
Os irmãos I.N.F. e L.N.F foram presos por perseguir e coagir policiais civis em Nova Brasilândia (a 201 km de Cuiabá). Em relato, as vítimas disseram que os suspeitos tiveram apoio de outro familiar, um investigador afastado da Polícia Civil por suspeita de agiotagem, A.A.N.F., que teria seguido os agentes em uma caminhonete e, supostamente, solicitado “ajuda” de uma equipe da Polícia Militar.
Conforme boletim de ocorrência, o caso aconteceu na manhã de quinta-feira (03). Em relato, os policiais civis disseram que estavam na viatura, realizando uma investigação no município por meio da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), momento em que passaram por uma rua sem saída e teriam notado que estavam sendo seguidos por um dos suspeitos, posteriormente identificado como L.N.F., que estava em uma moto.
PJC-MT
Pouco depois, o investigador afastado, A.A.N.F., teria passado a persegui-los também, usando uma caminhonete. Em um determinado momento, conforme o relato, o suspeito ultrapassou a viatura e parou no batalhão da Polícia Militar, “aparentemente buscando apoio para uma abordagem à equipe civil”, conforme consta no depoimento.
A perseguição teria continuado até que A.A.N.F. “fechou” o carro oficial em que as vítimas estavam. Em seguida, uma viatura da PM teria se aproximado, solicitando a identificação dos policiais civis, que assim o fizeram. No depoimento, os agentes disseram que os militares insistiam em obter mais informações sobre a investigação no município, alegando que haviam recebido vídeos deles pela cidade, próximo a um local de produção e venda de laticínios.
Em relato, os policiais civis disseram que, quando todos desceram da viatura, foram abordados pelos militares e pelas demais pessoas que estavam no local, sendo elas A.A.N.F., I.N.F e uma mulher, identificada como N.F.S. De acordo com o policial civil, todos agiam “como se fossem agentes públicos no exercício da função”.
Além disso, os militares teriam solicitado que os policiais civis fossem até o posto da PM para esclarecerem o que estavam fazendo, pois ninguém havia comunicado sobre a presença de uma equipe Especializada do Meio Ambiente no município. Após esclarecer a situação, os policiais civis deram continuidade às diligências.
Ainda em depoimento, as vítimas afirmaram que começaram a ser seguidas novamente, dessa vez por um veículo VW Gol, que, anteriormente era dirigido por N.F.S., mas agora era conduzido por L.N.F., que, além de seguir os agentes, fazia filmagens. Os policiais civis teriam dado ordem de parada, porém o suspeito desobedeceu e fugiu. Os policiais realizaram buscas pela região e encontraram o veículo do suspeito em uma empresa de laticínios, local onde L.N.F. teria desacatado a equipe policial novamente.
Questionado se ele seria o dono da empresa, o suspeito disse que não, momento em que o irmão dele, I.N.F., apareceu, se apresentando como o proprietário do estabelecimento e dizendo falsamente que era policial, também desacatando os agentes, afirmando que ele e seu grupo “eram os donos da cidade” e que a equipe “deveria se apresentar a eles antes de realizar qualquer diligência na cidade”.
Diante disso, os irmãos foram detidos e encaminhados à Delegacia de Polícia Civil de Chapada dos Guimarães. No caminho, os agentes disseram que pararam em um posto de combustível para abastecer e a mesma viatura da PM, com a mesma equipe, os abordou novamente, solicitando identificação, o que já haviam feito anteriormente. Ao final, os policiais civis solicitaram que os militares comparecessem a delegacia de Chapada para esclarecimentos, o que, até o presente momento, não teria acontecido.
Soltos após fiança
Conforme consta nos autos, os irmãos I.N.F. e L.N.F. pagaram fiança no valor de R$ 2,4 mil, cada, e foram soltos.
Afastado por agiotagem
Irmão da dupla presa, A.A.N.F. foi afastado, provisoriamente, do cargo de investigador de Polícia Civil em março de 2016, suspeito de usar seu cargo e a estrutura da delegacia de Nova Brasilândia para a prática de agiotagem.
Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), o policial é suspeito de obter vantagem patrimonial indevida ao utilizar a estrutura da PJC, durante o horário de expediente, para realizar as atividades de agiotagem, sendo que, algumas vezes ele estaria munido de arma de fogo e da viatura policial.
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