 20 de julho deste ano, ele participou da 5ª edição da Copa Nortão de Capoeira, em Lucas do Rio Verde. O prodígio terminou em segundo lugar na categoria masculina entre 11 e 13 anos, e conquistou uma vaga para o campeonato mundial de capoeira, que acontecerá em Paris, no próximo ano.
A viagem para a França está marcada para abril. Enquanto isso, a família busca de recursos para conseguir custear as passagens e hospedagem. Reprodução/Arquivo pessoal

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