IR 2026 tem nova faixa de isenção, menos lotes e “cashback” automático; entenda

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A declaração do Imposto de Renda em 2026 chega com mudanças relevantes que afetam diretamente milhões de contribuintes. Entre as principais novidades estão a atualização da faixa de obrigatoriedade, a criação de um modelo de restituição automática – apelidado de “cashback” -, alterações nos lotes de pagamento e novas regras de fiscalização, inclusive para os apostadores online, as famosas “bets”. O prazo de envio da declaração do IR começa na segunda-feira (23) e se estenderá até 29 de maio.

As mudanças foram detalhadas ao pelo contador João Vitor Sasaki, que atua há seis anos na área e é sócio de um escritório de contabilidade. Segundo ele, as atualizações seguem orientações recentes da Receita Federal e exigem atenção redobrada dos contribuintes. “A principal mudança é com relação à faixa de isenção, que sobe para R$ 35.584”, explicou. 

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Apesar disso, ele alerta para uma confusão comum: “Muita gente acredita que quem ganha até R$ 5 mil já está dispensado da declaração, o que não é verdade neste ano. Essa regra dos R$ 5 mil só vai valer na próxima declaração. Este ano ainda segue o limite de R$ 35.584”, afirmou. 

Quem precisa declarar?

De acordo com as regras atuais da Receita Federal, devem declarar o Imposto de Renda em 2026 os contribuintes que: Tiveram rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 no ano-base; Receberam rendimentos isentos ou não tributáveis acima de R$ 200 mil; Possuíam bens ou direitos acima de R$ 800 mil e Realizaram operações financeiras ou investimentos específicos.

Sasaki reforça que a obrigatoriedade não depende apenas da renda mensal. “Tem muita gente que acha que está isenta e acaba deixando de declarar, mas se enquadra em outros critérios”, disse. 

“Cashback” e diminuição de lotes

Uma das novidades mais comentadas é a possibilidade de restituição automática para contribuintes que não são obrigados a declarar, mas têm valores a receber.

Segundo o contador, o mecanismo funciona de forma simplificada, desde que alguns critérios sejam atendidos. “Se a pessoa tiver Pix no CPF, não tiver inconsistências e a restituição for de até mil reais, ela pode receber automaticamente. Então, de mil reais ou inferior a isso, você consegue estar restituindo automaticamente, que está previsto para acontecer no dia 17 de julho”, explicou.  “ As instituições financeiras já informam toda a movimentação [à Receita Federal]. Não adianta tentar omitir informações” João Vitor Sasaki

Outra mudança é a redução no número de lotes de restituição, que caiu de cinco para quatro, cujos pagamentos estão previstos para começar no mês de maio, seguindo até 31 de agosto.

Além disso, a Receita Federal estabeleceu uma meta que Sasaki considera ousada: “Eles querem, até o segundo lote, já ter pago 80% das restituições”.

Apostas entram no radar

Pela primeira vez, a declaração passa a ter um campo específico para informar ganhos com apostas online, as chamadas “bets”. A medida amplia o monitoramento e indica que esse tipo de rendimento deve entrar de vez no radar da fiscalização.

“Agora existe um campo próprio para isso. A Receita ainda não tem acesso completo a essas informações, mas já está aumentando o controle”, afirmou o especialista, ressaltando que a Receita Federal tem utilizado a tecnologia a seu favor, aumentando a risco dos contribuintes caírem na malha fina.

Segundo ele, o avanço no cruzamento de dados é ponto a se ter atenção, visto que a Receita está cada vez mais eficiente na identificação de inconsistências. “As instituições financeiras já informam toda a movimentação [à Receita Federal]. Não adianta tentar omitir informações”, alertou.  Annie Souza/Rdnews

O contador João Vitor Sasaki, que detalha as novas regras para declaração do Imposto de Renda em 2026

Ele destaca também que o uso do Pix está incluído nesse monitoramento e pode ser analisado em conjunto com outras movimentações bancárias.

Declaração pré-preenchida mais rigorosa

Quanto à declaração pré-preenchida, que já vinha sendo ampliada nos últimos anos, a Receita Federal realizou melhorias importantes. Agora, o sistema pode alertar o contribuinte sobre possíveis inconsistências antes mesmo do envio.

Apesar disso, o contador faz um alerta: “Ele [sistema] vai avisar: ‘Será que essa informação está correta?’ Isso ajuda a evitar erros que antes levavam à malha fina, mas não é porque está pré-preenchido que está certo. O contribuinte precisa conferir tudo”. 

Esse conselho também se estende devido a uma alteração estrutural importante, que é a extinção da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (DIRF). Agora, os dados passam a ser enviados por meio do eSocial e da EFD-Reinf.

Segundo Sasaki, essa transição pode gerar inconsistências. “Como é algo novo, pode haver divergências nas informações. Por isso, é essencial conferir os dados ou contar com apoio de um contador”, disse. 

Multa e declaração retificadora

Quem deixar de declarar ou cometer erros pode enfrentar penalidades. A multa mínima é de R$ 165, podendo chegar a 20% do imposto devido.

“Então, precisa tomar muito cuidado, caso você tenha a obrigatoriedade de declarar, de não deixar de fazer a sua declaração. Muitas pessoas acabam deixando de fazer e, às vezes, elas têm até um valor a restituir e nem sabem”, destacou o contador. 

Arte gerada por Cecília Nobre, utilizando IA

Contador como aliado

Sasaki reforça que o contribuinte não deve ter receio de buscar ajuda profissional. “Então, não precisa ter medo, não precisa ter insegurança, o contador está aqui para auxiliar. Ele não é alguém que vai te denunciar para Receita Federal, ele está ali como um aliado para que você pague menos tributo, pague menos imposto ou o mínimo possível”, concluiu. Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

Link da Matéria – via RD News

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